Entenda os principais termos financeiros divulgados na temporada de balanços

Lucro líquido, receita, Ebitda e margem líquida estão entre os destaques a serem analisados pelos investidores

Foto: Shutterstock/tadamichi

Tem dúvidas sobre quais passos dar para deixar as contas organizadas ou está com algum receio em relação a determinado investimento?

Lidar com o dinheiro sempre suscita certa insegurança, mas com conhecimento é possível tomar a decisão mais inteligente para encarar o universo financeiro, seja na hora de investir, economizar ou se planejar.

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Quais os principais indicadores para analisar nos balanços de empresas?

Quem investe na Bolsa invariavelente se depara com notícias indicando que o preço de uma ação subiu ou caiu após a publicação do balanço de uma empresa. Isso porque o documento, publicado trimestralmente, apresenta informações importantes sobre a operação da companhia. Mas o que de fato deve ser observado no resultado de uma empresa para se tomar uma decisão de investimento?

A quantidade de dados divulgados periodicamente por companhias de capital aberto é enorme, mas alguns indicadores são mais relevantes que outros para se acompanhar durante a temporada de balanços, como é chamado o momento em que as empresas divulgam obrigatoriamente seus resultados trimestrais.

Esses balanços dão uma ideia do desempenho das companhias nos três meses analisados e também do ano completo, quando se trata do quarto trimestre.

Os dados revelam qual a estratégia adotada pela empresa, como ela está em relação aos concorrentes e muitas vezes contam as expectativas da companhia para os próximos trimestres.

As informações são diversas, mas quatros indicadores devem estar sempre no radar dos investidores: lucro (ou prejuízo) líquido; receita; Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações); e margem líquida.

Lucro líquido

O lucro líquido é o dinheiro que, após todos os pagamentos realizados que envolvem a operação, fica para a empresa e seus sócios (no caso, os acionistas). É a diferença entre tudo que a empresa conseguiu arrecadar naquele período, ou seja, a receita, e os custos que ela teve.

Entram nesses custos absolutamente tudo, desde o que foi gasto para a compra de insumos como o pagamento de impostos ou de dívidas.

As empresas adotam ainda a divulgação de resultados “ajustados”, mas precisam explicitar no balanço a que os ajustes se referem. Muitas vezes, a opção é por retirar eventos considerados extraordinários, como o efeito de uma venda de ativo que não vai mais se repetir.

E se existe o lucro há também o prejuízo líquido, que é quando a empresa não gera receita suficiente para arcar com sua operação e a estrutura em um determinado período.

Ebitda

O Ebitda é um indicador mais relacionado à operação do negócio, já que exclui da conta as despesas que a empresa tem que não estão ligadas à atividade exercida, como o pagamento de impostos.

O Ebitda serve para mostrar qual seria o lucro da empresa se não houvesse todas essas despesas. Além dos impostos, há as despesas com juros, os custos com amortizações e também a chamada depreciação, que é quando um ativo da companhia se desvaloriza com o tempo, o que a faz perder dinheiro.

A ideia, ao analisar o Ebitda, é saber qual é a capacidade que a operação da empresa tem de gerar caixa apenas com a sua atividade.

Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, lembra que o Ebitda também é conhecido como Lajida, na tradução em português.

“É um indicador que considera as receitas de lucro bruto menos essas despesas, que podem ser operacionais ou administrativas”, diz.

Receita líquida

Outro indicador importante é o da receita líquida, que equivale ao faturamento bruto de uma empresa, após as devoluções e os descontos concedidos aos clientes.

Ela pode ser dividida entre receita operacional, que é a soma das vendas dos produtos da companhia, e receita não recorrente, que resulta de um evento que não se repete — como a venda de um dos ativos da tal empresa.

Margem líquida

A margem líquida é um indicador que mostra quanto o seu lucro representa como proporção de tudo o que você fatura. O resultado parte da divisão entre o lucro líquido e a receita líquida. É importante para mostrar de forma direta o nível de rentabilidade de uma empresa.

“Quanto maior a margem, melhor. Empresas como Vale e Petrobras normalmente têm margens elevadas. No varejo, as margens são mais apertadas, é algo do setor”, explica Conde.

Todos os indicadores mencionados podem e devem ser comparados com os dos períodos anteriores, mas é importante o investidor buscar períodos parecidos, como quarto trimestre com o quarto trimestre do ano anterior. Afinal, imagine uma empresa de varejo que tem seu ponto alto ao fim do ano. No primeiro trimestre, é natural que a companhia tenha um desempenho inferior ao do quatro trimestre. Por outro lado, pode apresentar um crescimento significativo em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

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