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Banco Inter (BIDI11) prepara as malas para NY e ações ensaiam recuperação; o que mudará para a empresa?

Banco Inter (BIDI11) prepara as malas para NY e ações ensaiam recuperação; o que mudará para a empresa?

As ações do Banco Inter sobem quase 10% nos últimos dois pregões. A empresa migrará suas ações para a Nasdaq

Foto de fachada de um prédio do Inter, com foco no logo

Foto: Divulgação

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A migração do Banco Inter (BIDI11) para Nova York já é realidade. A companhia informou, na noite de quarta-feira (24), que a U.S. Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, aprovou o registro da Inter Platform.

Isso possibilita a listagem dos papéis da instituição na Nasdaq. Esse plano foi revelado pelo Banco Inter ao mercado em maio. Hoje haverá uma assembleia geral extraordinária para deliberar sobre a reorganização societária.

Com as alterações, as units do banco deixarão de ser negociadas na Bolsa brasileira, abrindo caminho para os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de emissão do Inter Platform.

Nesta quinta, as ações da companhia voltaram a subir e avançam quase 10% nos últimos dois pregões.

Segundo dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, o otimismo é maioria entre os analistas. De sete profissionais que analisam os papéis, cinco recomendam compra, com o preço-alvo chegando até a R$ 90 — upside de 139%.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Na prática, contudo, o que isso significa? Como o mercado tem reagido à opção do banco em mudar de endereço e que benefícios essa mudança trará?

A proposta e o que muda para o Banco Inter

A ideia apresentada pelo Banco Inter há seis meses mostra a tentativa de melhorar sua posição frente ao mercado em transformação. O banco busca ser visto como uma empresa de tecnologia e não somente uma instituição bancária digital.

Fonte/Reprodução: RI Banco Inter
Fonte/Reprodução: RI Banco Inter

Hoje, o Inter possui cinco frentes de negócio. São elas:

  • Banking;
  • Crédito;
  • Investimentos;
  • Shopping;
  • Seguros.

Segundo a empresa, essas atividades “se complementam e se retroalimentam”.

Colocando-se no radar do investidor americano, sendo listado no celeiro da tecnologia mundial, o banco quer ter alcance global e conectar todas as empresas do seu grupo econômico.

Esse objetivo, na prática, já é notado. Nesta semana, a instituição formalizou a aquisição da Pronto Money, fintech americana conhecida como USEND. O pagamento foi 80% em caixa e o restante em ações, embora o valor não tenha sido revelado. 

“A expansão do Inter para o mercado internacional permitirá a ampliação contínua de sua base de clientes e consolida o seu posicionamento como plataforma digital de serviços financeiros e não financeiros”, disse a instituição, no comunicado divulgado ao mercado em maio. 

Hoje, o Inter possui 15 milhões de clientes, a mesma quantidade do Banco Pan (BPAN4) e cerca de um terço do que o Nubank possui. 

A direção do Banco Inter pensa de forma similar a qualquer empresa que queira internacionalizar suas operações, e ter o mercado de capitais ao seu lado. 

Ao chegar aos Estados Unidos, a empresa terá acesso a funding mais barato, sem contar a alta liquidez (ainda) vigente nos mercados acionários. Em função da possibilidade da emissão de ações com voto plural, novos aumentos de capital também podem entrar no radar.

O banco também passará a estar no radar dos grandes bancos de investimento, que podem analisar minuciosamente as ações da empresa, recomendando-as.

A reação dúbia dos investidores

Os grandes investidores do Banco Inter aprovaram a mudança. Além da família controladora, o SoftBank, fundo de investimento japonês que agora detém 15% de participação na empresa, aderiu antecipadamente às alterações.

O fundo abriu mão do direito de recesso, e fechou um acordo para transformar sua participação em ações classe A, que dão direito a um voto por ação.

O mercado, por sua vez, pesa sobre o Banco Inter as mudanças na conjuntura macroeconômica e de sustentabilidade das empresas de tecnologia.

Da primeira manifestação relacionada à migração para a Nasdaq, no fim de maio, até a máxima histórica, atingida em 21 de julho, os papéis subiram 42,40%. Desde então, a queda é de 55%.

A forte baixa pode ser explicada de algumas formas. A principal delas diz respeito a uma reprecificação dos ativos ligados ao mundo financeiro digital, como, além do Inter, são exemplos o BTG Pactual (BPAC11) e Banco Pan

Desempenho das ações de Banco Inter, BTG Pactual e Banco Pan nos últimos 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O Nubank chegará ao mercado americano no mês que vem valendo cerca de US$ 50 bilhões (R$ 278 bilhões). Acontece que essa pedida já foi maior, entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões de valuation.

O ajuste para baixo mostra que o mercado tem se mostrado mais cético em relação às empresas ligadas ao âmbito de tecnologia — mesmo que atreladas ao setor financeiro e bancário –, de alto crescimento e com múltiplos altos.

Atualmente, o Inter negocia a 601,83 vezes o lucro dos últimos 12 meses, o número mais “palpável” ao mercado, sendo que a média dos últimos 36 meses foi de 2.050 vezes.

Segundo a projeção mediana apresentada pela Refinitiv, hoje o banco está sendo negociado a 22,83 vezes os lucros esperados para 2022.

Como vai funcionar a troca de ações

A reorganização societária consiste na incorporação da totalidade das ações do Banco Inter por sua controladora, a Inter Holding Financeira (HoldFin). 

Para cada ação ordinária ou preferencial de emissão do Inter, será entregue 0,33333 ação preferencial resgatável de emissão da HoldFin. Ou seja, para cada unit, será dado um papel preferencial de emissão da HoldFin.

Com isso, as ações preferenciais da HoldFin serão resgatadas mediante à entrega do BDR da Inter Platform, no caso da opção BDR.

Ainda há a opção cash out, pela qual os investidores poderão solicitar o recebimento em dinheiro do resgate das ações preferenciais da HoldFin, ao preço de R$ 45,84 por papel. 

Importante: quem optar pela opção cash out não poderá negociar as ações do Inter a partir do dia 3 de dezembro. 

O processo ainda vai passar pela homologação do Banco Central (BC). Vale ressaltar que a implementação da reorganização societária está condicionada ao valor a ser desembolsado em cash out, que não pode exceder R$ 2 bilhões.

Se quiser saber mais sobre as vantagens e as desvantagens da reestruturação do Banco Inter, clique aqui.

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