Em meio a uma série de anúncios, a Vibra (VBBR3), antiga BR Distribuidora, anunciou o pagamento de JCP (juros sobre capital próprio), uma mudança em sua política de remuneração aos acionistas e a conclusão de um investimento voltado ao biogás.
A Vibra pagará aos acionistas R$ 797 milhões referentes ao exercício do ano de 2022. Uma parcela de R$ 389 milhões será paga em dezembro deste ano e a segunda, de R$ 408 milhões, até fevereiro de 2023.
Além disso, a companhia informou, na noite da última sexta-feira (16), um plano de sucessão de Wilson Ferreira Júnior, que era CEO da Vibra desde fevereiro de 2021 e voltará à Eletrobras (ELET3). Ele será substituído interinamente por André Corrêa Natal, atual vice-presidente executivo de finanças.
O que achamos
A empresa mudou a política de remuneração aos investidores colocando um piso de 40% de payout (fatia do lucro que é distribuída por meio de proventos). A meta considerará a alavancagem financeira e liquidez da empresa, para que as contas não saiam dos trilhos.
A notícia é positiva para ambas as partes. De um lado, a empresa reafirma seu empenho no potencial de geração de valor com a transferência do fluxo de caixa aos investidores, sem que seja alterado seu programa de recompra de ações.
Do lado dos acionistas, há a garantia de maiores dividendos, já que a empresa se compromete em compensar eventuais distribuições que fiquem abaixo dos 40% nos exercícios posteriores.
A companhia também concluiu a aquisição de 50% do capital social da Zeg Biogás e Energia S.A., visando expandir e consolidar sua plataforma de produtos e serviços renováveis. Ainda há duas opções de compra, a valor de mercado, de mais de 20% do capital da empresa.
O negócio havia sido divulgado em julho e agora o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou o fechamento da operação.
O negócio está em linha com o prometido pela Vibra no âmbito do ESG, já que a Zeg visa reduzir os impactos negativos causados pelo uso de combustíveis fósseis, sem perder competitividade.
Como a ação da Vibra deve reagir
A despeito da saída de um executivo de alto escalão, como é Wilson Ferreira Júnior – notícia que já está precificada –, as novidades na Vibra são positivas.
De um lado, a empresa segue alinhada aos investidores para que a geração de valor seja contínua, ao passo em que não deixa de investir em novas verticais para a diversificação do negócio.
Entretanto, como o mercado já acompanhava tais movimentos da empresa, as ações da Vibra devem ter reação neutra, em dia em que o Ibovespa futuro aponta para uma abertura negativa.