Sigilo retirado revela contrato milionário e mensagens entre Vorcaro e Moraes
O ministro André Mendonça, do STF, retirou em 1º de setembro o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O material foi extraído do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, que apura fraude de R$ 12 bilhões em cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O relatório foi enviado à PGR, que tem cinco dias para se manifestar sobre eventual investigação contra o ministro.
A PF aponta oito encontros entre Vorcaro e Moraes. O relatório traz ao menos 16 registros de possíveis encontros entre 2023 e 2025, incluindo reuniões em residências privadas, mas parte deles não tem confirmação certa.
Um dos pontos centrais é um contrato de R$ 131 milhões, firmado em janeiro de 2024, entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com pagamento em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. Metadados de duas versões da minuta, de 11 e 17 de janeiro, indicam edição por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” antes da assinatura, em 23 de janeiro. Houve ao menos quatro transferências ao escritório entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025. Em mensagem citada no relatório, Vorcaro instrui uma funcionária a priorizar esse pagamento, orientando que fosse feito “sempre, sem nota”.
O relatório cita ainda proposta de transferência de cotas de jato e helicóptero, custeio de viagem internacional e experiências de luxo a Moraes e familiares, incluindo recepção em dezembro de 2023 no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão (SP). O escritório da esposa do ministro nega ter aceitado os termos dessa proposta e afirma não ter recebido os ativos.
O contato entre Vorcaro e Moraes foi intermediado em dezembro de 2023 pelo então ministro Fábio Faria, que compartilhou o número salvo por Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”. A comunicação seguinte ocorreu por WhatsApp, com Vorcaro escrevendo mensagens no bloco de notas do celular, capturando a tela e enviando a imagem em visualização única. O método deixa vestígios no aparelho de quem envia, mas não no do destinatário. Por isso, as respostas atribuídas a Moraes não aparecem no relatório, já que a perícia foi feita só no celular de Vorcaro.
Em 14 de novembro de 2024, horas após tratar de um encontro em sua residência, Vorcaro escreveu ao ministro que tinha “dívida de vida” com ele. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, perguntou ao mesmo contato se corria risco de “estar fora” na segunda-feira seguinte, e no dia posterior voltou a questionar sobre algo acontecer “amanhã de manhã”. Segundo despacho do STF, as mensagens sugerem conhecimento prévio da operação que levou à sua prisão em 17 de novembro de 2025.
A relatoria do caso Master passou para Mendonça após Dias Toffoli se afastar da função, em meio a questionamentos sobre negócios de sua família ligados a fundos associados ao banco.
Para o mercado, os pontos de atenção são a decisão da PGR sobre abertura de investigação contra um ministro do STF, o impacto sobre a condução do caso Master, que já envolve bloqueio de bens de R$ 5,7 bilhões, e a repercussão sobre a credibilidade institucional do STF.
Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.



















