Apesar dos resultados negativos apresentados na segunda-feira (16) pelo Magazine Luiza referentes ao primeiro trimestre, o varejo pode estar mais perto de uma luz no fim do túnel. É o que indicam dados da Cielo (CIEL3) sobre as vendas no setor em abril.
Os números apontam crescimento de 20,5% em relação a a abril de 2021, já descontada a inflação. Considerando o índice cheio – que não faz o ajuste pela alta de preços -, o aumento foi de 37,9%.
Os números precisam ser interpretados com cautela. Em março e em abril de 2021, por exemplo, o Brasil registrou uma explosão de casos de Covid-19 e de mortes causadas pela doença, o que resultou na queda na circulação de pessoas, com consequências negativas para as vendas do comércio varejista. Neste ano, a situação é diametralmente oposta.
Além disso, segundo Pedro Lippi, head de Inteligência da Cielo, efeitos de calendário também beneficiaram o índice.
Abril deste ano teve um sábado a mais que o mesmo mês de 2021. Sábado tende a ser um dia de forte comércio. Abril de 2022 também teve uma quinta-feira a menos, e neste dia as vendas costumam ser mais fracas que aos finais de semana.
Os efeitos das mudanças dos feriados de abril – Páscoa e Tiradentes – também contribuíram para resultados mais positivos em abril de 2022, segundo Lippi.
Ele ressaltou, no entanto, que o comércio segue apresentando sinais de recuperação. “Abril marcou o sexto mês seguido de crescimento nas vendas. Esse quadro está associado a um comércio com menos portas fechadas. Os setores de serviços continuam puxando a retomada.”
As ações do setor de varejo operam em alta nesta terça-feira (17), acompanhando o movimento geral do mercado, que sobe diante do otimismo dos investidores com a possibilidade do fim de lockdowns em Xangai. A expectativa é de que isso limite a desaceleração da economia chinesa e contribua para a normalização das cadeias de suprimento, o que ajudaria a esfriar a inflação em todo o mundo.
Por volta das 11h20 (de Brasília), o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, subia 0,97%, enquanto o Icon, que agrupa ações relacionadas ao consumo e ao setor de saúde, subia 0,25%, com o avanço sendo limitado pela queda das ações da Hapvida (HAPV3 -12,3%)