Ibovespa avança em julho mesmo com pressões do cenário internacional

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

O mês de julho foi marcado pelo aumento das tensões comerciais e geopolíticas. No cenário externo, os investidores acompanharam a escalada do conflito no Oriente Médio, que voltou a pressionar os preços do petróleo após ataques envolvendo Estados Unidos, Irã e houthis do Iêmen, além das ameaças ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz Bab el-Mandeb, importantes rotas para o comércio mundial de petróleo. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a incerteza em relação ao comércio internacional e aos impactos sobre setores exportadores.

No cenário doméstico, a atenção se voltou para a atividade econômica, para a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, seguida por uma nova alíquota de 12,5% aplicada ao Brasil dentro de um pacote comercial mais amplo anunciado por Washington, e para o início da temporada de balanços do segundo trimestre.

Além disso, o IPCA avançou 0,16% em junho, abaixo das expectativas do mercado, enquanto o IPCA-15 de julho registrou alta de apenas 0,06%, também inferior às projeções, reforçando a percepção de inflação mais comportada. A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, em linha com as expectativas do mercado e abaixo dos 6,1% registrados no trimestre anterior. O resultado refletiu a continuidade da melhora no mercado de trabalho, com avanço da população ocupada e redução do contingente de desocupados.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quinta reunião consecutiva, em linha com as expectativas. A autoridade monetária destacou que a economia segue resiliente, mas reforçou que a inflação permanece acima da meta de 2% e que a incerteza econômica ligada ao conflito no Oriente Médio continua exigindo cautela na condução da política monetária. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no ultimo trimestre trimestre, abaixo da expectativa de mercado.

 

Entre as principais altas do mês, se destacaram:

 

 

CSN Mineração (CMIN3)

Como a maior valorização do Ibovespa no mês, a CSN Mineração (CMIN3) avançou 36,60%. O desempenho foi impulsionado pela aceleração do programa de recompra de ações da companhia, que prevê a aquisição de até 50 milhões de papéis até novembro de 2027. O movimento reforçou a demanda pelas ações ao longo do mês e sustentou a forte valorização dos papéis, mesmo em um cenário de expectativa de resultados mais pressionados no segundo trimestre, devido à redução dos preços realizados do minério de ferro.

Ultrapar (UGPA3)

Os papéis da Ultrapar (UGPA3) registraram alta de 26,82% no mês. O desempenho foi impulsionado pela melhora da percepção dos investidores em relação à companhia, diante da expansão da geração de caixa e da redução da alavancagem financeira. A expectativa de resultados sólidos no segundo trimestre também reforçou o otimismo do mercado, contribuindo para que as ações figurassem entre os maiores destaques do Ibovespa ao longo de julho.

Vibra (VBBR3)

A Vibra (VBBR3) registrou ganho de 20,61% no mês. O desempenho foi impulsionado pela revisão positiva das estimativas para o setor de distribuição de combustíveis, em um cenário de margens mais elevadas para as grandes distribuidoras. Além disso, a expectativa de resultados fortes no segundo trimestre, favorecida pelo ambiente competitivo mais favorável e pelo desconto entre os preços domésticos e a paridade internacional, reforçou o otimismo dos investidores em relação à companhia.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau (GGBR4) encerrou o mês com valorização de 20,21%. O desempenho foi impulsionado pela expectativa de resultados mais fortes no segundo trimestre de 2026. As perspectivas de melhora das operações no Brasil, na América do Norte e na América do Sul, aliadas à expectativa de preços mais elevados do aço, ganhos de eficiência operacional e aumento da rentabilidade, reforçaram o otimismo dos investidores em relação à companhia.

Vamos (VAMO3)

A Vamos (VAMO3) foi outro destaque positivo, com alta de 18,86% no mês. O desempenho foi impulsionado pela divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026, que mostrou crescimento de 10,1% na receita líquida, avanço da receita de locação e forte expansão do capex contratado, refletindo a elevada demanda por novos contratos. Além disso, a companhia registrou crescimento nas contratações do programa “Sempre Novo”, reforçando a percepção de melhora operacional e de continuidade da expansão dos negócios.

 

Entre as principais baixas do mês, se destacaram:

 

 

Direcional (DIRR3)

Com o pior desempenho do Ibovespa no mês, a Direcional (DIRR3) recuou 18,46%. O desempenho foi pressionado pela repercussão da prévia operacional do segundo trimestre de 2026. Apesar da resiliência das vendas no segmento Minha Casa Minha Vida (MCMV), os lançamentos e as vendas líquidas ficaram abaixo das expectativas do mercado, principalmente em função do desempenho mais fraco da Riva e do impacto da Copa do Mundo de Clubes sobre as vendas de junho.

Engie Brasil Energia (EGIE3)

Os papéis da Engie Brasil Energia (EGIE3) registraram queda de 14,44% no mês. O desempenho foi pressionado pela oferta pública de ações anunciada pela companhia, que levantou cerca de R$ 8,36 bilhões para financiar a aquisição de participação na Usina Hidrelétrica de Jirau. O mercado reagiu com cautela ao potencial efeito dilutivo da emissão de novas ações, movimento que pressionou os papéis ao longo do mês.

Cury (CURY3)

A Cury (CURY3) encerrou o mês com desvalorização de 14,18%. O desempenho foi pressionado após a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026, que ficou abaixo das expectativas do mercado. As vendas líquidas, os lançamentos e a velocidade de vendas decepcionaram os investidores, refletindo o adiamento de lançamentos e a desaceleração das vendas de estoques. Apesar de a companhia manter sólida geração de caixa e de bancos seguirem com recomendação de compra para as ações, a frustração com os números operacionais pressionou os papéis ao longo do mês.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas (USIM5) figurou entre as maiores quedas do mês, com recuo de 12,90%. O desempenho foi pressionado pela reação do mercado ao resultado do segundo trimestre de 2026. Embora os números tenham vindo em linha com as expectativas e mostrado melhora operacional na divisão de siderurgia, as perspectivas para o restante do ano aumentaram a cautela dos investidores. A companhia sinalizou pressão crescente de custos, enfraquecimento do mercado de aços planos e expectativa de piora nos resultados da mineração nos próximos trimestres, levando o mercado a revisar as expectativas para a empresa.

C&A (CEAB3)

A C&A (CEAB3) apresentou queda de 12,19% no mês. O desempenho refletiu a cautela dos investidores em relação ao setor de varejo de moda, diante da expectativa de um ritmo mais moderado de crescimento das vendas e de um ritmo mais lento de diluição de custos. O cenário reforçou as preocupações com a capacidade da companhia de acelerar a rentabilidade em um ambiente ainda desafiador para o consumo.

 

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