Com a aproximação das eleições de 2026, os investidores voltam a acompanhar os possíveis efeitos do cenário político sobre os ativos brasileiros. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, historicamente, períodos eleitorais costumam ser acompanhados por maior volatilidade nos mercados.
Para avaliar como os fundos imobiliários (FIIs) se comportam nesse ambiente, Marx Gonçalves, head de Fundos Listados da XP, Eduardo Bacelar, analista de Fundos Listados, e Antonio Mello, estrategista quantitativo, analisaram o desempenho do IFIX e das três principais classes de fundos que compõem o índice nos 12 meses anteriores e posteriores ao primeiro turno das eleições de 2014, 2018 e 2022. O estudo considerou principalmente retorno e volatilidade anualizados.
A análise histórica aponta que, embora os mercados financeiros brasileiros tendam a ficar mais sensíveis à aproximação das eleições, os fundos imobiliários apresentaram comportamento menos diretamente relacionado ao calendário eleitoral.
IFIX nas eleições
Volatilidade baseada em retornos diários em janelas de 60 dias (IFIX vs. Ibovespa). Foto: XP.
Segundo os analistas, o IFIX não mostrou um padrão consistente de desempenho antes das eleições nos três ciclos avaliados. Nos anos em que houve segundo turno, a volatilidade do índice chegou a diminuir entre as duas votações, voltando posteriormente para níveis próximos aos registrados antes do processo eleitoral.
Esse comportamento sugere que os FIIs podem apresentar um caráter relativamente mais defensivo diante do risco eleitoral, especialmente quando comparados ao mercado acionário brasileiro, representado pelo Ibovespa.
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Volatilidade atual chama atenção antes das eleições
O cenário de 2026, contudo, apresenta uma diferença em relação aos ciclos anteriores. Desde maio, a volatilidade do IFIX está acima da média observada nos períodos eleitorais analisados, aproximando-se dos níveis registrados em 2018.
Para os autores do estudo, o movimento não está necessariamente relacionado apenas às eleições. A principal influência estaria na abertura dos vértices intermediários e longos da curva de juros, em meio às preocupações com a situação fiscal brasileira, a trajetória da inflação e fatores externos.
Ainda assim, o componente eleitoral pode ter influência indireta. Isso ocorre porque o prêmio de risco fiscal também está relacionado às expectativas do mercado sobre as agendas fiscais que poderão prevalecer após a eleição presidencial.
Nesse contexto, uma eventual mudança na percepção dos investidores sobre a trajetória fiscal pode alterar as expectativas para juros e, consequentemente, afetar a precificação dos fundos imobiliários.
Retorno dos FIIs também teve comportamento particular
onsiderando a média dos três ciclos eleitorais, o IFIX teve seu melhor desempenho anualizado no período de três meses anterior ao primeiro turno, dinâmica semelhante à observada no Ibovespa.
Retorno acumulado anualizado do IFIX e Ibovespa antes e após as eleições. Foto: XP.
Depois do segundo turno, os fundos imobiliários apresentaram uma recuperação gradual, com retornos crescentes nos horizontes seguintes, chegando ao período de 12 meses após a definição eleitoral.
Pela mediana, o IFIX apresentou desempenho mais robusto nos horizontes de seis e três meses anteriores ao primeiro turno. Após o segundo turno, entretanto, o índice acumulou queda de 9,6% nos três meses seguintes, antes de recuperar parte das perdas.
O comportamento foi diferente do observado no Ibovespa, que apresentou uma dinâmica inversa nesse intervalo.
A diferença reforça, segundo os pesquisadores, que os FIIs possuem características próprias e não necessariamente reproduzem o comportamento do mercado acionário durante períodos de maior incerteza política.
Os números, porém, precisam ser interpretados com cautela. A composição do IFIX mudou significativamente entre 2014 e 2022, enquanto as principais categorias do índice — fundos de tijolo, fundos de recebíveis e FOFs/multiestratégia — possuem exposições distintas a juros, inflação, crédito e atividade econômica.
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