Um dos maiores ruídos do mercado em 2021 teve a Wiz (WIZS3) envolvida. A companhia, que tinha dois terços de sua receita ligada à Caixa, poderia perder a renovação do contrato com a estatal.
E aconteceu. Após quase meio século de parceria, a Wiz deixou de oferecer os produtos de seguros para os clientes da Caixa – que era o core de sua operação desde que foi criada.
O CEO e diretor de Relações com Investidores da Wiz, Heverton Peixoto, explica que a empresa foi criada como uma máquina de vendas de seguros do ecossistema Caixa. “Essa é nossa origem, dos 48 anos de vida da empresa, 45 foram só disso.”
Até 2018 a Wiz precisava de uma autorização da Caixa para trabalhar com qualquer outro banco ou seguradora, o que inviabilizava negócios com outros parceiros.
Peixoto diz que em 2017 a Caixa manifestou o interesse na não renovação do contrato, que acabava em 2021, e um dos termos dessa nova negociação foi a independência da Wiz a partir de 2018.
“Foi um processo muito difícil, que a gente considera doloroso, mas a gente considera que hoje vivemos o melhor momento do conglomerado Wiz” pontua Peixoto. O faturamento da Wiz ligado à Caixa se mantém na proporção de um quarto hoje. A empresa ainda busca diminuir este número, acrescentou.
A fundação da Wiz, em 1973, teve como fundamento a prestação de serviços exclusivos para o banco, intermediando a venda de seguros. Com o divórcio, a empresa teve de procurar novos parceiros, e achou.
Se preparando para o pior, antes mesmo da não renovação do contrato, a empresa comprou 40% da Inter Seguros.
Desde 2018, a empresa fechou 20 novos contratos, com empresas relevantes do segmento financeiro (como o BMG) e de redes de concessionárias automotivas. A Wiz também tem acordos ratificados para oferta de crédito com Santander, Itaú e Banco do Brasil.
Na última semana, inclusive, a Wiz acertou com o Paraná Banco a exclusividade de dez anos para a distribuição de produtos, mediante pagamento de R$ 43,56 milhões por 40% da nova corretora. O banco tem 370 mil clientes.
Fim de parceria com a Caixa ainda afeta resultados
Os resultados do fim da relação contratual com a Caixa, todavia, ainda deixam marcas. O lucro líquido ajustado no quarto trimestre foi de R$ 47,7 milhões, queda de 41% sobre o reportado 12 meses antes.
A explicação é o fim do contrato do período de transição com a Caixa e do churn do Run-Off do canal do banco, que já estavam parcialmente na expectativa do mercado.
Com o futuro ainda incerto em relação às novas parcerias, tanto do ponto de vista de efetividade de resultados como em termos de execução dos times envolvidos, os investidores permanecem com o pé atrás.
Nos últimos 30 dias, as ações tiveram queda de 13%. Desde julho de 2021, a baixa é de mais de 50%.
Comparação entre WIZS3 e o índice Ibovespa nos últimos 12 meses

Perspectiva para os próximos anos
Após o fim do casamento com a Caixa e com a busca pela diversificação de novos parceiros, a Wiz viu seu crescimento diminuir, mas espera voltar a crescer em 2022.
Peixoto explica os números e diz que “exceto o ano passado, quando a companhia andou de lado, a Wiz tem uma trajetória de crescimento de dois dígitos alta, em 2016, 2017, 2018, então a gente espera manter isso pós-Caixa.”
Política de dividendos
O executivo-chefe da Wiz ressalta que a empresa está seguindo uma política de distribuição de dividendos mais conservadora.
Hoje, a empresa repassa 50% do lucro líquido ajustado anual aos acionistas a título de remuneração obrigatória, mas pode pagar mais a depender da decisão dos acionistas em assembleia geral.
Peixoto ressalta que esse percentual – também conhecido como “payout” – deve seguir intacto, mas que existe a possibilidade de ele diminuir se a velocidade de alocação de capital da companhia aumentar.