Como o IPO da Shein pode reduzir a fortuna de seu CEO em US$ 15 bilhões
A empresa chinesa de fast-fashion Shein já chegou a valer mais do que as controladoras da H&M e da Zara, o que conferiu ao seu discreto CEO, Sky Xu, um patrimônio líquido superior a US$ 23 bilhões.No entanto, a sorte de Xu mudou em apenas quatro anos, à medida que a Shein enfrenta tarifas, escrutínio político e concorrência crescente. A Shein deve abrir o capital em Hong Kong nesta terça-feira, avaliada em pouco mais de um quarto dos US$ 100 bilhões que valia em 2022. A fortuna pessoal de Xu, com base em sua participação de 30%, cai para cerca de US$ 8 bilhões ao preço de abertura de capital, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.A queda de mais de US$ 15 bilhões na fortuna de Xu também se deve a um momento desfavorável. As marcas de consumo chinesas que abriram o capital ao longo do último ano, aproximadamente, atraíram inicialmente forte interesse dos investidores até que uma série de empresas de inteligência artificial fez sua estreia, roubando-lhes a cena e criando novos bilionários. (Fonte: Dados compilados pela Bloomberg News)"Eles definitivamente perderam o momento certo", afirmou Sam Wyatt, gestor de carteiras de ações internacionais da U Ethical Investors, com sede em Melbourne, ao se referir à oferta pública inicial da Shein. O comércio eletrônico é agora uma proposta menos atraente para os investidores do que a IA, disse ele.Leia também: Como o histórico da dona da Zara pode ajudar a explicar queda de valor da SheinEmbora algumas empresas de IA tenham apresentado ganhos impressionantes no primeiro dia, o desempenho geral das IPOs em Hong Kong tem sido misto. As ações da fabricante de bebidas Eastroc Beverage e da criadora de suínos Muyuan Foods estão sendo negociadas abaixo de seus preços de listagem após estreias que ultrapassaram US$ 1 bilhão. Os irmãos que fundaram o Mixue Group, uma rede de chá com bolhas em rápido crescimento, viram sua fortuna encolher em mais de um quinto desde que a empresa abriu o capital no ano passado.Um porta-voz da Shein não respondeu a um pedido de comentário.Xu, de 43 anos, fundou a Shein em 2012 com três sócios. Todos haviam trabalhado na mesma empresa de marketing de mecanismos de busca e utilizaram sua experiência para transformar a Shein em uma varejista online conhecida por roupas baratas e na moda. Leia também: Shein capta US$ 1,7 bilhão em IPO em Hong Kong e é avaliada em US$ 26 bi, dizem fontesO negócio prosperou durante a pandemia da Covid-19, quando jovens consumidores impulsionaram uma explosão nas vendas.O crescimento da receita desacelerou desde então, de acordo com dados divulgados pela Shein em julho, antes de sua oferta pública inicial (IPO). Uma das principais estratégias da empresa — contornar os impostos de importação nos EUA e na Europa por meio de remessas pequenas — foi prejudicada no ano passado, quando o governo Trump encerrou uma importante isenção tarifária e a União Europeia anunciou um imposto aduaneiro fixo sobre pequenas encomendas. “A direção do mercado está mudando, e não a favor da Shein, especialmente nos últimos anos”, afirmou Sheng Lu, professor de estudos de moda e vestuário da Universidade de Delaware. Leia também: Investidores da Shein aceitam não vender ações do IPO por 6 meses, dizem fontesA IA também está nivelando o campo de atuação para os concorrentes da Shein, que passariam a ser capazes de atender melhor e mais rapidamente às mudanças nos gostos dos consumidores, disse ele. A Shein tentou abrir o capital durante seu apogeu, mas enfrentou dificuldades para ganhar força em Nova York e Londres, onde a empresa passou por um escrutínio em relação às suas práticas trabalhistas. A cadeia de suprimentos da empresa está enraizada na China, mas depende dos EUA e da Europa como mercados-chave. Os executivos distanciaram a marca de suas origens chinesas e transferiram sua sede global para Singapura, embora, no fim das contas, precisassem da aprovação dos órgãos reguladores chineses para uma oferta pública inicial (IPO). “A Shein era o assunto mais comentado há dois ou três anos — uma empresa chinesa que poderia ter feito uma oferta pública inicial nos EUA, pois já possuía uma marca forte de fast-fashion no país e grande reconhecimento por parte dos consumidores”, afirmou Jason Hsu, diretor de investimentos da Rayliant Global Advisors. “Mas o assunto do momento agora é a IA.”--Com a colaboração de Pei Yi Mak.Veja mais em bloomberg.com

















