Apesar de ter apresentado um balanço para o quarto trimestre que superou as expectativas de analistas, a ação da Suzano (SUZB3) cai mais de 2% no pregão desta quarta-feira (1), em meio a um cenário que inspira cautela no mercado.
A analista Mary Silva, da BB Investimentos, ressaltou que a Suzano mostrou números “robustos” para os últimos três meses do ano passado e acima das estimativas da instituição, mas alertou que as ações seguirão voláteis no curto prazo, “acompanhando a variação cambial e as incertezas com relação à demanda de celulose nas principais regiões consumidoras (EUA e Europa).”
Há a expectativa, ela ressaltou, de um ritmo mais lento de atividade econômica e o aumento da capacidade de produção de celulose no setor, que deverão contribuir para um maior equilíbrio da relação entre oferta e demanda global, impactando os preços da commodity.
A BB Investimentos, inclusive, deixou de recomendar a compra do papel. Agora, a visão é neutra. E o preço-alvo para o fim de 2023 foi reduzido de R$ 69 para R$ 62.
Por volta de 12h30, a ação caía 2,77%, a R$ 46,42.
No quarto trimestre de 2022, o lucro líquido da companhia subiu 222% na base anual, para R$ 7,45 bilhões. O resultado superou a maioria das projeções levantadas previamente pela Agência TradeMap, já que o Itaú BBA esperava R$ 5,9 bilhões, o BTG Pactual previa R$ 7,2 bilhões, a Genial Investimentos estimativa R$ 6,4 bilhões e o Santander, que tinha a menor estimativa para o indicador, de R$ 4,8 bilhões. A XP era a única que destoava e previa um valor maior, de R$ 10,08 bilhões.
A receita líquida, que foi beneficiada pela valorização da celulose em 2022, teve avanço de 25% no quarto trimestre ante o mesmo período de 2021, para R$ 14,4 bilhões. A linha também superou as expectativas de analistas, que esperavam R$ 14 bilhões, no caso do BBA, enquanto a XP previa R$ 13,6 bilhões e a Genial R$ 13,8 bilhões. O BTG foi o que chegou mais perto do número, já que tinha projeção de R$ 14,3 bilhões.
A BB Investimentos notou também que, apesar dos primeiros sinais de arrefecimento nos preços após forte escalada observada ao longo do ano passado, a empresa entregou um Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado de R$ 8,2 bilhões no quarto trimestre, com margem de 57%.
A instituição ressaltou que o Ebitda e a margem ficaram “apenas” 5% e 3,7 pontos percentuais abaixo dos valores recordes do terceiro trimestre, respectivamente, “como resultado da manutenção dos volumes de venda e dos custos mais estáveis, embora estes tenham permanecido elevados.”