Alta do IGP-M perde força, mas consumidor só sentirá efeito em 2022

Indicador mostrou que pressão inflacionária diminuiu no lado da produção

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O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), um dos principais indicadores sobre a inflação brasileira, reduziu o ritmo de alta e ficou quase estável em novembro. A desaceleração foi mais intensa do que se previa, mas ela não deve ser percebida tão cedo pelos consumidores.

O IGP-M é um índice da Fundação Getulio Vargas que monitora os preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil. Ele é muito usado no reajuste de contratos de aluguel e de serviços públicos, por exemplo. Por isso, é monitorado de perto pelos investidores, assim como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial de inflação.

Por ser mais abrangente que o IPCA, o IGP-M subiu muito nos últimos meses, refletindo o aumento nos preços de matérias-primas como o minério de ferro. Estas commodities, negociadas em dólar, se valorizaram desde o ano passado com a desvalorização do real e porque, com a pandemia os consumidores passaram a comprar mais bens do que serviços. Isso elevou a demanda pelos insumos necessários à fabricação dos produtos.

Nos últimos meses, com o aumento da população vacinada contra a covid-19 e da circulação de pessoas, os serviços retomaram as atividades e a demanda está se reequilibrando. Isso fez o preço de algumas commodities cair. Este movimento de queda foi captado pelo IGP-M, segundo André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“Grandes commodities, que subiram muito de preço num passado recente em função do aumento do preço em dólar e da desvalorização do real agora estão com comportamento mais benigno. Estão caindo de preço em dólar. Nossa moeda, ainda que sofra alguma desvalorização de vez em quando, não é desvalorização tão aguda quanto no início da pandemia”, afirmou.

Inflação menor só em 2022

Ele prevê que a tendência é o IGP-M continuar desacelerando até o início do segundo trimestre de 2022, enquanto o IPCA deve ter um comportamento mais rígido no mesmo período. Esta expectativa é semelhante à observada nas estimativas colhidas pela edição mais recente do Boletim Focus, do Banco Central, divulgado mais cedo.

“A inflação ao consumidor agora está sendo pressionada pelo preço dos serviços e dos bens duráveis. A gente tem observado que restaurantes, passagem aérea, hotelaria, cinema, são preços que já estão subindo, e observa também que o preço dos bens duráveis – máquina de lavar, geladeira, televisão – também sobe”, disse Braz.

“Esta é uma inflação que pressiona mais o custo de vida das famílias, sem contar a carestia dos alimentos, a subida da gasolina, que também pressionam muito o orçamento familiar”, acrescentou. “A tendência é que a inflação ao consumidor desafie mesmo e se mostre cada vez mais alta no Boletim Focus. Em contrapartida, o IGP-M segue em desaceleração. [IPCA e IGP-M] devem ficar com taxas parecidas lá para maio do ano que vem.”

Braz considera que a partir de maio de 2022 o IPCA terá pouco espaço para subir porque há compromisso de que a sobretaxa cobrada na conta de luz seja menor a partir dali. “A conta de energia ficando mais barata favorece a queda da inflação das famílias e indiretamente a prestação de serviços e a atividade industrial.”

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, avalia que a transferência do alívio na inflação ao produtor para o consumidor final pode começar a ser percebida em janeiro, mas que uma transição total levará tempo. Primeiro porque o real não está num movimento de valorização – o que mitigaria a inflação absorvida do exterior. Depois porque falta previsibilidade sobre o comportamento do preço dos combustíveis.

Ele ressalta que no momento o preço dos combustíveis está com uma defasagem negativa em relação ao mercado externo – ou seja, poderia cair, segundo as regras da Petrobras -, mas que não se sabe quando e se a empresa anunciará esta redução.

Efeito nos juros

Para o mercado financeiro, a leitura do IGP-M fez pouca diferença. Vieira ressaltou que as taxas de juros operavam mais em função do movimento do câmbio do que em reação ao indicador sobre os preços.

Um dos motivos para isso é que o dado altera pouco a percepção dos agentes econômicos sobre aos próximos passos do Comitê de Política Monetaria do Banco Central, o Copom. O grupo reúne-se na semana que vem e anuncia decisão sobre a taxa básica de juros em 8 de dezembro.

“O Banco Central tem que olhar para a expectativa do IPCA. A inflação hoje já foi. Sempre deve atuar com olhos na inflação futura, na expectativa de inflação”, disse Ricardo Hammoud, economista e professor de Macroeconomia no Ibmec SP.

Ele acrescentou que na prática o que o IGP-M fez foi mostrar que houve uma potencial redução das pressões inflacionárias no lado da produção e que “os choques de oferta grandes que a gente teve durante a pandemia talvez não sejam o fator que vai acelerar a inflação”. Ainda há, no entanto, o risco de outros choques, como o cambial.

“Se [o dólar] se mantiver num patamar alto, mas não subir mais, ficar por volta de R$ 5,60, é bem possível que com elevação de juros bem forte as previsões de inflação para 2022 comecem a se estabilizar, mas dependemos de ausência de choques”, afirmou.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, apesar do avanço cada vez maior previsto para a inflação de 2022, os juros futuros devem se manter ou mesmo cair por conta da nova cepa de coronavírus reportada pela África do Sul, a Ômicron, que é muito mais contagiosa.

“Com o avanço da variante Ômicron as economias tendem a desacelerar, logo o ´trabalho sujo´ de desacelerar a atividade, que seria feito por mais juros, está sendo feito pelo vírus”, apontou Perfeito. Na avaliação do economista, a surpresa trazida pelo IGP-M é “bem-vinda”, mas muito concentrada no minério de ferro.

“Seja como for, é mais um motivo para os juros permanecerem sob relativo controle esta semana. Digo relativo porque teremos ainda nos próximos dias a aprovação ou não da PEC dos Precatórios no Senado, evento que pode mudar o humor dos investidores”, avaliou.

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