Bancos vs Fintechs

Bancos vs Fintechs

Quando falamos em bancos costumamos associá-los a uma imagem burocrática e robusta. O grande senso comum é de que as instituições mais tradicionais enriquecem facilmente, cobrando alta taxa de seus serviços, como os famosos e temidos empréstimos.

Uma pesquisa realizada em 2018 pelo SPC Brasil mostra que dois a cada dez brasileiros já solicitaram empréstimo ao banco. Além do mais, um estudo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) apontou que entre 2006 e 2016 esse tipo de serviço bancário cresceu 248,8% no país.

Em contrapartida, as fintechs – startups financeiras – têm cada vez mais se destacado e mudado o cenário tradicional entre banco e cliente, seja por novos meios de pagamentos ou por oferecer seu produto 100% digital. Por ter um custo operacional menor que as companhias comuns, os serviços oferecidos pelas fintechs costumam atrair um número grande de clientes por cobrar taxas menores no mercado ou, em alguns casos, até nulas. Um grande diferencial, por exemplo, é que não cobram anuidade no cartão de crédito.

Segundo informações da McKinsey, consultora empresarial norte-americana, as fintechs estão crescendo em um número abundante. Somente no último ano, elas captaram mais de US$ 30 bilhões em investimentos. Em 2011, esse número ficava na casa dos US$ 1,8 bilhão, como aponta o portal de notícias InfoMoney.

A fintech é uma ameaça para o banco?

De acordo com uma pesquisa feita pela PwC – chamada “Customers in the spotlight: How FinTech is reshaping banking” –, 76% dos bancos consideraram as fintechs como ameaça aos seus negócios.

Infográfico desenvolvido por TradeMap (Banco x Fintech)
Infográfico desenvolvido por TradeMap

Um dos motivos é que as startups têm desempenhado cada vez mais funções que eram exclusivas dos bancos, como a análise do perfil dos clientes. Essa operação é realizada hoje de forma 100% digital, enquanto as instituições tradicionais ainda exigem presença na agência – seu principal contato com o consumidor.

Segundo a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), as fintechs trazem reflexos muito positivos à economia, por oferecerem produtos e serviços inovadores ao mercado financeiro. Algumas já permitem que o empresário possa antecipar recebíveis para dar fôlego ao negócio – isso usando somente o celular.

Todavia, os bancos tradicionais ainda são grandes referências no mercado, além de terem consolidado fortemente seus serviços. Por exemplo: muitas empresas pagam o salário de seus funcionários via banco e, dessa forma, podem estimular que o trabalhador utilize seus próprios aplicativos para efetuar pagamentos ou transferências.

Fintechs são confiáveis?

As fintechs são novas no mercado e ainda não conseguiram abranger todos os públicos. Dessa forma, muitas pessoas – principalmente as gerações Baby boomer e X – preferem utilizar os serviços prestados por bancos tradicionais, já que possuem mais confiança no mercado como um todo.

No entanto, vale lembrar que todas as instituições que fornecem crédito, conta digital e outros serviços prestam conta ao Banco Central. Essa é uma medida de proteção ao cliente.

Acontece que a legislação é mais branda com as fintechs e, por isso, elas têm custos menores do que grandes instituições bancárias. Assim, oferecem serviços mais baratos e com mais agilidade.

Os bancos vão falir?

Essa é uma pergunta que vem crescendo com o ganho de forças das startups financeiras. Apesar da tendência de migração para a fintech, em busca de taxas menores, isso não significa que a posição dos bancos tradicionais esteja necessariamente ameaçada. Muito pelo contrário, já que grandes bancos ainda são um dos principais setores da economia mundial.

Apesar da ascensão das fintechs no cenário atual, vale lembrar que as instituições tradicionais podem manter sua posição em caso da economia esfriar. Também por isso que, na Bolsa de Valores, seus papéis têm uma alta demanda. No entanto, as fintechs, por sua vez, não possuem a mesma estabilidade e podem perder rapidamente seu valor de mercado se, por acaso, houver algum problema econômico no país e sofrerem com inadimplências.

Somente esse ano, os bancos públicos já venderam R$ 16 bilhões em ativos, como informa o portal UOL. No mercado de capitais, o setor bancário mostra estabilidade e avança com ganhos anuais. Você pode ver o desempenho de cada ativo com o TradeMap. Veja:

Tela de ações do ITUB4 no TradeMap, com mais de 29% de ganho ao ano
Tela de ações do ITUB4 no TradeMap, com mais de 29% de ganho ao ano

Em contrapartida, os bancos tradicionais têm que reestruturar todas as taxas para que fiquem apresentáveis ao mercado. Além do mais, essas instituições estão migrando parte dos seus serviços para o modelo digital, como o Itaú, que criou o Iti – plataforma que reúne conta online e sistema de pagamentos e transferências monetários.

Por que as fintechs estão na moda?

Segundo um levantamento do Finnovation em 2018, as fintechs já somavam mais de 5,5 mil ao redor do mundo. Trata-se de uma tendência mundial, que procura soluções financeiras para perguntas e dúvidas criadas por uma gama cada vez maior de tecnologia.

Hoje em dia, a grande maioria das pessoas quer facilitar processos que levavam algum tempo, como transferir dinheiro para outra conta. Por conta disso, não somente as fintechs, como também os bancos tradicionais, criaram aplicativos que automatizam serviços manuais. Além do mais, a popularização da internet fez com que ficasse mais barato criar um produto e divulgá-lo por meio de canais digitais.

O futuro do setor bancário
Infográfico desenvolvido por TradeMap (Itaú x Nubank)
Infográfico desenvolvido por TradeMap

Dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) revelam que 52% das transações bancárias são realizadas via internet – cerca de 36% por meio de dispositivos móveis e 22% por Internet Banking. Esses números mostram que a tendência é que as agências fechem as portas, que são reduzidas 8% ao ano.

De acordo com o CEO e co-fundador do FinanZero, Olle Widén, o número de fintechs no Brasil está crescendo 96% e já contam com mais de 400 startups de tecnologia financeira. Esse boom está relacionado ao cenário recessivo, ao alto nível de desemprego, desaceleração de consumo e retração de investimentos na economia nacional, que cresceu somente 0,6% nos últimos oito anos. Entre as cinco empresas que se tornaram unicórnios – quando atingem 1 bilhão de valor de mercado – três são fintechs: Nubank, PagSeguro e Stone.

Isso quer dizer que as instituições mais antigas têm que se adaptar ao novo ambiente criado pelas fintechs e, dessa forma, manter competição com esse ramo tecnológico e financeiro.

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