Após o respiro da Bolsa na segunda-feira e a calmaria do feriado, os mercados acordam nesta quarta-feira, dia 3, com uma agenda repleta de fatos e divulgações com potencial para mexer com os preços.
A política monetária estará na pauta do dia, com a ata da reunião da semana passada do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que será divulgada logo cedo, e a reunião do Fed (banco central dos EUA) sobre os juros americanos à tarde.
E o dia não para nesses dois eventos: a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios, que altera o teto de gastos para abrir quase R$ 100 bilhões de espaço no Orçamento de 2022, deve ser votada nesta quarta em um ambiente de incertezas, já que não conta com o apoio de partidos da oposição.
O receio dos investidores é que, se a proposta não passar, o auxílio emergencial seja prorrogado com uma nova decretação de estado de calamidade, com crédito extraordinário sendo aberto para essa finalidade. Nesse cenário, o país ficaria sem uma âncora fiscal em ano eleitoral.
Nesta quarta, ainda serão divulgados balanços importantes: pela manhã, será a vez do Banco Pan. Após o fechamento, CSN, CSN Mineração, Itaú Unibanco, Cielo e Pão de Açúcar informam seus resultados do terceiro trimestre.
Ata do Copom
A ata da última reunião do Copom, que aconteceu na semana passada, será divulgada às 7h de hoje, e o mercado espera que o documento ajude a dar algum norte aos investidores.
Mesmo após a decisão do BC de elevar a taxa básica, a Selic, em 1,5 ponto percentual, indicando nova alta da mesma magnitude na reunião de dezembro, apenas pouco mais da metade dos analistas acredita em uma inflação dentro da meta de 3,25% em 2023, segundo dados da pesquisa Focus. Há um mês, antes do anúncio de que o governo iria alterar o teto de gastos, 70% esperavam que o objetivo seria atingido.
Parte do mercado acredita que a autoridade monetária deveria ter sido mais contundente na avaliação do risco fiscal representado pela intenção do governo de alterar a regra do teto.
“O comunicado afirma que ‘recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos’. Em outras palavras, o Copom ainda não vê que o quadro fiscal mudou, como nós e a maior parte do mercado vemos”, afirmou Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, em relatório.
Decisão do Fed
Os mercados do mundo todo estarão atentos à decisão do Fed sobre a taxa de juros nos EUA, às 15h, e acompanharão o discurso do presidente do BC americano, Jerome Powell, às 15h30. Investidores buscam pistas de como e em qual ritmo ocorrerá a redução dos estímulos à atividade econômica na maior economia do mundo, o chamado tapering.
A expectativa é que a autoridade monetária do país anuncie que comprará US$ 15 bilhões a menos por mês em títulos da dívida e títulos hipotecários – o ritmo atual corresponde a um total de US$ 120 bilhões por mês absorvidos pelo Fed.
O movimento retira liquidez dos mercados, e tem potencial de reduzir o apetite por países emergentes como o Brasil, considerados mais arriscados.
Índices de inflação de outubro
Índices que serão divulgados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) darão uma ideia de como se comportou a inflação no mês passado: às 5h, sai o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e, às 8h, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal).
Emprego privado nos EUA e taxa de desemprego na Zona do Euro
Duas estatísticas importantes mostrarão a situação do mercado de trabalho nos Estados Unidos e na Zona do Euro. Às 7h, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, o Eurostat, informa a taxa de desemprego nos países da região em setembro, e, às 9h15, saem dados de emprego no setor privado dos EUA em outubro.
Vendas de carros
A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) divulga as vendas de veículos de outubro.
Balanços para ficar de olho
Antes da abertura do mercado, o Banco Pan divulga seu resultado do terceiro trimestre. Após o fechamento, é a vez de CSN Mineração (CMIN3), a CSN (CSNA3), Marcopolo (POMO3), Ultrapar (UGPA3), Dimed (PNVL3), Pão de Açúcar (PCAR3), Iochp-Maxion (MYPK3), Pague Menos (PGMN3), Cielo (CIEL3), Itaú Unibanco (ITUB4), AES Brasil (AESB3), AES TIETE (TIET11) e PetroRio (PRIO3).