Navegue:
Produção industrial cai 0,4% em setembro, na 4ª queda consecutiva; alimentos puxam recuo

Produção industrial cai 0,4% em setembro, na 4ª queda consecutiva; alimentos puxam recuo

Das 26 atividades industrias acompanhadas pelo levantamento, dez tiveram resultados negativos no mês retrasado

industria
Por:

Compartilhe:

Por:

Em meio à queda na demanda e alta dos juros, a produção industrial recuou 0,4% em setembro na comparação com agosto, na quarta queda consecutiva do indicador, de acordo com dados divulgados nesta quinta, dia 4, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A indústria ainda está 3,2% abaixo do patamar registrado em fevereiro do ano passado, no pré-pandemia. Em agosto, a retração havia sido de 0,7%.

Das 26 atividades industrias acompanhadas pelo levantamento, dez tiveram resultados negativos no mês retrasado, com destaque para produtos alimentícios, com queda de 1,3%, e metalurgia, com recuo de 2,5% –as duas atividades possuem peso importante dentro da Pesquisa Industrial Mensal.

“Podemos observar sinais negativos em segmentos importantes no setor de alimentos, como a parte relacionada ao açúcar, por causa das condições climáticas adversas que prejudicaram a cana-de-açúcar”, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo, em material de divulgação do IBGE. “Outro setor com comportamento negativo foi o das carnes bovinas, explicado pela suspensão das exportações desse produto para a China no início de setembro, por conta do mal da vaca louca. Isso impactou negativamente o setor de alimentos”.

No acumulado do ano, a indústria apresenta alta de 7,5%, e nos últimos 12 meses a expansão é de 6,4%. A piora no quadro do setor veio mesmo nos últimos meses: no trimestre encerrado em setembro, houve queda de 1,1%. “Esse movimento de volta ao campo negativo é justificado pelos resultados em todas as categorias econômicas, em especial, do segmento de bens de consumo duráveis, que sai de um crescimento de três dígitos e vem para uma queda de 16,9%”, afirmou o pesquisador.

Demanda em queda e falta de insumos

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, o cenário ruim dos últimos meses está relacionado a motivos micro e macroeconômicos. “Do ponto de vista macro, a insuficiência de demanda e os juros em elevação penalizaram todos os grupos. Já do ponto de vista micro a descontinuidade de certas cadeias produtivas globais segue impondo falta de insumos industriais”, avaliou.

O IBGE destacou que ainda tiveram queda os segmentos de couro, artigos para viagem e calçados (-5,5%), outros equipamentos de transporte (-7,6%), bebidas (-1,7%), indústrias extrativas (-0,3%), móveis (-3,7%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,7%).

Entre os que registraram alta, destacaram-se produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%), outros produtos químicos (2,3%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,0%) e máquinas e equipamentos (1,9%).

Compartilhe: