A empresa por trás da Festa de Barretos, que fez do sertanejo um ‘big business’

Barretos não está dormindo na praça.
A cidade paulista está organizando esta semana sua 71ª Festa do Peão – a maior festa sertaneja do País, que vai receber 1 milhão de pessoas em 11 dias.
Por trás de boa parte dessa multidão está a DVT, uma empresa que nasceu há mais de 30 anos vendendo cerveja na Festa.
Em 1992, Guilherme Marconi era dono da Diverti, uma distribuidora da Ambev na região de Barretos. A Festa do Peão ainda era uma fração daquilo que se tornaria.
A relação de Marconi com a Ambev abriu espaço para que Diverti também trabalhasse ativações de marcas e, em 2005, a empresa levou para Barretos o Camarote Brahma (que até então só existia no Carnaval).
Foi também nesse período que a relação com Os Independentes – a associação dona da Festa, comandada há três décadas por Jeronimo Muzetti, o “Jerominho” – começou a se aprofundar.

A partir de 2005, a Diverti e Os Independentes passaram a desenvolver juntos boa parte da estrutura e dos novos produtos de Barretos: arenas cobertas para provas equestres, hotel, ampliação do camping, novos banheiros, reformas nos camarins, acessos e palcos.
O negócio explodiu, e a Diverti passou a se chamar DVT, um conglomerado que, segundo estimativas de mercado, já fatura mais de R$ 500 milhões com margem EBITDA de pelo menos 20% – o que faz da empresa uma das maiores plataformas de entretenimento do País.
A DVT está presente em tudo que envolve a festa: o controle de acesso, a operação de alimentos e bebidas, a administração dos principais camarotes e a comercialização de 100% dos patrocínios e ativações.
A Total Acesso, a tiqueteira do grupo, é a maior do business de sertanejo e também vende ingressos para o São Paulo Futebol Clube.
Quem toca a operação é Gui Marconi, o CEO e filho do fundador. “A relação entre a DVT e Barretos virou uma simbiose,” Gui disse ao Brazil Journal.
Ele não abre os números, mas diz que a DVT cresceu em média 25% ao ano na última década.
Boa parte desse crescimento veio da decisão de repetir, fora de Barretos, o que funcionou tão bem ali.
Quatro anos atrás, a DVT reuniu seis das maiores festas do País – Londrina, Ribeirão Preto, Pedro Leopoldo, Barretos, Jaguariúna e Caldas Country – no Circuito Sertanejo, que Marconi compara à Fórmula 1.
“O Grand Prix de Mônaco já existia antes da F1, mas se tornou muito mais valioso ao fazer parte de um circuito acompanhado ao longo do ano pelo público, competidores e patrocinadores,” disse o CEO.
A diferença é que, no sertanejo, a DVT decidiu também ser dona de boa parte desses “grandes prêmios”.
A DVT é dona de quatro dos seis eventos do Circuito. (Barretos e Pedro Leopoldo continuam pertencendo a seus organizadores, mas a DVT mantém parcerias de longo prazo.)
A criação do Circuito também mudou a relação com as marcas. Em vez de vender uma ativação isolada em Barretos ou Jaguariúna, a DVT oferece às empresas uma plataforma que acompanha o sertanejo durante boa parte do ano. Somente em Barretos são cerca de 30 marcas, incluindo Ambev, Minerva e Volkswagen.
Hoje a empresa atua em cerca de 100 eventos por ano e vende mais de 2 milhões de ingressos anualmente.
Um dos motivos para o crescimento da DVT foi conseguir mostrar às marcas o potencial de consumo do público do interior. Em vez de apenas colocar a placa do patrocinador nas arenas, a DVT criou experiências e ativações capazes de transformar os eventos também em canal de vendas.
Há dois anos, por exemplo, a Volkswagen escolheu Barretos para apresentar a nova Amarok. A meta inicial era vender cerca de 600 caminhonetes ao longo das seis principais festas sertanejas – uma média de 100 por evento.

“Pensamos que era uma meta ousada, mas vendemos 2 mil Amaroks em 24 horas – somente em Barretos,” disse Gui.
Mas a DVT não é só caipira.
Doze anos atrás, ela criou o Coala, um festival de música brasileira – e, a partir dele, passou a representar novos artistas da MPB, como Liniker e Tim Bernardes, e a produzir suas turnês.
Também botou um pé na avenida: no Carnaval, a DVT é dona do Camarote Bar Brahma de São Paulo.
Agora, Gui vê oportunidades em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, regiões onde a cultura sertaneja e do agro já é enorme mas a companhia ainda tem uma presença pequena.
Musicalmente, o funk, pagode e rap estão no radar da empresa.
Mas isto não significa que o sertanejo tenha batido no teto. Para Gui, o fenômeno vai além da música.
“É a própria cultura do interior ganhando espaço nas grandes cidades, influenciando a moda e se misturando ao pop e a outros gêneros.”
E se tornando um big business.
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