A Selic pode terminar 2027 em 9,75% ao ano… ou subir para 15,5% — e o que vai definir a taxa não é a economia
Segundo o Morgan Stanley, a taxa Selic pode encerrar 2027 em qualquer ponto entre 9,75% e 15,5% ao ano, uma diferença enorme para quem investe, toma crédito ou simplesmente está preocupado com a economia. O motivo, porém, não está no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), no desemprego ou mesmo na inflação.
Para o banco norte-americano, a variável decisiva para o futuro dos juros no país é a eleição de 2026 e a credibilidade fiscal do próximo governo.
Os analistas afirmam em relatório que o Banco Central poderá cortar os juros de forma mais agressiva se o mercado acreditar que a trajetória da dívida pública ficará sob controle.
Caso contrário, a Selic poderá permanecer elevada por mais tempo — ou até voltar a subir.
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A avaliação do Morgan Stanley é que a política fiscal passou a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões de política monetária.
Quando investidores passam a duvidar da capacidade do governo de controlar o avanço da dívida, exigem juros mais altos para financiar o país. Isso pressiona o câmbio, piora as expectativas de inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central para cortar os juros.
O banco resume esse processo em uma espécie de círculo vicioso: a desconfiança fiscal mantém os juros elevados, enquanto os próprios juros altos aumentam o custo da dívida e dificultam o ajuste das contas públicas.
O cenário mais provável: Selic em 11%
No cenário-base, considerado o mais provável pelo Morgan Stanley, o próximo governo conseguiria apresentar algum grau de ajuste fiscal, embora insuficiente para provocar uma mudança profunda na percepção dos investidores.
Neste cenário:
- a inflação recuaria de 5% no fim de 2026 para 4% em 2027;
- o PIB desaceleraria de 2% para 1,2%, e
- a taxa média de desemprego subiria de 5,6% para 6,7%.
Com expectativas para a inflação ainda parcialmente elevadas e investidores desconfiados, o Banco Central continuaria cortando a Selic, mas em ritmo moderado.
A estimativa é que a taxa terminaria 2027 em 11%.
O cenário ruim: juros voltam a subir
O cenário que mais chama atenção no relatório, entretanto, é o negativo.
Nele, o problema não seria necessariamente um grande aumento de gastos públicos, mas a percepção de que o novo governo não tem um plano crível para estabilizar a dívida ao longo dos próximos anos.
Neste caso, o Morgan Stanley projeta:
- dólar subindo para o nível de R$ 6,
- inflação continua na faixa de 5%, e
- o crescimento do PIB trava, com alta de apenas 0,2% em 2027.
Mesmo com a economia praticamente parada, o Banco Central teria dificuldade para continuar reduzindo os juros. Ou pior, poderia ser obrigado a voltar a subir a taxa por causa da inflação resistente.
A estimativa para este cenário é de Selic subindo para 15,5% até o fim de 2027.
O cenário otimista: Selic abaixo de 10%
Já no cenário positivo, o próximo governo apresentaria um programa fiscal de longo prazo, considerado crível pelo mercado e respaldado politicamente.
O Morgan Stanley chama esse movimento de "choque de gradualismo": o ajuste das contas públicas aconteceria lentamente, mas a melhora das expectativas seria imediata.
Com menor percepção de risco, o dólar poderia cair para R$ 4,50, a inflação recuaria para 3,8% e as expectativas voltariam a convergir para a meta do Banco Central.
Nesse ambiente, haveria espaço para um ciclo mais intenso de cortes de juros:
- a Selic encerraria 2027 em 9,75%,
- o PIB cresceria 1,5%, e
- o desemprego subiria de forma mais moderada, para 6,5%.
A dívida ainda avançaria nos primeiros anos, até 2028, antes de iniciar uma trajetória de queda consistente.
Agora só resta saber qual cenário se concretizará.
*Com informações do Money Times.
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