Ibovespa sobe forte no ano e o capital que movimentou a bolsa é nacional

Bolsa de Valores de São Paulo

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil, tem uma alta acumulada no ano de mais de 13%, ultrapassando pela primeira vez os 100 mil pontos e superando as máximas históricas nas últimas semanas, a 108 mil pontos. Por outro lado, curiosamente, esse movimento de forte procura por ações é acompanhado por uma saída de capital estrangeiro do país nos últimos meses.

A B3 acompanha as aplicações de todos os investidores internacionais no mercado de ações e apresenta mensalmente o saldo financeiro de seus investimentos. A venda de ações dos investidores externos já soma R$ 30 bilhões em 2019.

É claro que, como 70% da composição da bolsa de valores é capital estrangeiro, seria muito difícil que um movimento tão brusco de saída de dinheiro resultasse em uma alta como a que temos visto neste ano.

Ocorre que, apesar de haver uma saída de estrangeiros expressiva na bolsa, há uma entrada proporcional de novos IPOs (oferta pública inicial) e follow ons de empresas listadas que já somam R$ 25 bilhões no ano.

Isso significa que o investidor internacional está saindo das posições do mercado secundário e reentrando no mercado primário, por assumir que está comprando a ação com desconto.

Mesmo assim o saldo financeiro ainda está negativo em mais de R$ 4 bilhões no ano. Esse fato demonstra que o impulso de valorização veio de capital interno, que pode significar um crescimento significativo dos investidores pessoas físicas na bolsa, ou uma guinada dos investidores institucionais para o mercado acionário. Ou ambos.

A bolsa está batendo recorde de novos investidores. No começo do ano, a B3 registrou a marca histórica de mais de 1 milhão de CPFs na bolsa, e hoje já está com 1,5 mi, frente a 800 mil investidores no final de 2018.

O movimento de realocação interno também foi motivado por fatores macroeconômicos favoráveis ao cenário das empresas.

Outros pontos

Primeiro, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida para menos de 6% pela primeira vez na história, o que torna os investimentos em Renda Fixa cada vez menos atrativos e estimulam os investimentos em Renda Variável por comparação.

Leia também: Fed e Copom reduzem taxas de juros

Além disso, a aprovação da Reforma da Previdência também trouxe melhores perspectivas para o futuro do ambiente de negócios no país, que agrada o capital a se movimentar em direção a ativos de renda de risco como a bolsa de valores.

Foto: Getty Images

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