TradeLetter Semanal | 24 – 30 Maio 2026

Fonte: Shutterstock/tadamichi

Radar Macro & Mercados

Os esforços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, somados ao avanço das negociações para ampliar o cessar-fogo e à perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, seguem como os principais fatores de alívio para os mercados globais. Apesar disso, o cenário internacional continua marcado por inflação elevada, desaceleração econômica e juros restritivos nas principais economias, em meio às sinalizações mais duras do Federal Reserve após a divulgação de indicadores mais fracos da atividade nos Estados Unidos. Paralelamente, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, agravada pelo ataque de um drone russo à Romênia e pelo aumento das tensões envolvendo a OTAN, reforça a aversão ao risco global. No Brasil, embora o PIB do primeiro trimestre tenha superado as expectativas, os dados recentes de inflação e a elevação das projeções para a Selic mantêm o ambiente doméstico pressionado. Esse cenário reduz a liquidez internacional e intensifica a saída de capital estrangeiro da B3.

 

Fechamento semanal – em %




 
Trump sinaliza “decisão final” sobre o Irã enquanto cessar-fogo avança: O presidente norte-americano anunciou que se prepara para uma “decisão final” sobre o Irã, exigindo a abertura imediata do Estreito de Ormuz e a destruição do urânio enriquecido iraniano. Em paralelo, a Axios noticiou que negociadores dos dois países chegaram a um memorando de entendimento prevendo extensão do cessar-fogo por 60 dias, início de negociações nucleares e remoção das minas em até 30 dias — ainda pendente de aprovação de Trump. A perspectiva de reabertura do Estreito segue como o principal fator de alívio monitorado pelos mercados.

Guerra Rússia-Ucrânia: drone atinge a Romênia e acende alerta na OTAN: Um drone russo atingiu um edifício residencial em Galați, na Romênia, deixando dois feridos e forçando 70 moradores a deixar suas casas. A ofensiva lançou 232 drones e um míssil balístico contra a Ucrânia, tendo como alvo a infraestrutura portuária de Izmail. A UE anunciou preparação do 21º pacote de sanções contra a Rússia, enquanto a Romênia solicitou à OTAN sistemas antidrone de emergência. O incidente adiciona novo vetor de incerteza a mercados já pressionados pelo Oriente Médio.


 

PIB do Brasil avança 1,1% no primeiro trimestre e supera expectativas: O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre, acima do consenso de 1,0%, no resultado trimestral mais forte em um ano, com impulso da agropecuária, indústria e consumo das famílias. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço foi de 1,8%. 

PIB dos EUA desacelera e frustra na segunda leitura: A segunda estimativa do PIB americano apontou crescimento anualizado de 1,6% no primeiro trimestre, abaixo dos 2% esperados pelo mercado. No trimestre anterior, a economia havia avançado apenas 0,5%. O dado reforça o cenário de desaceleração da atividade econômica americana em meio a inflação persistente e juros longos elevados, mantendo a pressão sobre emergentes.

Mercado de trabalho resiliente, mas desemprego sobe por sazonalidade: A PNAD Contínua do trimestre encerrado em abril registrou desemprego de 5,8%, alta de 0,4 p.p. na margem por sazonalidade. Na comparação anual, o quadro melhora: queda de 0,8 p.p. frente aos 6,6% de 2025, informalidade recuando de 38% para 37,2% e renda média em recorde de R$ 3.732.

IPCA-15 de maio supera teto da meta e acende alerta: A prévia da inflação oficial brasileira avançou 0,62% em maio, acima do consenso de 0,56%, acumulando 4,64% em 12 meses — ante 4,37% em abril. Com isso, o índice superou pela primeira vez no ano o teto da meta de inflação de 4,5%.

Focus eleva projeções de inflação e Selic semana após semana: O Boletim Focus da semana mostrou nova alta nas projeções: a mediana para o IPCA de 2026 subiu para 4,92%, enquanto a expectativa para a Selic ao fim do ano avançou de 13% para 13,25% ao ano. O movimento consolida a percepção de que os juros permanecerão restritivos por mais tempo, com impacto direto sobre consumo, investimento e o custo de capital das empresas.



Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas   

Maiores Baixas 



Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Usiminas (USIM5)

Preço de Fechamento (29/05/2026): R$ 11,08 | Variação Semanal: +7,05% – Valorizada pela repercussão favorável dos resultados trimestrais acima das expectativas, a companhia liderou as altas da semana e ampliou o movimento positivo acumulado ao longo do mês. A melhora das margens na divisão de aço e as perspectivas mais otimistas para o setor siderúrgico brasileiro também sustentaram o desempenho das ações. Com isso, os papéis acumulam sua maior valorização anual desde 2017.

Pior Desempenho: Braskem (BRKM5)

Preço de Fechamento (29/05/2026): R$ 10,46 | Variação Semanal: -12,61% – A companhia figurou entre as maiores quedas da semana, em movimento de realização após a forte valorização acumulada no mês. Apesar do desempenho semanal negativo, as ações da companhia ainda sustentam ganhos expressivos no período mensal, refletindo a melhora das perspectivas para o setor petroquímico e o ambiente mais favorável para a indústria química global.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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