PCE mostra inflação ainda alta nos EUA, mas reforça subida menor de juros em dezembro

Índices americanos reduzem quedas após divulgação, e aumenta percentual de investidores que veem alta de 0,50 ponto pelo Fed no final do ano

Foto: Shutterstock/ShutterstockProfessional

O PCE (índice de preços para despesas de consumo pessoal) de setembro, divulgado nesta sexta-feira (28), mostrou que a inflação continua em um patamar elevado nos EUA, mas alguns sinais de desaceleração reforçaram ao mercado um cenário em que o Federal Reserve, o banco central americano, passe a subir menos os juros a partir de dezembro.

Após a divulgação do indicador, aumentaram as apostas dos investidores em uma alta de 0,50 ponto porcentual daqui a duas reuniões – 51,4% dos investidores acreditam nisso agora, percentual que estava em 45% antes de o dado ser publicado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Para a reunião da semana que vem, contudo, não tem conversa. O Fed será obrigado a voltar a elevar juros em 0,75 ponto percentual, para tentar conter as pressões inflacionárias na maior economia do mundo.

Os índices futuros americanos reduziram as perdas após o dado: por volta das 10h30, logo na abertura do pregão, o Dow Jones subia 0,35%, o S&P 500 caía 0,03% e o Nasdaq recuava 0,41% (antes da divulgação, por volta das 9h15, os índices caíam 0,04%, 0,52% e 0,94% no mercado futuro, respectivamente).

O PCE, que é o indicador de inflação preferido do banco central dos EUA, avançou 0,3% no mês passado. Já o núcleo do indicador, que exclui itens de preços mais voláteis, como energia e alimentos, subiu 0,5%, dentro do esperado por analistas ouvidos pela Reuters.

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Na comparação anual, o aumento foi de 5,1%, pouco abaixo dos 5,2% projetados por especialistas.

Em relatório, o banco Wells Fargo apontou que pela oitava vez em nove meses os consumidores americanos gastaram mais dinheiro do que ganharam.

“Esse gasto é puxado pela retirada insustentável de poupança e uma confiança excessiva em crédito, que suspeitamos que não acabará bem, a não ser que a renda real aumente”, apontaram os economistas da instituição financeira.

Energia puxa queda

De acordo com os dados, os preços de bens não duráveis tiveram queda de 0,1%, redução puxada por gasolina e outros itens de energia. Já os preços de serviços aumentaram 0,6%, liderados por habitação e transportes, enquanto que preços de alimentos aumentaram 0,6%. Os preços de energia aumentaram 0,6% em setembro.

Para a economista Claudia Rodrigues, do C6 Bank, o PCE divulgado hoje revela que a inflação nos EUA demora a ceder.

“Apesar de o Fed ter iniciado uma política monetária contracionista em março, o PCE subiu 0,3% em setembro em relação ao mês anterior. Em 12 meses, a inflação acumula alta de 6,2%, um patamar ainda bem elevado”, pondera.

A especialista ainda frisou a disseminação do índice, e o fato de que a alta poderia ser maior sem a queda de 2,4% no grupo energia, reflexo da redução da cotação do petróleo.

“Na nossa visão, o cenário continua desafiador e o Fed deve promover mais um ajuste de 0,75 ponto percentual na reunião da próxima semana e continuar subindo os juros em dezembro”, apontou. “Acreditamos que a autoridade monetária americana precisará manter os juros elevados por mais tempo do que tem indicado em seus comunicados para trazer a inflação para a meta.”

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