Poupança tem resgate de R$ 35,5 bi em 2021; saques se concentram em poupador de menor renda

Inflação, alta dos juros e redução do pagamento do auxílio emergencial explicam as retiradas

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Maeli Prado

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Maeli Prado

Inflação acelerada, redução no pagamento do auxílio emergencial e aumento na taxa de juros, que contribuiu para a migração para os fundos de renda fixa. Essa combinação se mostrou prejudicial para a caderneta de poupança em 2021, como mostram dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta, dia 6.

A tradicional aplicação terminou o ano com os saques superando os depósitos em R$ 35,5 bilhões. Esse é o maior resgate desde 2016, segundo dados do BC.

Essas retiradas foram mais intensas nas contas com até R$ 5 mil de saldo, segundo dados do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em novembro, as poupanças com depósitos até esse limite tiveram uma queda de 21% na comparação com igual mês de 2020. A intensidade da queda diminui nos saldos maiores.

As cadernetas com saldo de R$ 5 mil a R$ 10 mil registraram redução de 10,7% e na faixa de R$ 10 mil e R$ 15 mil, recuo de 8% na mesma comparação. Para as contas com saldo entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, o recuo foi de 5,7%. O valor depositado na caderneta só começa a subir a partir da faixa acima de R$ 50 mil.

O que explica a queda mais intensa nas faixas de menor valor é o impacto da inflação sobre os brasileiros de menor renda – ou, no mínimo, os que possuem uma menor reserva financeira.

Carlos Antonio Rocca, coordenador do Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe), é autor de um estudo sobre o comportamento da poupança em 2021, que mostra a saída das famílias de menor renda da caderneta.

Ele lembra que, entre abril e julho de 2021, as captações da caderneta avançaram, embora em menor ritmo do que 2020.

“A partir de setembro, não só o ritmo caiu como passou a ter saque daquela poupança acumulada. Isso está relacionado com a queda de renda por causa da inflação e da taxa de desemprego elevada”, aponta.

A inflação medida pelo IPCA era de 10,74% no acumulado dos 12 meses encerrados em novembro. No entanto, o aumento de preço foi maior em determinadas categorias que possuem um peso maior nas famílias de menor renda, como alimentos e energia.

“A alta de preços atingiu os mais pobres, porque foram os itens básicos que mais sofreram, como gás de cozinha, energia, água e saneamento.”

Na avaliação de Rocca, o cenário para 2022 não é animador. Além do baixo crescimento, o acúmulo de poupança pode ser afetado pelo alto endividamento das famílias e incertezas ligadas ao período eleitoral.

Segundo o BC, o endividamento do brasileiro era de 49,7% em setembro, o mais alto já registrado com base na metodologia atualizada pela autarquia. Esse percentual é a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses.

Silvio Paixão, professor de macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) lembra que o último ano foi bastante delicado para as pessoas de menor renda e até as que tinham alguma reserva precisaram usá-la para dar conta do aumento das despesas ocasionados pela inflação.

“A perda do poder de compra explica esses saques nas poupanças com depósitos até R$ 5 mil. Acima desse valor, os saques também estão ligados à migração de investimentos”, explica.

Migração

Essa migração foi ocasionada pelo aumento da taxa Selic, que saiu de 2% e chegou a 9,25% ao ano, com tendência de alta. Isso tornou os os investimentos mais conservadores muito mais atrativos.

Os fundos de renda fixa terminaram 2021 com uma captação líquida de R$ 215,25 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Fabio Pina, assessor econômico da Fecomercio-SP, lembra que ao longo de 2020 a poupança cresceu por três fatores: o auxílio emergencial, as restrições à circulação por causa da pandemia de coronavírus, que provocou uma economia de dinheiro forçada, e pelos receios quanto ao futuro (a chamada poupança precaucional).

Em 2021, com a disparada nos preços, a redução do auxílio emergencial e a reabertura da economia, esse movimento se inverteu. “A poupança caiu, e não há perspectiva de voltar a subir”, aponta. “Tudo aponta para uma atividade econômica em desaceleração, e para um primeiro trimestre bastante ruim.”

Crédito imobiliário

A poupança é o instrumento financeiro mais conhecido do brasileiro, que tem depositados na caderneta R$ 1,030 trilhão.

Esses recursos recebem atualmente a remuneração de 0,5% ao mês mais a variação da TR (que atualmente está zerada). Isso equivale a 6,17% e há isenção do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos.

Com uma remuneração limitada (e baixa), a poupança é a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário – os bancos devem destinar 65% dos depósitos em poupança para essa finalidade.

Do saldo de R$ 1 trilhão, R$ 790,1 bilhões formam o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que financiam tanto o empreendimento de construtoras como a aquisição de imóveis por pessoas físicas.

Apesar do resgate de mais de R$ 35 bilhões em 2021, Alberto Ajzental, coordenador do curso de Desenvolvimento de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembra que haverá uma menor demanda por imóveis em 2022.

“O crédito imobiliário é muito sensível em relação à Selic e o aumento da taxa básica vai fazer a demanda arrefecer”, diz.

Segundo o professor, a cada 1 ponto percentual de aumento no custo efetivo total (CET) do financiamento imobiliário, há uma redução de 1 milhão de pessoas da demanda qualificada. Traduzindo, com o aumento do custo, a parcela do financiamento fica maior e, dessa forma, menos pessoas estão elegíveis a se enquadrarem nas regras do financiamento imobiliário.

“A poupança remunera mal em relação a outros investimentos, mas é o instrumento que viabiliza o financiamento imobiliário a taxas menores”, explica.

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