Jogou na Mega-Sena? Além de torcer, confira a melhor forma de investir os R$ 350 milhões do prêmio

Bolada rende R$ 2 milhões ao mês se valor for aplicado no Tesouro Selic, mas investidor deve buscar a diversificação de ativos

Ter R$ 350 milhões na conta é o sonho de muitos brasileiros que estão fazendo uma “fezinha” na Mega-Sena da Virada. Você saberia o que fazer e como administrar toda essa bolada?

Esses milhões podem realizar sonhos até então inalcançáveis, mas saber fazer uma boa gestão desses recursos irá garantir um futuro promissor não só para o ganhador, mas também para seus descendentes.

Na véspera do encerramento das apostas, mostramos os passos iniciais para quem ganhar essa dinheirama — ou qualquer outra quantia volumosa e inesperada, como uma herança.

Antes de falar sobre como proceder, no entanto, melhor frisar o que não é recomendável fazer: evite deixar os recursos na poupança. Aplicados na caderneta, os R$ 350 milhões renderiam R$ 1,75 milhão ao mês, quantia relevante, sem dúvida, mas menos atrativa que outras alternativas de investimento disponíveis ao novo milionário e tão seguras quanto o produto.

“O rendimento da poupança será negativo após descontar o efeito da inflação. Pelo volume do prêmio, é possível fazer uma diversificação dos investimentos, inclusive global”, diz Everton Medeiros, especialista do escritório de agentes autônomos Valor Investimentos.

Por onde começar?

Para quem já experimentou uma vida cheia de perrengues, fica impossível não pensar em gastos e sonhos ao saber que ganhou uma bolada como essa. Uma viagem, uma casa grande, o carro desejado…

Medeiros recomenda, contudo, analisar em primeiro lugar o que é prioridade e usar no máximo 5% do valor recebido para lidar com as demandas reprimidas — que muitas vezes envolvem outras pessoas da família.

Já Fabricio Gonçalvez, CEO da gestora de fundos Box Asset Management, tem uma visão diferente. Para ele, o novo milionário precisa pensar primeiro em renda passiva, que é quando o dinheiro “trabalha” por você, ou seja, se obtém uma renda sem necessitar do esforço do trabalho (o salário de uma pessoa é considerado uma renda ativa).

A justificativa para priorizar a renda passiva antes de começar a gastar é que muitos bens geram gastos contínuos (como a manutenção de uma casa ou um barco) e por isso o adequado e garantir a renda para bancar essas despesas. “O ideal é primeiro rentabilizar o dinheiro então adquirir bens com esses rendimentos”, explica.

Como investir?

Conforme especialistas assinalam, a poupança não é uma opção. Ao mesmo tempo, há um consenso que indica que, se o prêmio for ganho por uma pessoa sem a cultura do investimento, o melhor é em um primeiro momento adotar maior cautela, deixando opções mais sofisticadas e estruturadas para quando houver maior familiaridade com os termos e riscos de aplicações financeiras diversas.

O ponto que os especialistas destacam como unânime é que o momento atual é adequado para quem precisa (ou gosta) dessa cautela. Com a taxa Selic a 9,25% e em trajetória de alta, é possível encontrar aplicações seguras com rentabilidade atrativa. Com um retorno nesse patamar, é possível inclusive dobrar o patrimônio em cerca de oito anos.

Se todos os recursos forem aplicados no Tesouro Selic, título público disponível no Tesouro Direto, por exemplo, o ganhador terá, já livre de imposto, R$ 2 milhões ao mês.

Para Medeiros, para um investidor iniciante, mesmo que milionário, o ideal é primeiro é traçar quais são os objetivos e descobrir a aptidão ao risco. A partir daí, fazer a diversificação desses investimentos (sim, o ideal não é deixar tudo em Tesouro Selic).

Para a maior fatia, de até 70% dos recursos, a indicação é dividir entre diferentes ativos de renda fixa (títulos públicos e privados de baixo risco) de menor prazo, no máximo três ou cinco anos — uma vez que o diferencial de rentabilidade entre os títulos de menor e maior prazo está pequeno atualmente –, e fundos imobiliários (FIIs).

Já o tamanho da fatia a ser aplicada em ações vai depender do perfil de cada investidor, sendo indicada nesse início uma fatia de 10% (para os mais conservadores) a 30% (para aqueles com maior propensão ao risco) do total do patrimônio.

“Essa seria uma exposição padrão e que poderia garantir alguma proteção à carteira. Muita gente se diz agressiva, mas só é agressiva na hora de buscar os ganhos, e não de enfrentar as perdas”, diz Medeiros.

Dentro dessa fatia em renda variável, o especialista sugere manter entre 60% e 70% em ações brasileiras e, para o restante, assumir uma exposição no exterior.

Sobre investimentos em criptomoedas, que estão se tornando populares, a sugestão é colocar entre 1% e 3% do patrimônio, sendo que uma das indicações é o HASH11, fundo de índice (|ETF) listado na B3 que replica o Nasdaq Crypto Index (NCI).

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Já para Gonzales, da CEO Box, a diversificação é importante para o investidor reduzir o risco de sua carteira.

Embora a alocação dependa do perfil de cada investidor, Gonçalvez sugere dividir os recursos de forma equivalente em quatro grupos: renda variável local; fundos imobiliários; renda fixa; e recibos de ações estrangeiras (BDRs, na sigla em inglês) para começar a se familiarizar com os investimentos no exterior.

“São investimentos descorrelacionados. E é melhor sugerir BDRs nesse momento a investimentos no exterior, uma vez que pode ser um investidor ainda iniciante, que não está tão preparado para a volatilidade”, diz.

Os BDRs são recibos de ações de empresas estrangeiras negociados em reais na B3. Nesse caso, o investidor vai ganhar ou perder a variação da ação mais a variação cambial.

Apesar dos novos milhões de reais na conta, Fernando Donnay, sócio da gestora de patrimônio G5 Partners, afirma que o ganhador precisa definir os seus objetivos e padrão de vida para justamente conseguir proteger esse patrimônio — e fazer que ele perdure.

“Quanto maior o patrimônio, menor propensão ao risco o investidor tem. E com os juros elevados, há uma maior seletividade por parte do investidor, que não vai correr qualquer risco com renda fixa pagando mais de 10% ao ano”, avalia.

Mas mesmo essa propensão menor ao risco exige uma diversificação de ativos e de geografia, priorizando a descorrelação entre as classes. Isso significa que uma classe de ativo pode até performar de forma negativa em um determinado período, mas uma outra, pelos mesmos motivos, tem maiores chances de dar retornos positivos.

Um exemplo desse pensamento é o investimento no exterior. Se a situação no Brasil piorar, com menor crescimento ou uma nova recessão, as ações listadas em Bolsa tendem a sofrer. Esse mesmo cenário pode levar a uma apreciação do dólar. Nesse caso, o investidor terá retornos negativos nos investimentos em ações no Brasil, mas poderá ganhar na parte do patrimônio alocada em investimentos atrelados à moeda americana.

E quando jogar?

As apostas da Mega Sena da Virada podem ser feitas até as 19h do dia 31 de dezembro nas lotéricas ou pelo site Loterias Caixa, além dos aplicativos para os aparelhos com sistemas operacionais Android e IOS. O sorteio ocorre às 20h desta sexta-feira.

Cada jogo de seis números da Mega Sena custa R$ 4,50 e a chance de ganhar é de 1 em 50 milhões, segundo informações da Caixa Econômica Federal. A probabilidade fica mais vantajosa quando se aumenta o número de dezenas — e aí também fica mais cara a aposta.

Caso não haja vencedores, o valor do prêmio da Mega-Sena da Virada não será acumulado para o sorteio seguinte. O montante será dividido entre os ganhadores da quina (os que acertam cinco dos seis números sorteados).

Ganhando sozinho ou com outros sortudos, há opções suficientes para fazer esse dinheiro render.

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