Após reportar Ebitda de R$ 8,9 milhões no quarto trimestre de 2021, surpreendendo positivamente o mercado e revertendo os R$ 112,6 milhões negativos do mesmo período do ano anterior, a CVC (CVCB3) agora almeja atingir a marca de 30 milhões de clientes em 2022, segundo comentários da gestão durante a teleconferência de resultados, na tarde desta quarta-feira (16).
Essa expansão, segundo Leonel Andrade, CEO da CVC, pode impulsionar o preço da ação da companhia. A operadora de turismo encerrou 2021 com 25 milhões de clientes.
Por volta das 16h15 desta quarta-feira, as ações da CVC disparavam 16,16%, na liderança do Ibovespa, a R$ 11,72.
Além da expansão da base, que abre oportunidades de geração de valor por meio de vendas cruzadas, outros objetivos para a companhia neste ano são o lançamento de um programa de fidelidade e uma expansão massiva no número de lojas.
Em relação ao último trimestre, os destaques, segundo Marcelo Kopel, CFO da companhia, foram as vendas durante a black friday; o lançamento de uma nova opção de pagamentos, que permite o parcelamento em 24 vezes; e a aceleração nas reservas consumidas, natural desta época do ano.
As reservas consumidas quase dobraram no quarto trimestre em relação a igual período de 2020, para R$ 3,04 bilhões, com take rate (percentual da receita líquida sobre as reservas) de 9,1%.
E foi justamente o crescimento de volumes, juntamente com a alta de 0,2 ponto percentual na take rate causada por mudanças no mix de canal de por negociações melhores, que impulsionou a receita líquida, diz Kopel.
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A companhia chama atenção também para a evolução no mix de vendas entre viagens domésticas e internacionais, com as últimas começando a ganhar mais relevância conforme os efeitos da pandemia de coronavírus se dissipam; e a evolução dos segmentos de B2B (corporativo) e Argentina.
Assim, a visão da empresa é que terminou 2021 com uma política comercial mais calibrada e com oferta de produtos de maior valor agregado.
Perspectivas para este ano
Para 2022, o investimento em tecnologia deve seguir, no mínimo, nos mesmos patamares de 2021, quando somaram R$ 134 milhões, diz Cova, com foco em integração de plataformas, relacionamento com clientes e convergência de canais.
Outro indicador que deve se manter estável durante este ano, podendo melhorar, são as take rates, segundo Leonel Andrade, que vêm sendo consistentes em todas as unidades de negócios, com destaque para as operações B2B e os negócios na Argentina, em que as taxas podem acelerar mais, disse.
Nesse sentido, a gestão menciona ainda que, a cada trimestre, os resultados sentem menos impactos das vendas realizadas entre 2019 e 2020 e que precisaram ser remarcadas nos períodos seguintes. “À medida em que vamos remarcando cada vez mais viagens o estoque de crédito de passageiros cai, e, como os volumes crescem cada vez mais, esse impacto vem sendo sentido cada vez menos”, diz o CFO.
Outro evento negativo cujos impactos ficaram no ano passado, segundo a empresa, foi a suspensão de operações do grupo ITA, um grande parcerio comercial da CVC. “Já absorvemos tudo o que tínhamos que absorver”, afirma o CEO.
O Ebitda de 2022 também deve ser positivo. “Devemos ser capazes de continuar crescendo as despesas abaixo do crescimento de volumes, e isso deve se refletir já no último trimestre deste ano”, diz Kopel.
Em termos de estratégia, a companhia afirma não ter nenhuma aquisição no radar neste momento, estando focada na melhoria operacional e na digitalização. “Mas qualquer movimento desse será ou em inovação ou em grandes empresas saudáveis. Não temos interesse em assumir riscos maiores com empresas que não tenham saúde financeira”, declara Andrade.
Como o mercado enxergou o balanço?
“Assim como nos trimestres anteriores, os números operacionais da CVC apresentaram uma grande melhora a/a [ano a ano], embora ainda impactados pelas restrições de viagens e pelo cenário macro”, avalia a equipe de analistas do BTG Pactual, em relatório publicado nesta quarta-feira.
Como destaques positivos, o banco menciona a alta no take rate e a receita líquida consolidada, que ficou 3% acima de sua expectativa. As reservas totais e no Brasil, por outro lado, ficaram abaixo das expectativas do BTG.
Em suma, os analistas do banco enxergam “sinais encorajadores de recuperação e uma tendência de melhor rentabilidade”, e apontam que a CVC deve ser uma das principais beneficiárias da reabertura econômica.
Apesar de ainda enxergar desafios à frente, o BTG recomenda a compra do papel, com preço-alvo de R$ 33, o que corresponde a alta de 227% em relação ao valor do fechamento da última terça-feira (15), de R$ 10,09.
De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, três das cinco casas de análise consultadas indicam a manutenção da ação na carteira, enquanto as outras duas recomendam a compra do ativo. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 20 – potencial de alta de 98%.