Ações do setor imobiliário invadem lista de maiores pagadoras de dividendos; veja
As empresas ligadas ao mercado imobiliário avançaram sobre um território historicamente ocupado por elétricas e seguradoras. Quatro das dez ações com maior dividend yield da Bolsa aparecem em levantamento da Comdinheiro/Nelogica com as 52 empresas que compõem o Índice de Dividendos (IDIV), considerando os proventos pagos até 31 de julho.
Estão no ranking a LOG Commercial Properties (LOGG3), dona de galpões logísticos, na segunda posição, a administradora de shoppings Allos (ALOS3), em sexto, e as incorporadoras Lavvi (LAVV3) e JHSF (JHSF3), em nono e décimo lugares.
“O levantamento destaca empresas de setores tradicionalmente bons pagadores de dividendos, como seguradoras e utilities. Neste ano, as incorporadoras também ganham destaque”, diz Gabriel Fenili, especialista sênior da Comdinheiro/Nelogica.
A liderança ficou com a PetroReconcavo (RECV3), com dividend yield de 12,1% e R$ 1,36 distribuídos por ação. A LOG vem em seguida, com 11,04% e R$ 3,22 por papel, seguida por Taesa (TAEE11), com 7,83%, CPFL Energia (CPFE3), com 7,68%, e BBSeguridade (BBSE3), com 7,05%. Veja a lista completa:
*Dados até 31/07/2026, entre ações que compõem o IDIV
**Montante de proventos pagos em R$, por ação
Maior yield não significa maior cheque
O ranking por DY não reflete o volume absoluto pago ao acionista. A CPFL Energia distribuiu R$ 3,86 por ação, o maior montante entre as dez companhias, enquanto a líder PetroReconcavo pagou R$ 1,36. Na outra ponta, JHSF e Cemig somaram R$ 0,55 e R$ 0,69 por papel, respectivamente.
A diferença ocorre porque o indicador é uma variável relativa, que compara os valores pagos a título de dividendos, juros sobre capital próprio, rendimentos ou outros proventos com a cotação do papel em bolsa.
“O dividend yield elevado pode refletir tanto uma distribuição robusta de proventos quanto a queda no preço da ação. Por isso, o indicador deve ser analisado em conjunto com outros fundamentos da empresa antes de qualquer aporte”, pontua Fenili.
O levantamento cobre um período de forte oscilação na Bolsa. O Ibovespa alcançou máximas históricas, perdeu fôlego e voltou a ganhar tração, movimento associado à entrada e à saída de investidores estrangeiros e às incertezas ligadas ao cenário fiscal doméstico e ao calendário eleitoral.
De janeiro a julho, o Ibovespa acumula alta de 10,47%, ante avanço de 10,20% do IDIV no mesmo intervalo.
Para os próximos meses, o especialista da Comdinheiro/Nelogica avalia que a distribuição de proventos pode ser afetada por fatores externos ao balanço das companhias. “No entanto, incertezas ligadas a questões geopolíticas, eleições e trajetória dos juros podem impactar a distribuição de proventos”, complementa.






















