Ibovespa voltou com tudo? Bolsa brasileira atrai R$ 3,2 bilhões na semana e desbanca S&P 500, México e Coreia do Sul
Se o mês de agosto vinha sendo um pesadelo de resgates na bolsa brasileira, os últimos dias trouxeram um sopro de ar fresco diretamente do exterior. O investidor estrangeiro decidiu dar uma trégua na realização de lucros e estendeu a mão novamente para a B3.
Segundo levantamento do Bank of America (BofA), os gringos injetaram R$ 3,2 bilhões via mercado à vista na B3 em apenas uma semana.
O movimento estanca parte substancial da sangria verificada ao longo de agosto, quando as retiradas estrangeiras chegaram a encostar na marca alarmante de R$ 22 bilhões.
Com o alívio recente, o saldo acumulado do capital externo no ano está positivo em R$ 16 bilhões, com o mercado à vista registrando entradas líquidas de R$ 36 bilhões.
Ibovespa no topo do pódio global
Em uma semana em que os mercados globais operaram em tom de cautela, o Ibovespa brilhou na comparação internacional.
Impulsionado pelas compras dos gringos, o principal índice da bolsa brasileira entregou um retorno total em dólares de +1,9%, ou +2,0% em termos nominais no mercado local.
O resultado colocou a B3 na liderança isolada entre as principais bolsas do mundo e dos mercados emergentes:
- Ibovespa (Brasil): +1,9% em dólares (+2,0% em reais)
- S&P 500 (EUA): +0,7%
- MSCI Emerging Markets (emergentes): +0,1%
- Mexbol (México): -0,2%
- Colcap (Colômbia): -0,9%
Mais do que superar os vizinhos latino-americanos, o Brasil beneficiou-se de uma rotação geográfica dentro dos mercados emergentes.
De acordo com os dados do BofA, os fundos de mercados emergentes fora da China captaram US$ 700 milhões na semana.
No entanto, a Coreia do Sul — que vinha acumulando fortes aportes de capital estrangeiro há vários meses — sofreu saídas expressivas de capital. Parte dessa liquidez migrou direto para a América Latina (+US$ 200 milhões) e para fundos dedicados exclusivamente ao Brasil (+US$ 100 milhões).
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Eleições seguem no radar
Se por um lado o fluxo de dólares traz alívio para os preços, por outro o ruído político e eleitoral acendeu um sinal amarelo na mesa dos gestores internacionais.
No relatório, o Bank of America faz um alerta explícito: a atenção dos investidores em relação ao cenário político brasileiro está aumentando.
O banco destaca que pesquisas recentes de intenção de voto têm mostrado uma maior convergência entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro.
A aproximação nas pesquisas adiciona uma camada extra de volatilidade para os ativos brasileiros, à medida que o mercado começa a precificar os cenários para o pleito presidencial.
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Para ajudar o investidor a navegar nesse cenário de liquidez estrangeira e ruído político, o Bank of America atualizou as telas quantitativas que filtram as melhores ações da B3.
Inspirado no conceito de Magnificent 7 de Wall Street, o banco criou duas carteiras temáticas para o Brasil:
1. As 7 Magníficas do Brasil (foco em growth e escala)
Empresas que combinam forte histórico de crescimento, dominância em seus mercados, escala e alta rentabilidade. Na última semana, essa carteira rendeu +2,3%:
- Mercado Livre (MELI34)
- Nubank (ROXO34)
- WEG (WEGE3)
- BTG Pactual (BPAC11)
- Raia Drogasil (RADL3)
- Localiza (RENT3)
- Itaú Unibanco (ITUB4)
2. As 7 Inesquecíveis do Brasil (foco em value e dividendos)
Grandes líderes de mercado em setores maduros, como energia, mineração, bancos e consumo básico, que talvez não entreguem o mesmo ritmo de crescimento, mas são verdadeiras máquinas de gerar fluxo de caixa a preços descontados. Essa carteira rendeu +3,0% na semana:
- Petrobras (PETR4)
- Vale (VALE3)
- JBS (JBS)
- Banco do Brasil (BBAS3)
- Ambev (ABEV3)
- Bradesco (BBDC4)
- Gerdau (GGBR4)
A bolsa brasileira continua em liquidação?
A resposta curta do BofA é: sim. O valuation atrativo é justamente o grande ímã para o dinheiro estrangeiro.
Mesmo desconsiderando as gigantes de commodities, como Vale e Petrobras, o Brasil negocia com 10% de desconto frente ao seu próprio passado e muito mais barato que pares latinos como México e Chile.
Dança das cadeiras no Ibovespa
De olho no rebalanceamento do índice que entra em vigor em 8 de setembro, o BofA também fez uma projeção sobre a versão final da prévia que a B3 divulga em 31 de agosto.
Segundo o banco, entra a Tenda (TEND3) por ser beneficiada pelo ganho de liquidez e avanço no Índice de Negociabilidade (IN), e sai a Petroreconcavo (RECV3), cujo índice de negociabilidade caiu abaixo do ponto de corte do índice.
O ponto de atenção, segundo o BofA, é a SLC Agrícola (SLCE3), que corre o risco marginal de exclusão por estar no limite da liquidez exigida.
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O brasileiro vai para a renda fixa
Enquanto os fundos internacionais colocam fichas na bolsa aproveitando os múltiplos baixos, o investidor doméstico segue fazendo o caminho inverso.
Na semana passada, as saídas dos fundos de ações locais aceleraram para R$ 1,4 bilhão — uma aceleração em relação à média de resgates de R$ 100 milhões por semana vista no segundo trimestre.
Os fundos multimercado também mantiveram o ritmo de resgates.
O destino desse dinheiro? A renda fixa. Com a taxa de juros elevada no Brasil (14% ao ano), os fundos de renda fixa simples e de crédito continuam atraindo bilhões de reais das famílias brasileiras, deixando o trabalho de comprar bolsa barata quase todo nas mãos do investidor estrangeiro.
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