Ações de educação têm risco-retorno atrativo e Cogna é destaque, avalia XP
A XP iniciou a cobertura do setor de educação com uma visão construtiva, avaliando que a relação entre risco e retorno segue atrativa mesmo diante das incertezas regulatórias que cercam o ensino a distância (EAD). Segundo o relatório assinado pelo analista Gustavo Tiseo, a principal escolha da casa para o segmento é a Cogna (COGN3).
A avaliação positiva da XP se apoia em cinco pilares principais. Entre eles estão a conclusão dos processos de reestruturação de custos pela maior parte das companhias, o foco crescente na geração de caixa, valuations considerados atrativos, a percepção de que os riscos regulatórios já estão amplamente precificados pelo mercado e a adoção de políticas de distribuição de dividendos por parte das empresas do setor.
De acordo com o relatório, o setor deixou para trás uma década marcada por ajustes decorrentes da redução da dependência do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Após esse período, as empresas passaram a concentrar esforços em rentabilidade, desalavancagem financeira e fortalecimento da geração de caixa.
A XP estima que a maior parte das companhias listadas de educação deverá apresentar rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) próximo de 20% em 2026. Para os analistas, esse desempenho reforça a capacidade do segmento de remunerar acionistas e sustentar investimentos mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Apesar dessa evolução operacional, as ações das empresas de educação acumulam queda média de 15% no ano. Segundo a XP, o desempenho reflete preocupações dos investidores com as mudanças regulatórias relacionadas ao EAD e com a deterioração das condições macroeconômicas.
Entre os fatores que pesam sobre a percepção do mercado estão o risco de desaceleração da atividade econômica e o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Conforme destacado pela corretora, a dívida das famílias superava 80% em julho de 2026, o que pode limitar a demanda por cursos de ensino superior.
Ainda assim, a XP acredita que as avaliações atuais das empresas já incorporam um cenário bastante conservador. O relatório aponta que o setor negocia, em média, a cerca de cinco vezes o lucro estimado para 2027, múltiplo considerado atraente diante da geração de caixa projetada.
A casa reconhece que ainda existe baixa visibilidade para o médio prazo, principalmente em relação ao comportamento das matrículas no ensino a distância e ao processo de adaptação das instituições ao novo marco regulatório previsto para os próximos anos.
Mesmo considerando uma possível compressão das margens operacionais, a XP avalia que algumas empresas permanecem bem posicionadas. A corretora destaca especialmente companhias com perfil mais premium, como Cogna e Yduqs (YDUQ3), que teriam condições de atravessar o período de transição regulatória com maior resiliência.
Entre as recomendações, a Cogna aparece como a favorita da XP. Os analistas veem espaço para crescimento apoiado na recuperação das matrículas presenciais em cursos de Enfermagem e em reajustes de mensalidades mais elevados. Além disso, a companhia pode se beneficiar de um momento mais favorável na divisão de educação básica.
A XP também destaca a forte geração de caixa da Cogna, com FCF yield estimado em 20%, o que poderia abrir caminho para um aumento das distribuições aos acionistas além do payout mínimo atual de 25%. A recomendação para o papel é de compra, com preço-alvo de R$ 3,50.
Para a Yduqs, a corretora mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11, citando a resiliência de ativos premium como Ibmec e IDOMED. Já para a Ânima (ANIM3), a avaliação é neutra, com preço-alvo de R$ 3, uma vez que, apesar da força da operação de Medicina, a XP vê preocupações relacionadas à alocação de capital e ao nível ainda elevado de alavancagem da companhia.






















