O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) encerrou o ciclo de alta dos juros na semana passada, com a Selic a 13,75% ao ano, mas quando o colegiado começa a reduzir a taxa básica? E como está o comportamento da inflação brasileira, para além da queda nos preços dos combustíveis?
Os investidores repercutem esses dois pontos nesta terça-feira (27), com a divulgação da ata da última reunião de política monetária às 8h, e do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que deve mostrar uma nova queda de preços em setembro e que será informado às 9h pelo IBGE.
Na quarta-feira da semana passada, o Copom manteve a Selic inalterada, mas ao mesmo tempo reforçou no comunicado o tom mais duro que vinha adotando recentemente. Destacou que deve manter a taxa básica em patamar elevado por “período suficientemente prolongado”, até assegurar a convergência da inflação para a meta.
O BC ainda não descartou a possibilidade de voltar a subir juros caso necessário. Após a interrupção do ciclo de aperto, iniciado em março de 2021, o mercado prevê que a taxa básica se manterá no patamar atual até pelo menos o fim do primeiro semestre de 2023.
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O mercado ainda acompanha na manhã de hoje o comportamento da inflação medida pelo IPCA-15. A expectativa é de uma nova queda de preços do índice em setembro, com a deflação impulsionada pela redução além do esperado nos preços dos combustíveis.
Os economistas estarão de olho no índice de difusão, que mostra o percentual de itens do indicador estão em alta ou em queda, e nos núcleos do IPCA (indicador que exclui os preços mais voláteis).
Por que isso importa?
Os dados de inflação são acompanhados com atenção pelo mercado, já que servem como base para ajuste das expectativas dos investidores para o comportamento dos preços e para os juros.
Tensão pré-eleitoral
Os investidores ainda acompanham com atenção os desdobramentos da reta final da corrida eleitoral, com o primeiro turno marcado para o próximo domingo (2). Pesquisa Ipec divulgada ontem afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui 52% dos votos válidos, enquanto que o presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 31%.
Se esse cenário se confirmar, Lula venceria a disputa já na primeira etapa das eleições, e os investidores temem a possível reação dos eleitores de Bolsonaro. Ontem, o presidente afirmou que é impossível uma vitória do rival já na semana que vem, e voltou a dizer que reconhecerá o resultado somente se as eleições forem “limpas”.
Mercados gringos
No exterior, os mercados operam em alta na manhã desta terça, após nova queda ontem. Os investidores aguardam dados de agenda nos EUA, como a confiança do consumidor em setembro e o desempenho dos bens duráveis em agosto, além de discursos de membros do Federal Reserve, o banco central americano.
Na Europa, as preocupações se mantém concentradas no Reino Unido, onde o Banco da Inglaterra sinalizou ontem que acompanha a forte desvalorização da libra e que deve agir na próxima reunião de política monetária, em novembro.
Por volta das 7h50, os índices futuros americanos operavam no azul: o Dow Jones subia 0,90%, o S&P 500 estava em alta de 1,14% e o Nasdaq ganhava 1,38%. O Euro Stoxx 50, principal índice europeu, operava em alta de 0,77%.