TradeLetter Semanal | 14 – 20 Junho 2026

Fonte: Shutterstock/SmartPhotoLab

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela assinatura do Memorando de Entendimento de Islamabad entre EUA e Irã, que abriu caminho para o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz, e pela chamada “Superquarta”, com decisões de política monetária nos dois lados do Atlântico. Nos EUA, o Fed manteve os juros inalterados na primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, enquanto o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p., para 14,25% ao ano. Na Ucrânia, Kiev executou o maior ataque com drones contra Moscou dos últimos dois anos, incendiando uma refinaria e paralisando os aeroportos da capital russa por horas. No Brasil, o IBC-Br de abril ficou abaixo do consenso e o Focus elevou pela 14ª semana consecutiva a projeção para o IPCA, consolidando a percepção de que a trajetória da inflação segue resistente e os juros permanecerão elevados por mais tempo.

 

Fechamento semanal – em %




EUA e Irã assinam memorando de paz em Islamabad, mas negociações na Suíça são adiadas: O acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã foi assinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e descrito pelo governo americano como o “Memorando de Entendimento de Islamabad”. O documento, com 14 pontos, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, a redução de sanções ao Irã e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, as conversas previstas em Bürgenstock, na Suiça, que marcariam o início das tratativas técnicas para detalhar os termos do memorando, foram adiadas sem data definida. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, cancelou a viagem, assim como o primeiro-ministro do Paquistão, principal mediador do processo. O Ministério das Relações Exteriores suíço confirmou o adiamento sem apresentar motivos. O impasse coincide com a postura do Irã, que mantém como condição para qualquer acordo permanente o encerramento do conflito no Líbano.

Israel e Hezbollah renovam cessar-fogo no Líbano: Uma nova escalada de confrontos no sul do Líbano ameaçou comprometer o memorando recém-assinado entre EUA e Irã. As duas partes chegaram a um cessar-fogo mediado por negociadores dos EUA e do Catar com apoio do Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar ter pedido a Israel que aceitasse a trégua. O acordo não foi assinado formalmente por nenhum dos lados, e o Irã mantém como condição para um entendimento permanente a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano.

Ucrânia lança o maior ataque com drones contra Moscou em dois anos: As forças ucranianas executaram uma ofensiva em larga escala contra a capital russa, atingindo a refinaria MNPZ, no distrito de Kapotnia, responsável por mais de um terço do abastecimento de combustível de Moscou, e provocando incêndios de grande proporção. O ataque forçou o fechamento dos principais aeroportos da cidade por horas, com centenas de voos atrasados ou desviados. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que a Rússia realizará ataques coordenados em grande escala e de forma regular contra a Ucrânia.


Fed mantém juros na faixa de 3,50% a 3,75% na primeira reunião sob comando de Warsh: O Federal Reserve manteve inalterada a taxa básica de juros dos EUA na primeira reunião presidida por Kevin Warsh, em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado, marcando a quarta reunião consecutiva sem alterações. O FOMC avaliou que a economia segue crescendo em ritmo sólido e o mercado de trabalho permanece estável, mas destacou que a inflação continua acima da meta de 2%, com pressões concentradas em energia, e que a incerteza econômica segue elevada, em parte pelo conflito no Oriente Médio. 

Copom corta Selic para 14,25% a.a.: O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 p.p., de 14,50% para 14,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização iniciado em março. Apesar do corte, o Banco Central reforçou a postura cautelosa: o IPCA acumula 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,50%, e as últimas leituras mostraram avanço tanto do índice cheio quanto das medidas subjacentes. No cenário externo, o BC avaliou que o acordo entre EUA e Irã contribuiu para reduzir parte da aversão ao risco, mas que o ambiente ainda demanda cautela diante da volatilidade de ativos e commodities.

IBC-Br de abril fica abaixo das expectativas: A prévia do PIB avançou 0,50% em abril na comparação com março, abaixo do consenso de 0,60%. No acumulado de 12 meses, o indicador registra alta de 1,6%. O resultado reforça o cenário de desaceleração gradual da atividade no segundo trimestre.

Focus eleva projeção do IPCA para 5,30% e Selic para 13,75% ao fim de 2026: O Boletim Focus elevou pela 14ª semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, que saltou de 5,11% para 5,30%, bem acima do teto da meta. A expectativa para a Selic ao fim do ano avançou de 13,50% para 13,75%, e a projeção para 2027 subiu de 11,50% para 12,00%. A sequência ininterrupta de revisões consolida a percepção de desancoragem das expectativas inflacionárias e reduz o espaço para cortes mais expressivos.



Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas  

Maiores Baixas 



Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Embraer (EMBJ3)

Preço de Fechamento (19/06/2026): R$ 79,20 | Variação Semanal: +8,72% – A valorização foi impulsionada pela aprovação para aquisição de aeronaves C-390 pelo parlamento grego, pela possibilidade de instalação de uma unidade de produção militar na Índia e pela indicação de que os problemas nos motores da família E2 estão praticamente solucionados. A taxa de aeronaves em solo por problemas de motor recuou de 22% em março de 2025 para 1% atualmente, com previsão de chegar a zero até o fim de 2026. A Embraer também anunciou pagamento de juros sobre capital próprio no valor bruto de R$ 200 milhões, equivalentes a R$ 0,281 por ação ordinária.

Pior Desempenho: Braskem (BRKM5)

Preço de Fechamento (19/06/2026): R$ 7,50 | Variação Semanal: -17,58% – A queda reflete dois vetores simultâneos: o impasse entre a companhia e o IG4 Capital com credores para avançar em uma reestruturação extrajudicial, com resistência dos credores por tratamento desigual na estrutura de capital, e a aceitação pela Justiça Federal em Alagoas da denúncia do MPF, tornando a Braskem ré em ação penal pelo afundamento do solo em Maceió. 



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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Destaques da semana

Veja os principais eventos da semana e suas possíveis consequências: Segunda-feira (22/06) 08:30 – Brasil Boletim FocusO Banco Central do Brasil divulgará o Boletim Focus

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