Varejo enfrenta tri difícil, mas C&A se destaca, diz Morgan Stanley
O segundo trimestre de 2026 foi marcado por um ambiente desafiador para as empresas de varejo e comércio eletrônico da América Latina. De acordo com relatório do Morgan Stanley, a combinação de consumo mais fraco, juros elevados e pressão sobre margens levou diversas companhias a revisar para baixo suas projeções para o restante do ano, enquanto apenas alguns nomes conseguiram manter um ritmo consistente de crescimento.
No Brasil, enquanto o Mercado Livre ampliou sua liderança, concorrentes locais continuaram enfrentando dificuldades. O Magazine Luiza registrou queda de 12% no GMV online em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a Casas Bahia desacelerou seu crescimento para 6%, ante 14% registrados no primeiro trimestre.
O banco também ressaltou que o ambiente competitivo permanece racional no comércio eletrônico brasileiro, mesmo com a forte expansão da Shopee. Segundo a análise, tanto Mercado Livre quanto a plataforma controlada pela Sea Limited seguem ganhando participação de mercado, enquanto operadores menores continuam perdendo espaço.
No varejo físico, a Copa do Mundo Feminina teve impacto relevante sobre o fluxo de consumidores ao longo do trimestre. Empresas de vestuário como Lojas Renner e C&A registraram crescimento positivo de vendas em mesmas lojas, mas relataram redução no tráfego em shopping centers durante o período do torneio.
A C&A chamou atenção dos analistas ao apresentar crescimento de 4,1% nas vendas comparáveis de vestuário em um trimestre considerado particularmente difícil. O Morgan Stanley afirmou que a companhia continua sendo sua principal recomendação de sobrepeso no varejo brasileiro, destacando que as ações negociam a múltiplos considerados bastante descontados em relação ao potencial de geração de lucros.
Por outro lado, o Magazine Luiza foi um dos poucos varejistas beneficiados pela demanda por eletrônicos e bens duráveis durante o período. As vendas comparáveis nas lojas físicas cresceram 10%, acelerando em relação aos 6% observados no primeiro trimestre.
No segmento de supermercados e atacarejo, os analistas mantiveram uma visão mais cautelosa. O Assaí mostrou alguma melhora operacional, mas ainda enfrenta um ambiente de consumo pressionado. No México, a diferença de desempenho entre varejistas alimentares também ficou evidente, com a Tiendas 3B ampliando fortemente seu crescimento enquanto a Walmex perdeu ritmo.
O início do terceiro trimestre trouxe sinais mistos para o setor. Dados de aplicativos indicam que o Mercado Livre continua atraindo usuários em ritmo acelerado, enquanto executivos de companhias brasileiras afirmam que o fluxo de consumidores em lojas voltou à normalidade após o fim da Copa do Mundo. Ainda assim, os analistas observam que a cautela dos consumidores permanece elevada.
Outro tema que passou a concentrar atenção do mercado é a recuperação judicial da Casas Bahia. O Morgan Stanley avalia que o fechamento de aproximadamente 30% das lojas da companhia poderá redistribuir vendas para concorrentes como Mercado Livre e Magazine Luiza. Diante desse cenário, o banco mantém preferência por empresas com crescimento estrutural, destacando Mercado Livre na América Latina e a C&A entre os nomes favoritos no varejo brasileiro.






















