Nem bolsa, nem dólar: este é o ativo “à prova de balas” para atravessar as eleições 2026, segundo gestor do ASA
Em um cenário em que a eleição presidencial pode provocar fortes movimentos na bolsa, no dólar e nos juros, Rogério Freitas, diretor de investimentos do ASA, prefere manter distância das apostas binárias.
Em participação no podcast Touros e Ursos, o gestor afirmou que a disputa de 2026 continua aberta e a incerteza política dificulta prever quais serão os ativos vencedores nos próximos meses.
Por isso, em vez de tentar acertar o resultado das urnas, Freitas defende que o investidor privilegie ativos capazes de entregar bons resultados em diferentes cenários.
E, hoje, sua opinião é que nenhum ativo cumpre melhor esse papel do que a renda fixa indexada à inflação, principalmente o título público: Tesouro IPCA+.
- LEIA TAMBÉM: Renda fixa: por que investir em Tesouro IPCA+ 8% se o CDI a 14% ao ano em tese paga mais?
O problema de apostar tudo em bolsa ou dólar
A tese tem como base a dificuldade de prever o desfecho eleitoral.
"A bolsa é o melhor ativo se a gente tiver mudança de política fiscal. Ela vai subir muito. Todavia, a bolsa é o pior ativo se a gente tiver continuidade da política fiscal", disse o gestor.
Diante dessa assimetria, Freitas prefere evitar posicionamentos excessivamente dependentes de um único cenário.
Na sua visão, a eleição se assemelha a uma disputa de "cara ou coroa", em que tanto bolsa quanto dólar podem registrar movimentos expressivos para cima ou para baixo dependendo do resultado.
Como o cenário está muito equilibrado entre os dois principais candidatos — Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, nenhum ativo de risco se destaca com uma probabilidade maior de ganhar do que de perder.
Por que o Tesouro IPCA+ funciona nos dois cenários
Já os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, são diferentes, pois são um bom investimento nos dois cenários.
Se o cenário fiscal piorar e os juros permanecerem elevados, o investidor continua carregando uma taxa real considerada bastante atrativa para os padrões históricos brasileiros e garante a correção pela inflação do patrimônio investido.
Se o cenário melhorar, os títulos vão continuar pagando uma ótima taxa real e ainda podem se beneficiar da queda dos juros, gerando valorização no preço.
Em outras palavras, na visão do gestor, os indexados à inflação estão entre os poucos ativos que conseguem entregar resultados razoáveis tanto no cenário bom quanto no ruim para o fiscal.
Quais vencimentos o ASA prefere
Freitas afirmou que o ASA tem preferência pelos Tesouro IPCA+ de prazo intermediário.
Segundo ele, os papéis mais curtos carregam um risco maior de reinvestimento. Isso significa que, quando vencerem no curto prazo, pode ser que as taxas altas deste momento não estejam mais disponíveis.
Assim, o investidor fica descoberto e precisa reinvestir o dinheiro com condições piores de taxas.
No outro extremo, os vencimentos mais longos são excessivamente sensíveis às oscilações dos juros. Preços e taxas tendem a mudar muito ao longo do tempo e podem incomodar na marcação na carteira. A volatilidade dos títulos mais longos pode ser muito alta.
Por isso, a preferência da gestora hoje são os vencimentos entre 2030 e 2032.
Nem mesmo o CDI está livre de riscos
Você pode estar se perguntando, por que não o Tesouro Selic, que paga 14% de juros ao ano?
Freitas reconhece que o nível atual dos juros brasileiros torna aplicações pós-fixadas bastante atraentes.
Mas, segundo ele, o rendimento dos juros (CDI) pode dar uma falsa sensação de segurança caso a inflação volte a acelerar mais rapidamente do que a Selic.
Porém, na prática, o que acontece é um rendimento negativo, em que a inflação corrói o valor de compra do patrimônio e os juros não acompanham.
O gestor lembrou que algo semelhante ocorreu há pouco tempo, entre 2020 e 2021, quando a inflação chegou a 10% ao ano enquanto a Selic estava em 2%. Naquele momento, o investimento em CDI teve 8% de retorno real negativo.
Por isso, sua defesa dos papéis indexados ao IPCA está diretamente ligada ao objetivo de preservar poder de compra ao longo do tempo.
"Não dá para ter tudo no CDI pós-fixado. Tem que se proteger", disse o gestor.
Para o CIO do ASA, os títulos indexados à inflação cumprem exatamente essa função neste momento: oferecem uma remuneração real elevada, ajudam a proteger o patrimônio e ainda preservam a carteira em um momento em que nem o mercado nem os investidores sabem com segurança qual será o resultado das eleições de 2026.
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