Barragem da Vale em Mariana é interditada por risco de ruptura

De acordo com a Superintendência do Trabalho de Minas Gerais, a estrutura apresenta risco iminente para os trabalhadores.

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A Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais afirmou nesta quarta-feira, 09, que uma das barragens da Vale (VALE3), localizada em Mariana, corre “grave e iminente risco de ruptura por liquefação”. 

Trata-se da barragem Xingu, na mina Alegria, que está interditada desde março de 2020 pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Por medidas de segurança, promotores também ordenaram a evacuação e interrupção da produção na mina Timbopeba e em parte da mina Alegria. 



De acordo com a Vale, a barragem Xingu não recebe rejeitos de minério de ferro há mais de 20 anos, porém alguns trabalhadores ainda executam atividades no local, motivo que levou os fiscais trabalhistas até ela. 

O rompimento da Xingu causaria soterramento de trabalhadores na cidade de Mariana, em um desastre de magnitude proporcional ao do rompimento da Samarco, em 2015, segundo a superintendência. Naquele episódio, 19 pessoas morreram e a cidade ainda não se recuperou totalmente. 

Em seguida, no ano de 2019, ocorreu o desastre de Brumadinho, outra cidade de Minas Gerais, que matou quase 300 pessoas e algumas ainda se encontram desaparecidas. 



Na sexta-feira, 04, a Vale informou a paralisação da ferrovia Fábrica Nova, que transporta minério de ferro produzido na Usina Timbopeba, que também está paralisada. Com isso, a produção da empresa sofreu um impacto de 33 mil toneladas de minério de ferro por dia. 

Em comunicado, a mineradora alegou que não há “risco iminente de ruptura” da estrutura de Xingu e chegou a solicitar uma suspensão parcial da interdição, que foi negada. Para suspender o bloqueio do órgão trabalhista, a Vale deverá adotar diversas medidas técnicas de proteção. 

Indenizações por Brumadinho 

Até o momento, a Vale concluiu acordos de indenização com mais de 10,3 mil atingidos pelo rompimento das barragens em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, e por desocupações em consequência do desastre. 

Na segunda-feira, a mineradora informou o pagamento de mais de R$ 2 bilhões em acordos, envolvendo 2,4 mil pessoas em 1,4 mil processos trabalhistas e outros 3,6 mil processos cíveis com 7,9 mil pessoas contempladas. 

Em paralelo, a companhia assinou em fevereiro um acordo de R$ 37,69 bilhões com diversas autoridades mineiras, com foco na reparação de danos coletivos causados pelo rompimento da barragem, que deixou cerca de 270 mortos, além de atingir residências, rio e florestas da região.

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