Entradas em ETF de Solana têm terceiro maior dia desde o lançamento, mas histórico indica risco de 20%
A Solana (SOL) atraiu US$ 60,91 milhões para os ETFs spot de cripto dos EUA em 27 de agosto, quase sete vezes mais que a sessão anterior e o terceiro maior dia desde o lançamento desses fundos. É o maior volume registrado desde 3 de novembro de 2025.
O contexto histórico dá um viés diferente à marca. Os dois únicos dias que superaram esse volume antecederam quedas acentuadas da Solana.
O recorde e o que ele não representa
Os influxos líquidos acumulados cresceram 4,83% em uma sessão (entre 26 e 27 de agosto). Este foi o aumento mais veloz em um único dia de 2026, elevando o total para US$ 1,322 bilhão, segundo dados do SoSoValue. O volume negociado mais que dobrou, chegando a US$ 196,82 milhões.
Mas precisão é fundamental. O dia 27 de agosto não teve o maior influxo nem o maior salto percentual, e o BSOL, da Bitwise, respondeu por cerca de 66% do total. Cinco dos nove fundos receberam aportes, então o movimento foi diversificado, mas concentrado.
O acesso segue crescendo em torno desses fluxos. O Morgan Stanley listou seu trust MSOL em julho, a Grayscale passou a distribuir recompensas de staking em agosto, e a Charles Schwab anunciou em 27 de agosto a intenção de incluir SOL em suas contas de cripto, embora o recurso ainda não esteja disponível.
Os dois maiores volumes marcaram topos
Vale destacar este ponto. A SOL recebeu US$ 69,45 milhões em 28 de outubro de 2025 e, em seguida, caiu 20,1% em sete dias e 27,5% ao longo de um mês. Em 3 de novembro de 2025, captou US$ 70,05 milhões, caindo 21,1% nas duas semanas seguintes.
Dois exemplos não são conclusivos, e todo o mercado apresentou queda no fim de 2025. Porém, a demanda recorde por ETFs vem acontecendo próxima de máximas locais, e não no início de novos ciclos de alta.
Por que desta vez há mais fundamentos?
Diferente de antes, os fundamentos da Solana acompanham a valorização. Ativos do mundo real tokenizados atingiram o recorde de US$ 4,167 bilhões em 25 de agosto, com a quantidade de investidores crescendo 12,12% em 30 dias, segundo a RWA.xyz.
A rede também aumentou as receitas. As taxas subiram 37,29% em comparação com o mês anterior e os depósitos em DeFi avançaram 24,36%, alcançando US$ 5,96 bilhões, de acordo com a DeFiLlama. A fatia da Solana no volume total das exchanges descentralizadas atingiu 31,16%, acima da média de 27,65%.
A capacidade aumentou antes do crescimento da demanda. O tamanho máximo dos blocos subiu 66% em julho e as operações da MoneyGram agora alcançam mais de 170 países.
Blocos maiores permitem mais transações sem aumento de taxas, e a MoneyGram possibilita a conversão de dinheiro em cripto no balcão. Assim, a Solana amplia ao mesmo tempo sua capacidade e suas pontes de entrada para novos investidores.
O que a alta de preços da Solana ainda não comprovou
Duas frentes ainda estão atrasadas. O fornecimento de stablecoins cresceu apenas 0,59% em 30 dias, enquanto a SOL avançou 46,3%, e o volume permanece 4,15% abaixo do pico de julho.
Endereços ativos semanais caíram 7,23% mesmo com alta de 3,31% nas transações, o que indica que menos carteiras estão movimentando volumes maiores, possivelmente refletindo atividade de bots, e não aumento da adoção.
A alavancagem também parece enganosa. O open interest subiu 62,19% em dólares, mas apenas 10,34% em unidades de SOL, indicando que grande parte desse crescimento está ligada ao próprio preço do token.
A relação de compra e venda dos traders da Binance ficou em 0,907, abaixo do patamar neutro.
Resumindo, o público adicionou menos apostas. Além disso, uma relação inferior a 1 aponta que mais participantes estão vendendo do que comprando. Isso indica que a recente alta ocorre sem uma nova demonstração de confiança.
Níveis de preço da Solana em setembro
A SOL é negociada próxima de US$ 107 após subir 49,35% desde 16 de agosto, com queda de 1,66% hoje. Quatro cruzamentos de médias móveis conduziram esse movimento, culminando quando a média de 20 dias superou a de 200 dias por volta de 28 de agosto.
Não há novo cruzamento previsto. O recuo atual se assemelha ao padrão de mastro e bandeira de alta, em que uma forte valorização faz uma pausa antes de novo avanço. A SOL encontrou resistência em US$ 109,39, e um fechamento diário acima desse patamar abre caminho para US$ 112,80, depois US$ 123,83 e US$ 141,68.
O volume de vendas permanece inferior ao observado nos lucros realizados em 25 de agosto, o que favorece quem aposta na alta. Nos suportes, US$ 105,98 e US$ 101,77 podem conter a queda, enquanto a perda de US$ 94,95 invalida a tese de valorização.
Opinião do analista: a diferença entre agora e os recordes de 2025 está no que sustenta o movimento. Naquela época, os fluxos vinham somente com o preço, enquanto atualmente taxas, ativos tokenizados e participação de DEX também avançam junto com a SOL. Por isso, este recorde merece uma interpretação diferenciada.
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