Nova variante da Covid pode levar a um ciclo de alta de juros menor no Brasil, diz diretor do Goldman Sachs

Surgimento da nova variante pode afetar a recuperação da economia brasileira, aponta Alberto Ramos

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O surgimento da nova variante do coronavírus na África do Sul pode afetar a recuperação da economia global e levar a um aumento de aversão a risco, o que colocaria o Brasil, que já vem mostrando um crescimento mais fraco e uma inflação elevada, em um cenário ainda mais desafiador, afirma Alberto Ramos, diretor de macroeconomia do Goldman Sachs.

Ramos diz que o interesse dos investidores estrangeiros por Brasil, que já era baixo, pode diminuir ainda mais em um cenário mundial de aversão a risco. “Os ativos brasileiros já estavam descontados por causa do ruído político, mas não por essa nova variante”, enfatiza.

Com o crescimento menor, o  Banco Central brasileiro pode preferir seguir com um ciclo de alta de juros menos agressivo, mas o quadro fiscal pode se agravar ainda mais com a queda de receita e a necessidade do governo de oferecer eventual suporte à população, diz Ramos.

A aversão a risco nos mercados aumentou após alerta feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou a nova cepa como “preocupante”. “É muito cedo para fazer uma avaliação, precisamos ver a opinião dos especialistas sobre o quão preocupante é a situação. Mas dependendo de como for, pode impactar a recuperação da economia e levar os bancos centrais a adotarem uma postura mais ‘dovish‘ [menos inclinada ao aperto monetário]”, observa o diretor do Goldman Sachs.

Os mercados hoje já refletem um pouco esse cenário. Às 17h00, a taxa de juros do título de dez anos do Tesouro americano recuava para 1,482% ante 1,644% no dia anterior, com os investidores vendo a possibilidade de o Federal Reserve, o banco central americano, postergar a alta da taxa de juros no país.

Qual o impacto da aversão a risco global sobre o Brasil?

No fronte doméstico, um cenário de desaceleração econômica pode significar um Produto Interno Bruto (PIB) ainda menor, caso seja necessária a adoção de novas medidas de restrição de circulação para conter o avanço da doença.

O mercado projetava um crescimento de 0,70% para o PIB brasileiro em 2022, segundo informações do último Boletim Focus. Mas algumas instituições, como o Itaú Unibanco, já preveem uma queda do PIB no ano que vem.

Além disso, o país pode sofrer com a queda do preço das commodities, que, se por um lado traz um alívio para a inflação, de outro, afeta a balança comercial do Brasil, destaca Ramos.

Esse cenário de crescimento menor e alívio na inflação pode levar o BC a fazer um ciclo menor de alta de juros para trazer a inflação de volta para a meta, que é de 3,50% em 2022.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram em queda, refletindo esse cenário. A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 12,145% para 11,84% e a do DI para janeiro de 2027 passou de 11,81% para 11,71%.

No Tesouro Direto, o retorno do título prefixado com vencimento em 2026 caiu de 11,79% para 11,73%. Já o retorno do papel prefixado com juros semestrais e vencimento em 2031 recuou de 11,67% para 11,66%.

Incerteza fiscal aumenta cautela no mercado local

A expectativa pela a votação da PEC dos Precatórios no Senado na semana que vem aumenta a cautela dos investidores. A provação da PEC é vista como essencial para reduzir a incerteza fiscal e para o governo poder aprovar o Orçamento de 2022.

A proposta apresentada nesta semana prorroga o pagamento de uma parcela dos precatórios para os anos seguintes e altera o teto de gastos (que restringe a alta de despesas públicas à inflação), abrindo espaço de mais de R$ 100 bilhões no Orçamento do ano que vem, para permitir o pagamento de R$ 400 de Auxílio Brasil. Essa mudança precisa ser implementada ainda neste ano, já que a legislação veda a criação de programas sociais em ano eleitoral.

“Se o governo não conseguir aprovar a PEC dos Precatórios, a reação dos mercados vai depender de qual será o plano B para aumentar o Auxílio Brasil”, diz Ramos.

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