Navegue:
Valorização intensa das ações de petrolíferas independentes parece ter ficado para trás – veja a análise

Valorização intensa das ações de petrolíferas independentes parece ter ficado para trás – veja a análise

Em comum, entre elas, além do segmento de atuação, está que todas aumentaram o seu portfólio após comprar ativos da Petrobras

Gráfico de ações com barris de petróleo

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

As petrolíferas independentes como Dommo (DMMO3), Enauta (ENAT3) e PetroReconcavo (RECV3), que operam campos maduros comprados da Petrobras (PETR4; PETR3), se destacam como as que mais se valorizaram em 2022, pelo menos, até o momento, com alta de 207%, 46% e 32,83%, respectivamente, de acordo com dados da plataforma TradeMap.

A estatal era monopolista no segmento de exploração em águas rasas e onshore (dentro do continente), mas quando encontrou o pré-sal, que é retirado de águas profundas e é off-shore, acabou vendendo campos para essas empresas.

Por trás dessa alta nos papéis, está a valorização do barril de petróleo no mercado internacional, causado por uma oferta restrita da commodity, após a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia, segundo alguns analistas ouvidos pela Agência TradeMap.

Para Régis Chinchilla, analista da Terra Investimentos, os russos são os maiores exportadores de petróleo e gás natural do mundo e, com as sanções, a quantidade de petróleo disponível no mundo caiu drasticamente.

Desde o início do conflito entre os países, em fevereiro deste ano, o preço do barril de petróleo tipo Brent, que serve como referência no mercado internacional, supera os US$ 100, chegando a bater US$ 139 no começo de março, enquanto a média de preço no ano passado foi de US$ 71.

Além da guerra na Ucrânia, o analista de renda variável da Kínitro, Victor Rosa, vê um movimento de impulsão econômica global pós-pandemia, encabeçado pelo pacote de investimentos dos Estados Unidos em 2021, que impulsionou a demanda por commodities no mundo.

“Como o consumo e a atividade econômica sobem, aumenta a demanda por energia e aumenta o preço das commodities”, diz Rosa.

⇨ Quer acompanhar as cotações das suas ações na B3 em TEMPO REAL? Inscreva-se no TradeMap!

Bateu no teto?

Agora, a grande pergunta que fica para o investidor é se os papéis das petrolíferas independentes podem subir mais no segundo semestre do ano? Rosa não acredita em queda das ações daqui para frente, mas também não vê uma subida tão intensa.

“Alguns fatores ainda podem mudar esse cenário, tanto para um cenário positivo quanto para um negativo. Se a reabertura econômica da China vier forte, pode beneficiar. Se os EUA realmente entrarem em recessão, a demanda muda, mesmo caso para um fim da guerra. Esses fatores podem influenciar no preço”, avalia o analista da Kínitro.

Leia também:

Recessão nos EUA é risco no radar de JBS (JBSS3) e mais quatro empresas brasileiras

Levando em consideração o cenário inflacionário ao redor do mundo, Rosa afirma que o barril do Brent pode ficar acima dos US$ 100 por mais algum tempo.

Nesta segunda-feira (27), por exemplo, os contratos futuros da commodity na ICE eram negociados a US$ 114.

Em qual papel investir?

Dentre essas ditas petrolíferas independentes, algum case é melhor? Para Chinchilla, as três empresas “possuem excelentes projetos de expansão e produção para os próximos anos”. Contudo, uma eventual recessão e depressão econômica podem aumentar a volatilidade dos papéis.

“Somado a isso, a pressão inflacionária global tem feito os países discutirem corte de impostos e taxação de lucros no setor”, explica o analista da Terra Investimentos.

Dentre esses players, Rosa prefere os cases de PetroReconcavo e 3R Petroleum pelo tipo de segmento de exploração de ambas. A primeira é 100% onshre, enquanto a segunda é majoritariamente onshore.

“O nível de complexidade operacional desse tipo de exploração é muito menor. Além disso, o custo também é menor e existem menos riscos para perfurar novos poços”, finaliza.

Compartilhe: