Fiagro conclui alocação da 2ª emissão com carrego médio de CDI + 5,1%; conheça o ROCA11

Fiagro conclui alocação da 2ª emissão com carrego médio de CDI + 5,1%; conheça o ROCA11
O ROCA11, Fiagro da Ceres Investimentos voltado ao crédito do agronegócio, concluiu recentemente a alocação dos recursos de sua segunda emissão e chegou a cerca de 95% do patrimônio investido. Em julho, o carrego médio da carteira estava próximo de CDI + 5,1%.
A estratégia do fundo combina originação próxima à cadeia do agronegócio, recebíveis pulverizados e gestão ativa da carteira. A proposta é identificar oportunidades no crédito privado em um setor cuja demanda por financiamento continua elevada, enquanto bancos e outras fontes tradicionais de recursos estão mais seletivos.
Segundo Pedro Baumeier, portfolio manager da Ceres, o ROCA11 foi estruturado justamente nesse cenário de maior restrição de crédito.
“Foi num momento que a gente encontrou de aperto, e não de euforia, e acho que foi de propósito. Os bancos estavam diminuindo o custeio, o Plano Safra cresceu pouco. Ou seja: a demanda por crédito está subindo e a oferta caindo. Então, para quem empresta, isso vira prêmio”, afirma.
Para o gestor, essa combinação entre oferta menor e demanda maior cria um ambiente em que a capacidade de selecionar operações ganha ainda mais importância.
“A oportunidade que eu vejo aqui é pra você conseguir separar o produtor que está apertado do que está quebrado”, diz.
Mercado de capitais ganha espaço no financiamento do agro
Para Baumeier, a maior participação do mercado de capitais no financiamento do agronegócio é uma tendência estrutural. O crescimento do setor, segundo ele, demanda uma quantidade de recursos que não consegue ser atendida apenas pelas linhas subsidiadas.
“O crédito rural subsidiado é orçamento público. O orçamento não acompanha o tamanho do agronegócio brasileiro. Então, essa diferença tem que ser financiada por algum lugar. E esse lugar é o mercado de capitais”, afirma.
Nesse contexto, estruturas como os Fiagros ganham espaço como uma alternativa para direcionar recursos de investidores ao financiamento do agronegócio.
Na avaliação do gestor, a redução nas emissões de determinados instrumentos não significa necessariamente uma retração do mercado de capitais no setor. O movimento pode refletir uma mudança na preferência dos investidores entre diferentes veículos.
“Em 2026, a gente teve uma emissão de CRA caindo, enquanto a captação de Fiagro subiu. Então, isso não é o agro saindo do mercado de capitais. É o investidor trocando de veículo, saindo de papel de devedor único, indo pro fundo, que tem uma gestão ativa, tem subordinação, tem diversificação”, diz.
Para a Ceres, portanto, a expansão do mercado de capitais no agro abre espaço para diferentes estratégias de crédito, enquanto o instrumento utilizado pelo investidor pode variar de acordo com as condições de cada ciclo.
Originação local e recebíveis pulverizados
Uma das características da estratégia do ROCA11 está na forma como a Ceres busca as operações. A gestora está localizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e parte da originação ocorre por meio de revendas de insumos e cedentes acompanhados há anos.
“A Ceres é de Uberaba, a gente está no Triângulo Mineiro. Isso muda muito porque a gente não origina por telefone. A operação chega por revenda de insumo, pelo cedente que a gente acompanha há anos, o crédito é contra o produtor que compra ali. Então, isso muda a informação que a gente tem sobre o devedor”, explica.
Segundo Baumeier, a proximidade com os agentes da cadeia permite incorporar à análise informações sobre o relacionamento entre produtores, revendas e cedentes, além dos dados financeiros utilizados na avaliação de crédito.
A estratégia também prioriza operações com recebíveis pulverizados entre diferentes produtores. Em vez de concentrar a exposição em uma única companhia, a Ceres busca estruturas em que o pagamento esteja distribuído entre diversos sacados.
“A gente tende a olhar pra uma compra que não é uma dívida de uma empresa grande, é recebível de insumo. Nota fiscal, pulverizado, entre centenas de sacados. Quando um sacado tem algum problema, a carteira sente pouco. Então, isso é bem diferente de comprar um crédito em um único devedor corporativo”, afirma.
Essa característica ajuda a explicar por que a concentração por emissor não necessariamente representa concentração equivalente nos devedores finais.
“Quando a gente vê concentração, é uma concentração pelo emissor. Então, a gente tem CRAs que são do mesmo emissor. Só que quem vai pagar o que está dentro desse CRA, que é o nosso lastro, são centenas de sacados diferentes”, explica.
Diversificação da carteira do ROCA11
Embora a pulverização dos recebíveis seja parte importante da estratégia, a Ceres também trabalha para ampliar a diversificação do portfólio do ROCA11.
Segundo Baumeier, a gestora pretende reduzir a concentração por emissor e adicionar novas operações à carteira nos próximos meses.
“A gente tem um plano declarado para os próximos meses que é reduzir isso. Então, a gente quer ter uma carteira mais pulverizada também. A gente está indo pro mercado comprar CRAs corporativos pra ajudar na diversificação dessa carteira”, afirma.
A diversificação faz parte de uma estratégia mais ampla de gestão ativa. Com o ROCA11 próximo de concluir a alocação dos recursos da segunda emissão, a Ceres passa a ter uma carteira majoritariamente direcionada às operações de crédito.
Para o gestor, a capacidade de ajustar a composição do portfólio conforme surgem novas oportunidades é uma das características importantes da estratégia.
Cenário econômico
O principal atrativo do ROCA11 para o investidor está no prêmio oferecido pelas operações de crédito. Em julho, o carrego médio da carteira estava próximo de CDI + 5,1%.
Baumeier ressalta, porém, que o carrego não deve ser confundido com a rentabilidade já entregue pelo fundo ou com uma promessa de retorno.
“Essa taxa média, o carrego médio da carteira hoje, é o que a gente vai olhar pra frente na cota patrimonial. Então, não é rentabilidade entregue, nem promessa de rentabilidade”, afirma.
A remuneração está associada às características dos ativos que compõem a carteira e, consequentemente, aos riscos inerentes ao crédito privado. Entre eles está a possibilidade de inadimplência dos devedores.
“O risco de crédito é o primeiro. Se um devedor não paga, a cota cai. Não tem FGC: ou seja, não tem fundo garantidor”, diz.
Também existe o risco de liquidez para o investidor que quiser vender as cotas no mercado secundário.
“Pro lado do investidor, tem o risco de liquidez. Ele quer vender aqui na bolsa. E hoje os Fiagros negociam com desconto normalmente sobre o seu valor patrimonial, dada a situação”, afirma.
A eventual queda da Selic também tende a reduzir a remuneração nominal dos ativos indexados ao CDI. Por outro lado, juros menores podem contribuir para melhorar a capacidade de pagamento dos tomadores.
“Se a gente pensar na taxa caindo, no curto prazo, a receita nominal do fundo cai, porque a nossa carteira trabalha indexada ao CDI. Acaba que você vai acabar tendo um cupom menor em reais. Mas isso não influencia o nosso spread, porque a gente entrega sempre CDI mais algo”, explica.
Oportunidades no mercado
Apesar do cenário de maior demanda por crédito privado, a Ceres acompanha alguns fatores que podem alterar as condições do mercado. Entre eles estão o clima, o comportamento da Selic e a oferta de crédito bancário.
Para Baumeier, um eventual El Niño pode afetar principalmente produtores que já estejam operando com menor margem financeira.
“O clima, na minha visão, é um gatilho. Ou seja, ele acaba derrubando o produtor que já estava sem folga, que é hoje um grande cenário. O custo subindo, receita achatando, crédito mais caro e mais seletivo”, afirma.
Ao mesmo tempo, a gestora identifica oportunidades no mercado secundário, especialmente em ativos que possam ser adquiridos com desconto.
“No secundário, está tendo uma escassez de CRA. Então, a gente vai tentando buscar aqui nomes bons que a gente consegue comprar por desconto, por não ter pressão de compra. Tem gente querendo sair de posição e não tem quem compre”, diz.
A pulverização também continuará entre as prioridades da gestão.
“Pulverização com certeza é onde nós queremos e vamos trabalhar sempre muito forte, pra melhorar o fundo. Mesmo que não mude o retorno de imediato, a gente acaba diversificando o risco”, afirma.
Para Baumeier, a capacidade de adaptar a carteira às condições do mercado é parte central da estratégia do ROCA11.
“Temos uma gestão ativa. No dia que a gente entender que alguma dessas partes deixa de ser, a gente muda a carteira, avisa o cotista e da forma mais transparente. Então, eu acho que é justamente esse olhar ativo sobre o que a gente está alocando que é o que a gente busca dar”, afirma.
Com a segunda emissão praticamente toda alocada, o ROCA11 entra, assim, em uma nova etapa de sua estratégia de crédito. A combinação entre originação local, recebíveis pulverizados, diversificação e gestão ativa busca posicionar o fundo para aproveitar as oportunidades criadas pela crescente participação do mercado de capitais no financiamento do agronegócio.


















