O aumento no número de contratações em junho ajudou o setor de serviços do Brasil a crescer pela primeira vez em seis meses e no ritmo mais forte em quase oito anos e meio.
Esta é a conclusão dos indicadores da pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgada pela IHS Markit na última segunda-feira, 05.
O índice PMI subiu em junho a 53,9 pontos, ante 48,3 em maio, ultrapassando a marca de 50 pontos, que separa crescimento de contração.
Foi a primeira vez que o PMI do setor de serviços, altamente afetado pelas medidas de contenção da Covid-19, ficou em território de expansão neste ano. E não só. Num ritmo mais forte desde janeiro de 2013.
“As empresas de serviços registraram a alta mensal mais forte da atividade em quase oito anos e meio. Também houve novo aumento no emprego, já que muitas empresas buscaram substituir trabalhadores dispensados anteriormente”, destacou a diretora da IHS Markit, Pollyanna De Lima.
Pollyanna também destaca que algumas empresas esperam que, conforme mais pessoas sejam imunizadas, a pandemia recue e as restrições sejam totalmente retiradas.
“(Mas) a pandemia está longe de acabar, no Brasil e em outros lugares. Com o surgimento de novas variantes e falta de vacinas, há dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação econômica do Brasil”, alertou ela.
Fatores de crescimento
Segundo os entrevistados, o avanço do índice se deu pela melhora da demanda por causa da suspensão de algumas restrições, além do andamento do programa de vacinação.
As empresas indicaram entrada recorde de novos trabalhos do exterior, com o número de participantes que informaram vendas externas mais altas, quase o dobro daqueles que apontaram redução.
Com isso, as novas encomendas totais aumentaram pelo segundo mês seguido e no ritmo mais forte desde janeiro de 2020.
Tanto em relação à produção quanto às novas encomendas, o destaque em junho foi a categoria de Transporte e Armazenamento.
O ponto negativo foi o aumento dos custos de insumos, que acelerou em relação a maio. Destaque para os preços de alimentos, combustíveis e equipamentos de proteção pessoal. Parte disso custou no bolso dos clientes, resultando no oitavo mês seguido de alta dos preços cobrados.
Com isso, a taxa de inflação ficou atrás somente daquelas vistas em setembro e outubro de 2015.
*Com informações de Reuters