A Absolute Gestão de Investimentos, uma das maiores gestoras do mercado brasileiro, com R$ 27,8 bilhões de patrimônio líquido, decidiu dobrar a participação que tinha na Dommo Energia (DMMO3), também conhecida como a antiga OGX, empresa de extração de petróleo fundada pelo empresário ex-bilionário Eike Batista.
Em comunicado publicado na manhã desta terça-feira (27), a própria Dommo informou ao mercado que recebeu na sexta-feira (23) uma carta eletrônica da Absolute na qual a gestora relatava que resolveu aumentar a fatia na empresa para 10,92% do total de ações em circulação, o equivalente 55,6 milhões de ações.
Em cálculo que considera a cotação da ação da Dommo nesta terça, a nova participação da Absolute na companhia corresponde a R$ 101,7 milhões. Por volta das 11h, o papel da companhia era cotado a R$ 1,85, em queda de 0,54%.
O comunicado da Dommo não informa qual era a participação anterior da Absolute. No entanto, de acordo com dados disponíveis na plataforma do TradeMap, que consideram dados das gestoras disponíveis na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com seis meses de atraso, a fatia da gestora era de 5%.
A Dommo, inclusive, é uma das maiores altas da Bolsa no acumulado de 2022. Até esta terça, a empresa acumula valorização de 273,4% no ano.
Helius Capital
Hoje também a empresa informou que uma outra gestora, a Helius Capital, tornou-se acionista relevante, com uma participação de 5,18%.
Um acionista é considerado “relevante” pelo mercado sempre que tiver pelo menos 5% de participação na companhia.
Histórico
Criada por Eike Batista, a Dommo chegou à Bolsa em 2008, ainda enquanto OGX Petróleo e Gás, captando a bagatela de R$ 6,71 bilhões com a promessa de ser uma “mini Petrobras”, mesmo sem ter apresentado qualquer barril de petróleo extraído.
A empresa iniciou a produção do óleo somente quatro anos depois da abertura de capital, após uma série de comunicados ao mercado com falsas promessas – uma delas, inclusive, remetia à possibilidade da produção potencial de um bilhão de barris.
Sem nada trazido à prática, a companhia entrou em recuperação judicial em 2013, com dívidas acumuladas na ordem de R$ 13 bilhões.
O processo de readequação do endividamento mudou o nome da empresa para OGPar. A recuperação judicial foi encerrada em 2017, dando lugar ao nome atual e mudando a empresa da água para o vinho.
Vale lembrar também que a Dommo foi comprada em outubro pela Prio, por meio de uma subsidiária. Em meados deste ano, a companhia contraiu R$ 2 bilhões em dívidas para fazer frente à aquisição.
Atualmente, a Dommo possui mais compromissos financeiros do que dívidas. Seu valor reside na fatia de 20% das operações do campo Tubarão Martelo (com a aquisição, a Prio se torna operadora total do campo), além de eventuais créditos tributários.
O movimento altista das ações da Dommo ao longo deste ano teve como base a expectativa pela conclusão da venda da empresa.
⇨ Quer conferir quais são as recomendações de analistas para as empresas da Bolsa? Inscreva-se no TradeMap!