Seja Lula ou Bolsonaro, Moody’s descarta mudanças bruscas para Petrobras (PETR4) e estatais no próximo governo

Agência de classificação de risco ressalta que a petroleira "permanecerá vulnerável à interferências políticas"

Fotos: Shutterstock /Marcelo Chello

Seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Jair Bolsonaro (PL) o próximo presidente eleito no dia 30 deste mês, as empresas estatais brasileiras não devem sofrer grandes mudanças nos próximos quatro anos. Essa é a visão da agência de classificação de risco Moody’s, em relatório publicado nesta quinta-feira (13).

No caso da Petrobras (PETR4), maior estatal brasileira, os analistas da Moody’s avaliam que a companhia “permanecerá vulnerável a interferências políticas”.

“O governo controla as ações com direito a voto da Petrobras, expondo a estatal de petróleo à interferência política em sua estratégia de negócios e governança corporativa sob qualquer administração. Mas a Petrobras tem proteções mais fortes contra interferência política sob as novas leis que regem as estatais”, afirma.

Apesar dessa condição comum, as visões de Lula e Bolsonaro sobre a petrolífera são diferentes. A Moody’s espera que o atual presidente possa, num novo mandato, buscar um processo de privatização da empresa, enquanto Lula deve mudar a estratégia de negócios para se concentrar na capacidade de refino e na autossuficiência de combustível.

Em relação a bancos públicos, como o Banco do Brasil (BBAS3), a agência espera que um novo governo de Lula provavelmente seguiria uma agenda de desenvolvimento que usa essas instituições para promover o crescimento econômico e o aumento da penetração do crédito.

“Se Bolsonaro permanecer no cargo como presidente, os bancos estatais provavelmente manterão suas estratégias operacionais existentes, priorizando seus principais segmentos de negócios e políticas públicas”, acrescenta a Moody’s.

Em qualquer cenário eleitoral, os analistas da agência esperam que projetos de infraestrutura continuem sendo uma prioridade nos próximos quatro anos. Eles ressaltam, por outro lado, que o teto de gastos deixam o governo federal com pouco espaço para investimentos diretos.

“Se reeleito, esperamos que Bolsonaro continue sua política de atrair investidores privados para desenvolver projetos sob concessões públicas. Do outro lado, se Lula vencer, não anteciparíamos uma mudança drástica na política de parceria público-privada”, finaliza a Moody’s.

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