Anthropic vence disputa contra governo Trump por proibição de uso em agências dos EUA
O governo Trump deve revogar a proibição imposta à tecnologia de inteligência artificial da Anthropic para agências federais, determinou uma juíza dos EUA.A juíza federal Rita F. Lin, de São Francisco, decidiu na noite de quinta-feira (27) a favor da fabricante do chatbot Claude em sua contestação contra o Departamento de Defesa, concluindo que a proibição não está devidamente justificada.A juíza escreveu que, embora "certamente deva-se deferência ao governo em questões importantes de segurança nacional", suas “palavras e atos confirmam que as medidas contestadas se basearam no desejo de fazer da Anthropic um exemplo público por sua ‘arrogância’ ao criticar o governo, e não em qualquer fundamento articulável para acreditar que a Anthropic realmente sabotaria seu modelo”.A decisão representa uma vitória fundamental para a gigante da IA, que vem travando uma disputa de alto risco com o governo desde que as negociações com o Pentágono sobre o uso da tecnologia de IA da empresa pelas Forças Armadas fracassaram no início deste ano.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.A Anthropic afirmou que acolheu com satisfação a decisão do tribunal de que a designação de risco na cadeia de suprimentos era ilegal.“Continuamos focados em trabalhar de forma produtiva com o governo para aproveitar a IA em prol de nossa segurança nacional, de modo que todos os americanos se beneficiem dessa tecnologia”, afirmou a empresa em comunicado.A Casa Branca e o Departamento de Justiça não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.A Anthropic havia buscado garantias de que sua tecnologia não seria utilizada para vigilância em massa de americanos nem para a implantação de armas autônomas, mas o governo resistiu a quaisquer restrições ao seu uso devido a preocupações com a segurança nacional.Após o fracasso das negociações, o Departamento de Defesa classificou a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos dos EUA, impedindo que órgãos governamentais utilizassem a tecnologia da empresa.Leia também: Mais um mega-IPO à vista? Anthropic espera igualar ou superar oferta da SpaceXA Anthropic entrou com uma ação judicial, acusando o governo de retaliar ilegalmente contra a empresa. Os advogados da fabricante de chatbots afirmaram que uma proibição resultaria em bilhões de dólares em receita perdida.A proibição está impedida de entrar em vigor desde março, por meio de uma ordem separada da juíza Lin. No entanto, um advogado do governo afirmou no final de julho que o Pentágono continuou a “reduzir gradualmente” o uso dos produtos da Anthropic e pretendia concluir esse processo até 30 de setembro.Em sua decisão, a juíza Lin deixou claro que o Departamento de Defesa não está impedido de tomar qualquer medida legal que estivesse à sua disposição antes de estabelecer a designação da cadeia de suprimentos.“Por exemplo, esta ordem não exige que o Departamento de Defesa utilize os produtos ou serviços da Anthropic e não impede que o Departamento de Defesa faça a transição para outros fornecedores de inteligência artificial, desde que tais ações sejam consistentes com os regulamentos, estatutos e disposições constitucionais aplicáveis”, escreveu a juíza.Leia também: EUA suspendem restrições de acesso internacional ao modelo de IA Fable 5 da AnthropicO processo na Califórnia é uma das duas ações judiciais movidas pela Anthropic por ter sido classificada como uma ameaça. A empresa também entrou com uma ação no Tribunal Federal de Apelações de Washington, utilizando um argumento jurídico diferente. Um painel de três juízes desse tribunal ainda não proferiu uma decisão, mas expressou ceticismo durante uma audiência em maio quanto à possibilidade de a Anthropic contestar legalmente a avaliação do governo de que ela representava um risco para a cadeia de suprimentos.O processo é Anthropic contra Departamento de Guerra dos EUA, 26-cv-01996, Tribunal Distrital dos EUA, Distrito Norte da Califórnia (São Francisco).Veja mais em bloomberg.com















