PIB do terceiro trimestre sobe 0,4%, abaixo do esperado pelo mercado

Soma dos bens e serviços finais produzidos no Brasil totalizou R$ 2,5 trilhões, patamar 4,5% acima do pré-pandemia

Foto: Shutterstock/rafastockbr

Após avançar 1,2% no segundo trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro desacelerou e cresceu 0,4% no período de julho a setembro. Com a alta, o resultado chega ao maior patamar da série histórica, iniciada em 1996, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (1º).

Esse foi o quinto aumento positivo do indicador de atividade, que vem sendo estimulado pela reabertura do pós-pandemia, pela ampliação de benefícios sociais, como o Auxílio Brasil de R$ 600, e pelo aumento do consumo possibilitado por três meses seguidos de deflação.

A economia brasileira, porém, está reduzindo o ritmo na esteira da elevação da taxa de juros básica, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e da perda de fôlego do efeito da volta à atividade com o avanço da vacinação.

A soma dos bens e serviços finais produzidos no Brasil totalizou R$ 2,544 trilhões em valores correntes no terceiro trimestre, fazendo com que o PIB ficasse 4,5% acima do patamar pré-pandemia, registrado no quarto trimestre de 2019.

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Por setor

Considerando os diferentes setores, os destaques foram os serviços, que respondem por 70% da atividade e que tiveram alta de 1,1%, e indústria, com crescimento de 0,8%. Já a agropecuária recuou 0,9% no período.

Os segmentos de serviços que se destacaram foram informação e comunicação (alta de 3,6%), com o avanço de desenvolvimento de software e internet, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (+1,5%) e atividades imobiliárias (+1,4%).

No trimestre, o segmento outras atividades de serviços, que tem um peso de 23% do total do setor e que inclui alojamento e alimentação, foi outro que registrou crescimento, a taxa de 1,4%, apontou o IBGE em nota de divulgação do PIB.

“As outras atividades de serviços já vêm se recuperando há algum tempo, com a retomada de serviços presenciais que tinham demanda represada durante a pandemia”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, em comunicado.

Já o comércio apresentou queda de 0,1%, mostrando o efeito da realocação do consumo das famílias de bens para serviços.

A construção, que na metodologia do IBGE se insere dentro da indústria, teve alta de 1,1% no terceiro trimestre.

“Essa atividade já vinha crescendo há quatro trimestres e segue aumentando, inclusive em ocupação. Outro destaque do setor é eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (+0,6%), que foi beneficiada pela redução da energia termoelétrica”, comentou Palis.

A queda de produção de culturas como cana-de-açúcar e mandioca levou ao recuo do PIB da agropecuária, segundo o instituto.

PIB sobe 3,6% em relação a 2021

Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o PIB registrou alta de 3,6%, com destaque para serviços, cuja crescimento foi de 4,5%, agropecuária, de 3,2%, e indústria, com avanço de 2,8%.

“O setor industrial foi impactado sobretudo pela atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos (+11,2%), que foi beneficiada pelas bandeiras tarifárias verdes. Outras atividades de destaque no setor foram construção (+6,6%) e indústrias de transformação (+1,7%)”, apontou o IBGE sobre o desempenho anual do PIB.

Consumo e investimentos

Os dados do IBGE mostram que o consumo das famílias avançou pelo sexto trimestre consecutivo, crescendo 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Esse crescimento está relacionado aos resultados positivos do mercado de trabalho, em relação ao rendimento e à ocupação, aos auxílios governamentais, como o Auxílio Brasil, Auxílio Taxista e o Auxílio Caminhoneiro, às políticas de desoneração fiscal e a uma inflação mais recuada, mesmo que ainda esteja alta”, afirmou a coordenadora.

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Também do ponto de vista da demanda, os investimentos subiram 5%, na mesma comparação, influenciados pela alta da construção, desenvolvimento de softwares e produção e importação de bens de capital.

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