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Nubank (NUBR33) está bombando. Bancos e empresas de tecnologia vão seguir a onda?

Nubank (NUBR33) está bombando. Bancos e empresas de tecnologia vão seguir a onda?

Com alta de 15% na estreia, a fintech ganhou em valor de mercado o equivalente ao Banco Inter inteiro

Ontem, o Nubank (NUBR33) cravou seu IPO e já vale quase US$ 50 bilhões. A pergunta que fica é: os pares acompanharão?

Foto: Reprodução Nyse

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O Nubank (NUBR33) cravou na quinta-feira, dia 9 de dezembro, sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A fintech terminou seu primeiro dia na Bolsa de Nova York (Nyse) avaliada em US$ 47,6 bilhões (aproximadamente R$ 265,27 bilhões), após uma alta de quase 15%. Na B3, os BDRs subiram 20%. 

Em apenas um dia de negociação, o Nubank ganhou em valor de mercado um Banco Inter (BIDI11) inteiro, com o acréscimo de US$ 6,13 bilhões, e ampliou sua liderança no posto de maior instituição financeira da América Latina.

A dúvida que surgiu nos meandros da Faria Lima é se fintechs ou empresas de tecnologia com um pé no setor bancário não teriam de acompanhar o otimismo e verem seus valuations mais salgados também.

Ora, se o Nubank vale mais que um quarto de trilhão de reais, por que outras instituições com perspectivas de crescimento também robustas não podem ter seus múltiplos reajustados?

Em suma, o mercado estima que pode acontecer um “re-rating” do setor. 

Explicando o re-rating

O re-rating, também chamado de reclassificação no mercado acionário, consiste em um movimento de alteração das expectativas sobre determinada empresa ou setor, seja para baixo ou para cima.

Em um exemplo hipotético, suponha que um uma instituição tem suas ações cotadas a R$ 50 e o lucro por ação (LPA) é de 5. Isso significa que a empresa negocia com o múltiplo preço/lucro (P/L) de 10 vezes. 

Caso os fundamentos melhorem e as estimativas sejam mais favoráveis, suponha que as ações subam para R$ 60. Se o LPA não mudar, a relação P/L aumentará para 12 vezes. Na prática, isso cria riqueza para o investidor.

Em um setor concorrencial, onde as empresas possuem características similares, avenidas de crescimento comuns e riscos palpáveis de mesma magnitude, é possível que companhias acompanhem o movimento e também vejam suas ações valorizarem.

Ontem, porém, o Nubank subiu quase sozinho.

9/12/2021 COTAÇÃO VARIAÇÃO P/L LTM
NUBANK R$ 10,04 20,10%
BANCO INTER R$ 35,26 -7,77% 575,11x
BANCO PAN R$ 11,69 -5,19% 18,66x
BTG PACTUAL R$ 21,32 -2,07% 11,32x
XP R$ 166,97 0,23% 31,96x

Hoje, o cenário muda um pouco. Por volta das 11h55, os BDRs do Nubank subiam mais de 3%, enquanto Banco Inter e Pan avançam 7% e 5%, respectivamente, nos primeiros indícios de que irão correr atrás da diferença.

De qualquer forma, na maior parte do tempo, o mercado é ilógico no curto prazo. Ontem, a forte alta do Nubank pode ser explicada por uma série de razões já conhecidas do mercado. 

Há quem não teve a oportunidade de reservar os papéis e aproveitou para comprar no IPO; há quem conseguiu reservar, mas preferiu flipar o IPO (comprar antes para vender no dia da oferta), vendendo as ações no primeiro dia; entre outros motivos. 

O fato é que a discrepância entre os valuations aumentou. Por mais que demore, é possível que as curvas convirjam para o mesmo lugar – e, de fato, deveriam convergir. 

Briga de cachorro grande

Nos últimos anos, sobretudo desde 2018, o crescimento do Nubank foi assustador. Contudo, esse avanço vem com um preço – ou, na prática, a falta dele. 

A priori, o valor do banco digital para os clientes está no subsídio das linhas de negócio: tarifas zeradas, rentabilidade da NuConta, entre outras iniciativas que trouxeram uma base de clientes que pode ser sensível a preço. 

Hoje, o maior risco do Nubank está na monetização dos 48 milhões de clientes que possui. 

Como a Agência TradeMap mostrou em relatório recente, a fintech ainda é dependente de tarifas de intercâmbio do uso do cartão de crédito e programas como Rewards ainda são pouco representativos.  

Por vezes, é melhor controlar uma base de usuários menor, mas com margens mais saudáveis, como a XP. A empresa fundada por Guilherme Benchimol caminha ao lado do Nubank como uma das grandes disruptoras do setor no Brasil.

Porém, diferentemente do roxinho, a corretora optou pelo segmento de investimentos, que traz uma rentabilidade mais elevada. Apenas no terceiro trimestre deste ano, a XP teve um lucro de R$ 1,03 bilhão, mesmo tendo “apenas” três milhões de clientes.

A concorrência do Nubank também é expandida ao varejo. O Mercado Pago, fintech do Mercado Livre (MELI34), já representa mais de 20% da operação brasileira da companhia e possui mais de 20 milhões de usuários ativos. 

No acumulado do ano passado, a receita do braço de negócios do MELI somou US$ 837 milhões (cerca de R$ 4,66 bilhões na cotação atual). A fins comparativos, nos primeiros nove meses deste ano, o Nubank como um todo faturou R$ 5,66 bilhões, não muito distante. 

Mesmo assim, não houve reprecificação do Mercado Livre. Ontem, as ações negociadas na Nasdaq caíram 6,49%, enquanto os BDRs por aqui recuaram mais de 5%. Aliás, a tendência negativa já é uma realidade há alguns meses, com o valor de mercado caindo quase pela metade desde a máxima histórica, atingida em 20 de janeiro deste ano. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O Nubank e a irracionalidade honesta

Pensar quando e em que magnitude ocorrerá esse re-rating é um exercício de futurologia. 

Hoje, o Nubank está na boca do mercado e é a bola da vez. Mas, como diz a frase atribuída a Warren Buffett, “você paga um preço muito alto no mercado de ações por um consenso animador”.

O histórico de crescimento com qualidade da empresa é indiscutível e dispensa apresentações. Há de se admirar a história dos fundadores do Nubank, que tiraram do papel a ideia da criação de uma fintech (quando sequer este termo era conhecido no Brasil) em uma simples casa em São Paulo, e a transformaram em uma das maiores companhias do continente.

Porém, o movimento observado até aqui beira uma irracionalidade honesta. Alguns dos investidores podem estar, de fato, comprados na tese de crescimento da empresa e não apenas querendo surfar a onda altista em um trade de curto prazo. 

O grande risco é esse avanço já estar precificado em tela. Para que o Nubank valha cerca de US$ 50 bilhões, estima-se que tenha de crescer cerca de 30% ano ano pelas próximas duas décadas, alcançando o panteão das big techs globais, algo longe de ser trivial. 

Projeções em planilhas aceitam qualquer tipo de estimativa. A atual análise consensual do mercado, daqui alguns anos, pode estar comprovadamente equivocada. Todavia, em um cenário de médio e longo prazos, a reflexão que fica é de que o re-rating ocorrerá no Nubank antes dos demais players, e não o contrário.

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