Shein celebra medida que pode zerar ‘taxa das blusinhas’: ‘Vitória para o consumidor’
O Congresso aprovou nesta quinta-feira (3) uma medida que permite ao governo zerar o Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". O texto elimina o piso de 20% previsto na legislação e segue para sanção presidencial, segundo informações da Agência Senado.A Shein classificou a decisão como uma conquista para milhões de consumidores brasileiros. A varejista global de moda e itens de uso cotidiano, que afirma reunir mais de 50 milhões de compradores no país e mais de 45 mil vendedores em seu marketplace nacional, diz que a medida amplia o poder de compra das famílias de menor renda, em especial das classes C, D e E, e promete manter investimentos em logística, tecnologia e formação de empreendedores, conforme comunicado da companhia.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.“Esta é, acima de tudo, uma grande vitória para o consumidor brasileiro. Parabenizamos o Congresso Nacional pela aprovação de uma medida que protege o poder de compra da população e amplia o acesso a produtos de qualidade, a preços acessíveis e a uma maior diversidade de oferta”, afirma Felipe Feistler, country manager da Shein no Brasil, no comunicado.A empresa também cita pesquisa nacional feita em 2026 pela Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), segundo a qual 92% dos entrevistados consideram correto o fim da cobrança e 75% viam como injusta a incidência do tributo sobre compras de até US$ 50, de acordo com o mesmo comunicado. A Bloomberg Línea não teve acesso à metodologia do levantamento.Leia também: Skechers entra na disputa pela corrida de rua e mira mais de 100 lojas no BrasilO alívio não é irreversível nem completo. O texto aprovado autoriza a Fazenda a reduzir a alíquota, inclusive a zero, o que mantém a decisão no campo infralegal, e as compras internacionais continuam sujeitas ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), com alíquotas definidas pelos estados, segundo a Agência Senado. Para remessas de até US$ 3 mil, o imposto pode cair de 60% para até 30%.Do outro lado, indústria e varejo nacionais alegam concorrência desleal com plataformas estrangeiras, sobretudo chinesas, informou a Agência Brasil. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que o fim da cobrança pode colocar em risco 109 mil empregos e deixar de gerar cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026.Leia também: Hering volta ao ‘básico’ com nova camiseta 30% mais barata para atrair classes B e CO relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF) tentou responder a essa pressão com obrigações de rastreabilidade de vendedores estrangeiros, monitoramento de fraudes por plataformas e operadores logísticos e avaliações periódicas dos efeitos econômicos da desoneração, além da isenção para medicamentos sem similar nacional destinados a doenças raras.O Imposto de Importação sobre encomendas internacionais rendeu R$ 5 bilhões em 2025, ante R$ 2,88 bilhões em 2024, enquanto o volume de pacotes recuou de 187,1 milhões para 165,7 milhões no mesmo intervalo, segundo dados da Receita Federal divulgados pelo portal Poder360.A sanção precisa sair até 8 de setembro para que a medida não caduque. O Planalto não informou se pretende sancionar o texto integralmente. A medida foi editada por Lula em maio.Leia tambémProposta de Lula pelo fim da escala 6x1 é adiada no Senado e impõe revés para campanha



















