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Ainda não acabou: Ômicron e Influenza devem afetar o PIB do 1º trimestre

Ainda não acabou: Ômicron e Influenza devem afetar o PIB do 1º trimestre

Apesar de menor gravidade dos casos, afastamentos de trabalhadores por licença médica impactam atividade

Shopping Center foto de Unsplash 1

Por:

Gabriel Tomé
Lorena Vieira

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Por:

Gabriel Tomé
Lorena Vieira

A forte alta recente nos casos de Covid-19, impulsionada pela chegada da variante Ômicron do coronavírus, e a onda de gripe Influenza que varre o Brasil devem reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) do país no primeiro trimestre do ano.

Apesar da expectativa de que esse novo pico não leve a um aumento expressivo de hospitalizações, como se viu em 2020 e 2021, a avaliação é que o afastamento de funcionários por questões de saúde e a paralisação de parte das linhas de produção já impactam a atividade, sem falar nos possíveis efeitos sobre consumo de bens e serviços.

Além das adversidades que estão no preço para 2022, como inflação e juros em alta, alguns bancos reduziram a previsão para a atividade econômica em parte por causa do avanço dessas doenças. O Citi, por exemplo, espera que a economia caia 0,3% neste ano, ante uma expectativa anterior de alta de 0,3%.

Além da estimativa de mais aumento na taxa básica de juros, a Selic, o banco citou a disseminação acelerada da variante Ômicron do coronavírus, cepa muito mais contagiosa que as anteriores.

Casos e Óbitos de Covid-19

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Fonte: Conass

A disparada no número de casos de Covid-19 e de Influenza também levaram Ivo Chermont, economista-chefe da gestora Quantitas, a colocar um viés de baixa na sua projeção de estabilidade do PIB neste primeiro trimestre –na avaliação dele, o possível impacto sobre inflação deve ser apenas pontual.

“A quantidade de pessoas que está ficando doente é absurda, e estamos vendo que algumas lojas já estão sugerindo que os shoppings restrinjam os horários porque falta mão de obra. Acho que a percepção de uma parte importante das pessoas, sobretudo as de maior poder aquisitivo, que têm mais impacto no consumo, é que precisam se resguardar nesse momento”, avaliou.

Voos cancelados, funcionários afastados

Alguns dados reforçam essas preocupações. O exemplo mais conhecido é o das companhias aéreas. Do último dia 6 até ontem, a Latam e a Azul cancelaram cerca de 1 mil voos programados por causa da contaminação das suas tripulações.

Além disso, um levantamento feito pela ANR (Associação Nacional de Restaurantes) com cem empresas do setor mostrou que 85 delas estão com funcionários afastados. A entidade estima que 20% da força de trabalho está parada. E, somente na semana passada, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região registrou 500 casos de Covid-19 entre os bancários, cenário que vem levando ao fechamento temporário de algumas agências.

Em novembro, o volume de serviços mostrou uma forte recuperação, como mostrou a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas é difícil que o salto de 2,4% no volume registrado no mês retrasado volte a se repetir tão cedo neste ano. “O surgimento da Ômicron é um risco adicional para o desempenho dos próximos meses do setor, que é bastante afetado por restrições de mobilidade”, apontou Yihao Lin, economista da Genial Investimentos.

Contratação de temporários

Fernando Blower, diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes, ajuda a explicar como esse impacto é sentido pelo setor. Além da retração na demanda de consumidores, esses negócios já estavam com equipes enxutas por causa das primeiras ondas da pandemia, e agora estão se adaptando aos novos afastamentos de funcionários por Covid-19 e por gripe.

“A Influenza acabou coincidindo, infelizmente, e também teve um impacto grande. Então por conta disso a gente acaba tendo alguns problemas operacionais, mas que são suportados. Você tem que contratar temporários para manter a operação funcionando”, afirma. “Por outro lado, você tem um impacto também na receita com uma queda do movimento em geral, porque é um setor que vem de um longo período de crise e, portanto, acumulou muito passivo”.

Mesmo assim, ele avalia que o cenário é muito menos assustador do que já foi no passado. “Em comparação com as duas grandes ondas que tiveram de 2020 e 2021, é a primeira vez que o Brasil está mais bem colocado do que outros países do mundo em termos de vacinação”, afirma. “Então eu tenho esperança de que dessa vez haja um impacto, mas que seja muito diferente, menos profundo e duradouro do que foi nos anos anteriores.”

Comércio e indústria

O problema não se resume ao setor de serviços. A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites – que representa lojas menores em relação às chamadas âncoras, grandes redes varejistas – por exemplo, levou aos shoppings um pedido para que os administradores reduzam o horário de abertura por algumas semanas, exatamente pela redução no número de funcionários.

Por outro lado, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping diz ainda não ter percebido, nas últimas semanas, mudança no fluxo de consumidores e na frequência de funcionários em relação a meses anteriores. O diretor de Relações Institucionais da entidade, Luis Augusto Ildefonso, acredita que o efeito das duas doenças não virá a afetar tanto o setor. Ele se mantém otimista com o alcance de crescimento, ainda que baixo, nas vendas neste ano.

Mas o impacto negativo das contaminações é notado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Segundo a entidade, pelo menos 15% dos canteiros de obra do país foram afetados por causa da escalada de casos.

E o problema também preocupa a indústria, tanto pela paralisação de parte das linhas de produção locais como pela possível intensificação dos gargalos de oferta nas cadeias globais por causa da pandemia.

A maior parte dos especialistas não acredita que a economia sofra tanto quanto nos últimos dois anos. “A indústria tem tido alguns casos de afastamento, a produção pode ter uma redução. Mas acredito que ainda não deva ser algo tão significativo. No momento a gente não consegue observar um impacto tão forte quanto foi em 2020 e 2021″, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

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