A Infracommerce (IFCM3) informou, após o fechamento do pregão na última quinta-feira (29), que concluiu o aumento de capital anunciado em agosto, levantando pouco mais de R$ 400 milhões em uma subscrição privada.
O aumento de capital da Infracommerce foi possibilitado com a fixação do preço por ação de R$ 5,01 no dia 20 de setembro. À época, o montante representava um desconto de cerca de 15,7% sobre o preço de fechamento daquele dia, de R$ 5,95.
O processo é concluído após a empresa perder mais de 60% de seu valor desde a realização da abertura de capital, em maio do ano passado. As preocupações do mercado giram em torno do alto endividamento e dificuldade na entrega de crescimento.
O que achamos
O aumento de capital da companhia vem à tona justamente como uma forma de amenizar os encargos financeiros, sobretudo aqueles ligados às aquisições de empresas.
Cerca de R$ 295 milhões estavam no radar da empresa para pagamento em forma de earnout de compras no passado. O termo refere-se a valores acordados entre a empresa e as adquiridas após cumprimento de determinadas metas.
A emissão de ações de forma privada foi utilizada como pagamento de parte desses compromissos.
Outra parcela do valor será pago até o fim do ano. Com isso, a alavancagem financeira da empresa – relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) – deve sair de cerca de quatro vezes no segundo trimestre deste ano para aproximadamente duas vezes. A empresa prevê um Ebitda de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões no acumulado de 2022.
A emissão otimiza a estrutura de capital da companhia e ajuda na composição do caixa, dando um fôlego necessário, inclusive para novas aquisições, principal vetor de crescimento da Infracommerce.
Entretanto, a emissão da empresa ocorre em patamar bem abaixo do que ela já negociou no passado, diluindo os investidores que eventualmente permanecem posicionados na companhia desde a realização do IPO.
Como a ação da Infracommerce deve reagir
Boa parte do aumento de capital anunciado pela empresa no mês passado já foi precificado pelos investidores, o que deve mitigar alguma grande reação do mercado na sessão de hoje.
O receio com a Infracommerce, todavia, permanece em função das incertezas ligadas ao setor de e-commerce e a contração monetária que assola o Brasil e o mundo, o que é sensível ao crescimento inorgânico da empresa.
*O Pré-Trade é publicado diariamente pela Agência TradeMap, sempre antes da abertura da Bolsa, e se propõe a indicar como investidores podem reagir no pregão em reação a alguma notícia ou fato novo que tenha relação com uma ação específica em sua carteira. O conteúdo se destina a fins informativos e não deve ser interpretado como nenhum tipo de recomendação de investimentos.