Inflação acelera em junho, mas fica abaixo do previsto com queda em preço de combustíveis

Inflação ficou mais forte em junho por causa da alimentação fora de casa e do reajuste nos planos de saúde, e no ano chega a 5,49%

Foto: Shutterstock

O IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, subiu 0,67% em junho na comparação com o mês anterior, quando teve alta de 0,47%. O avanço foi puxado pela alimentação fora de casa, que ficou mais cara, e pelo reajuste dos planos de saúde, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado ficou aquém das expectativas do mercado. Segundo o BTG Pactual, o consenso entre os especialistas era uma alta de 0,72% no IPCA. O próprio BTG, no entanto, previa um crescimento mais intenso, de 0,75%.

Segundo o gerente da pesquisa de preços do IBGE, Pedro Kislanov, o fortalecimento da inflação foi influenciado pelo aumento nos preços dos alimentos para consumo fora do domicílio, que tiveram alta de 1,26% nos preços na comparação mensal, com destaque para a refeição (0,95%) e o lanche (2,21%).

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“Nos últimos meses, esses itens não acompanharam a alta de alimentos nos domicílios, como a cenoura e o tomate, e ficaram estáveis. Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços”, disse ele, segundo o IBGE.

O aumento de 2,99% nos preços dos planos de saúde também foi outro fator relevante na aceleração da inflação em junho.

“Em maio, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) autorizou o reajuste de até 15,50% nos planos individuais, com vigência a partir de maio e o ciclo se encerrando em abril de 2023. No IPCA, houve, em junho, a apropriação das frações mensais de maio e junho, o que impactou bastante esse resultado”, pontua.

O plano de saúde foi o maior impacto individual no índice do mês (0,10 ponto porcentual) e impulsionou a alta de 1,24% no grupo de saúde e cuidados pessoais.

Entre os transportes, os preços subiram 0,57% em junho, um avanço bem menos intenso que o de 1,34% observado em maio.

O IBGE apontou que no mês passado houve queda de 1,20% nos preços de combustíveis. “Os preços da gasolina, item de maior peso individual no IPCA, caíram 0,72%, enquanto os do etanol recuaram 6,41% e os do óleo diesel subiram 3,82%”.

O Instituto também disse que a inflação no primeiro semestre atingiu 5,49% – índice que supera o limite de 5% estabelecido para todo o ano de 2022 no regime de metas que devem ser cumpridas pelo Banco Central. Em 12 meses, a inflação acumulada chega a 11,89%.

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