Os dados de vendas no varejo em setembro, que mostraram queda bem acima da esperada pelo mercado, devem reforçar a percepção dos analistas de que o Banco Central (BC) seguirá o plano e elevará os juros básicos em 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em dezembro.
Em meio a uma inflação que não dá trégua — o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avançou mais 1,35% em outubro —, a avaliação de parte dos investidores era de que o BC poderia ser obrigado a acelerar ainda mais o ritmo de alta da taxa básica.
Entretanto, os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na manhã desta quinta, dia 11, mostram uma atividade econômica já bastante fraca, o que pode reduzir a necessidade de uma mão mais pesada da autoridade monetária. “A leitura foi influenciada pelos gargalos de oferta, pela elevada inflação e pelo deslocamento da demanda de bens para serviços, o que pode ser observado no recuo dos segmentos ligados a reabertura”, afirmou o BTG Pactual em relatório.
Segundo a pesquisa, seis de oito atividades pesquisadas apresentaram queda na comparação com agosto, e até o varejo ampliado, que inclui veículos, motos e material de construção, recuou 1,1% no mês retrasado (o mercado esperava estabilidade).
“A atividade segue frágil na margem. Depois de ter se recuperado fortemente após a pandemia, mostra falta de tração”, apontou o economista-chefe da Necton, André Perfeito. “O resultado reforça a perspectiva de que o Banco Central não deve elevar mais os juros no curto prazo, afinal a atividade já está suficientemente fraca”.
A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, destacou que o PIB (Produto Interno Bruto) já dá sinais de desaceleração. “É a atividade dando sinais de desaceleração, e já vamos começar a discutir quando os juros começarão a cair antes mesmo do fim do ciclo de alta”, apontou ela no Twitter.
O varejo fraco, juntamente com o avanço da tramitação da PEC (Pesquisa Mensal de Comércio) dos Precatórios no Congresso, acalmaram os juros futuros e o dólar nesta manhã. Às 11h35, os contratos DI para janeiro de 2025 recuavam 28 pontos base, a 11,62%, e o contrato futuro do dólar comercial com vencimento em dezembro caía 1,27% a R$ 5.441,50, ou R$ 5,44 por dólar.
Sergio Machado, gestor da Trópico Investimentos, explicou o movimento no Twitter. “Dado que veio ruim [o número de vendas no varejo em setembro], a tendência seria uma menor pressão inflacionária pelo lado da demanda e portanto uma menor necessidade de juros. Com isso diminui a pressão na curva [de juros]”, afirmou, ressaltando que juros menores beneficiam investidores e empresas da Bolsa.