Empresas no centro do palco: Brava (BRAV3) e Direcional (DIRR3) nos extremos do Ibovespa essa semana

Foto: Shutterstock/JACK Photographer

No exterior, os mercados operaram em compasso de espera pela divulgação do payroll dos Estados Unidos, cujo calendário foi afetado pela paralisação de 43 dias do governo federal. O atraso nos dados aumentou a cautela dos investidores, dado o impacto do mercado de trabalho sobre as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Em novembro de 2025, foram criadas 64 mil vagas, acima das projeções, mas o resultado reforçou sinais de desaceleração, com a taxa de desemprego subindo para 4,6%, ante 4,4% em setembro, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). O cenário inflacionário também esteve no radar, após o Departamento do Trabalho informar que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,2% nos meses de setembro a novembro.

No Brasil, o mercado repercutiu o Relatório de Política Monetária do Banco Central, que revisou para cima as projeções de crescimento do crédito. A expectativa para o crédito total passou de 8,8% para 9,4% em 2025, com avanço projetado de 8,6% em 2026. O BC também elevou as estimativas para o crédito às famílias, enquanto manteve ou revisou levemente para cima as projeções para o crédito às empresas, indicando resiliência da atividade apesar das incertezas fiscais.


Altas

A Brava Energia (BRAV3) liderou os ganhos da semana, com alta de 15,24%, após notícias sobre possíveis movimentos estratégicos. O mercado reagiu à sinalização de venda de participações nos polos Recôncavo, Peroá e Manati, com valor potencial estimado em cerca de US$ 450 milhões. Além disso, reportagens indicaram que a Ecopetrol avalia a aquisição de uma fatia da companhia, seguida de oferta para atingir participação relevante. Apesar de a Brava negar negociações formais, analistas avaliam que, se confirmadas, as operações poderiam fortalecer o portfólio de ativos e o balanço da empresa.

A Suzano (SUZB3) avançou 6,87% na semana da inauguração de uma nova linha de produção de celulose fluff em sua unidade de Limeira (SP). O projeto, que recebeu investimento de R$ 490 milhões, elevou a capacidade de produção de 100 mil para 440 mil toneladas anuais, ampliando a atuação da companhia em produtos de maior valor agregado.

A Bradespar (BRAP4) subiu 4,15% após anunciar a distribuição de R$ 587 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio. O pagamento ocorrerá em duas etapas, entre dezembro e março de 2026, reforçando a política de remuneração aos acionistas.

A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançou 3,61% após aprovar aumento de capital por meio da capitalização de R$ 2,75 bilhões em reservas de lucros. A operação prevê a emissão de 331,2 milhões de ações, distribuídas aos acionistas na forma de bonificação.

A Klabin (KLBN11) teve alta de 3,44% após concluir o recebimento de R$ 1,2 bilhão em aportes adicionais no projeto florestal Plateau, totalizando R$ 2,7 bilhões em 2025. A iniciativa contribui para a otimização do portfólio de ativos e redução da alavancagem.

 

Baixas

A Direcional (DIRR3) liderou as quedas da semana, com recuo de 13,36%, apesar da reiterada recomendação de compra por parte da XP Investimentos. As ações recuaram mesmo após a aprovação de dividendos intermediários no valor de R$ 804,4 milhões, movimento interpretado como já precificado pelo mercado.

O Assaí (ASAI3) caiu 11,83% após decisão judicial desfavorável no processo envolvendo o GPA (PCAR3). A Justiça rejeitou os pedidos do Assaí relacionados a garantias para contingências tributárias anteriores à cisão das empresas, ocorrida em 2020.

A Cyrela (CYRE3) recuou 10,17% após a B3 autorizar, em caráter excepcional, a proposta de emissão temporária de ações preferenciais especiais com direito a voto. A medida será deliberada em assembleia marcada para 31 de dezembro e gerou cautela quanto a potenciais impactos na governança.

A Cosan (CSAN3) caiu 9,61% após a S&P Global revisar a perspectiva dos ratings da companhia de estável para negativa, citando elevada alavancagem e dependência de desinvestimentos para aliviar a pressão financeira.

De forma geral, o desempenho das ações ao longo da semana refletiu a predominância de fatores específicos de cada empresa, como anúncios estratégicos, decisões judiciais, mudanças na estrutura de capital e revisões de rating, em um ambiente de mercado marcado por cautela. Enquanto companhias com notícias positivas e sinalizações de geração de valor concentraram as maiores altas, empresas expostas a incertezas financeiras, regulatórias ou de governança figuraram entre as principais quedas do Ibovespa no período.

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.