Banco do Brasil (BBAS3) sobe quase 6% após novo valor de JCP e pesquisa eleitoral
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) ampliam os ganhos do Ibovespa nesta quarta-feira, avançando mais de 5%, em um movimento impulsionado por uma combinação de fatores que incluem o anúncio de proventos e uma percepção crescente do mercado de que uma eventual alternância de governo poderia beneficiar a estatal.
Um dos catalisadores para o desempenho positivo foi a atualização do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) complementar divulgada pelo banco. O Banco do Brasil informou o valor atualizado do provento, reforçando a atratividade do papel para investidores que buscam retorno por meio da distribuição de dividendos e JCP.
Além do efeito dos proventos, analistas apontam que o papel tem sido beneficiado pelo cenário político.
Para Luiz Mendes, head de alocação da Angatu Private, a forte valorização recente do Banco do Brasil reflete uma maior confiança de investidores em uma candidatura mais alinhada à direita nas eleições.
Segundo o gestor, o movimento ganhou força nos últimos dias e o banco caminha para cinco sessões consecutivas de valorização, com avanço de cerca de 6,4% nesse período. Na avaliação dele, o mercado voltou a apostar em uma possível mudança de governo e o Banco do Brasil aparece entre os ativos mais sensíveis a esse cenário.
“Pegando desde quinta-feira passada para cá, praticamente voltou a tônica de um mercado acreditando em uma alternância de governo e um dos cavalos em que o mercado quer estar comprado nesse contexto é o BB, apesar do cenário para o agronegócio estar desafiador”, afirma Mendes.
O executivo acrescenta que o desempenho da ação serve como um termômetro da mudança de posicionamento dos investidores. “BB dá pistas do mercado querendo acreditar em novo governo, enquanto grandes hedge funds estão se posicionando em calls de EWZ ou BOVA11“, diz.
A leitura por trás dessa tese é que um eventual governo com perfil mais pró-mercado poderia reduzir a percepção de interferência política sobre o banco estatal e favorecer uma gestão mais focada em rentabilidade e retorno aos acionistas. Historicamente, as ações do Banco do Brasil costumam reagir de forma mais intensa a mudanças nas expectativas eleitorais do que seus concorrentes privados.
“Banco do Brasil sobe por uma questão de possibilidade de troca de governo. A alta está muito expressiva e principalmente corretoras estrangeiras atuando na ponta compradora. Então, eu acredito, que com as últimas pesquisas eleitorais que saíram, o mercado vem precificando uma possível troca de governo o que pode ser bem positivo para a empresa”, afirma Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
XP ainda prefere Itaú
Apesar da recuperação recente, contudo, o Banco do Brasil ainda enfrenta resistência entre parte dos investidores institucionais. Em relatório, a XP destaca que o sentimento em relação ao setor bancário brasileiro continua cauteloso, especialmente diante das incertezas sobre o crescimento econômico e a evolução da inadimplência.
A corretora ressalta que o Itaú Unibanco (ITUB4) segue como a principal escolha entre os grandes bancos sob a ótica de qualidade, enquanto o Banco do Brasil continua concentrando o maior grau de ceticismo por parte do mercado. Já o Bradesco (BBDC4) aparece como uma tese intermediária de recuperação.
De acordo com a XP, embora não haja expectativa de uma crise generalizada de crédito, os investidores demonstram preocupação crescente com os efeitos de um ambiente macroeconômico mais desafiador. Entre os riscos citados estão o elevado endividamento das famílias, a desaceleração da atividade econômica, uma expansão mais lenta da carteira de crédito e possíveis pressões sobre os índices de capital dos bancos nos próximos anos.
(com Estadão Conteúdo)





















