Já pensou que bom seria se fosse possível prever o futuro? Quem nunca quis investir numa ação tendo a certeza de que o ativo se valorizaria? Ou então o contrário: vender um papel antes que o valor despenque. Seria o mundo perfeito para quem deseja enriquecer com rapidez.
Infelizmente, os cientistas ainda não descobriram uma forma de antecipar com 100% de segurança o que vai acontecer, mas há métodos que trabalham com probabilidades. Embora não seja possível prever o futuro, pode-se pelo menos tentar identificar qual é o cenário mais provável.
No universo de investimentos, um dos métodos existentes é a análise técnica, também conhecida como análise gráfica, utilizada na Bolsa principalmente por investidores que buscam resultados no curto e médio prazo.
A análise técnica tem como principal fonte de informação o histórico de preços dos ativos, que viram gráficos na mão do investidor, que por sua vez recorre também a ferramentas auxiliares para buscar tendências de movimentos futuros. A ideia é olhar para o passado para saber o que pode vir por aí.
Desenvolvida em Osaka, Japão, no século XVIII, e popularizada nos Estados Unidos em 1887 por Charles Dow, o método foi baseado em três premissas:
- Os preços descontam tudo: a formação do preço do ativo reflete instantaneamente a todas as informações públicas disponíveis, ou seja, todos fatores externos já estão descontados no preço.
- Os preços se movem em tendência: o gráfico apresenta rastros dos possíveis movimentos futuros dos preços; o quanto antes o investidor identificar uma tendência gráfica, melhor será sua decisão na hora de comprar ou vender.
- A história se repete: os padrões gráficos são formados pelos preços do ativo que são altamente influenciados por atitudes psicológicas dos investidores; sendo assim, assume-se que os padrões se repetirão no futuro.
Para iniciar a jornada na bolsa de valores, primeiramente é necessário que o investidor abra uma conta em uma corretora de sua escolha. Após aberta, será preciso que baixe uma plataforma de investimentos (home broker) que estiver disponível no próprio site da corretora.
Existem diversas opções de plataforma, gratuitas e pagas. O home broker escolhido servirá de ferramenta para o investidor realizar suas análises e operações. Dentro da plataforma estão disponíveis outras diversas ferramentas para auxiliar na análise, desde gráficos, indicadores, temporizadores, entre outros.
Para o investidor que quiser conhecer todas as ferramentas e como funcionam, sem precisar abrir conta em corretora, é só acessar o portal do TradeMap na aba renda variável e clicar em análise técnica.
Imagem: TradeMap
Agora, já apto a operar em bolsa, o investidor deve escolher uma modalidade que mais se adeque ao seu perfil. As modalidades são baseadas em tempo de duração de uma operação, podendo durar de segundos até meses.
Uma operação financeira é um ciclo que se inicia na compra de um ativo (ação, contrato futuro, moeda, entre outros) e se fecha na venda total do mesmo ativo, podendo também iniciar-se pela venda e terminar com a compra.
Uma das modalidades mais utilizadas, embora mais arriscadas, é o day trade, baseado em operações financeiras de curtíssimo prazo que começam e terminam no mesmo dia. Geralmente as operações dessa modalidade são concluídas em horas, minutos e até segundos.
Outra bastante popular é o swing trade, que tem duração de curto e médio prazo, em dias, semanas e até meses. Os investidores que participam dessas modalidades de operações de compra e venda a curto e médio prazo são conhecidos como traders.
Utilizando a análise técnica
Para utilizar a análise gráfica, é necessário entender as tendências de mercado que podem ser altistas, baixistas e lateralizadas.
- Altistas (bullish): quando a demanda do ativo aumenta; assim os preços se elevam formando um movimento de alta.
- Baixistas (bearish): é basicamente o contrário; quando existem mais vendedores do que compradores, os preços caem, formando um movimento baixista.
- Lateralizadas: ocorrem quando o mercado está equilibrado, então os preços tendem a manter-se estáveis.
Estes movimentos podem ser observados por meio de linhas de tendências que são traçadas nos topos e fundos pelo próprio investidor. A tendência altista é formada por fundos e topos cada vez mais altos e a baixista por topos e fundos cada vez mais baixos.
Topo é o ponto mais alto de uma tendência, o que atingiu o maior preço no período. Já o fundo é o ponto mais baixo de um período, onde os preços atingiram a mínima.
Imagem: TradeMap
Imagem: TradeMap
Um dos conceitos fundamentais para realizar uma análise técnica é o de suporte e resistência, que nada mais são do que regiões onde o preço do ativo tem dificuldade em ultrapassar.
O suporte é o nível do preço em que a pressão compradora supera a pressão vendedora. Em outras palavras, é o ponto em que o preço do ativo ganha força e reverte para alta.
Já a resistência é ao contrario. É o ponto em que o preço encontra resistência para subir e passa à queda.
Esses conceitos são a chave para análise técnica. A partir da identificação de um suporte ou uma resistência, o trader pode implementar suas estratégias. Quando atingido as zonas de suporte ou resistência, o preço tende a reverter e, quando são rompidos, a tendência é que haja continuidade no movimento.
Imagem: TradeMap
Após a decisão de enviar uma ordem de compra ou venda, o trader precisa colocar mais metas para atingir os lucros (preço-alvo) e também limites de perda.
Para isso, existem duas estratégias: stop gain (parar ganhos) e stop loss (parar perda).
O stop gain acontece quando o mercado flui como o planejado. É uma ordem pré-estabelecida que finaliza uma operação automaticamente quando o preço do ativo atingir o preço-alvo imposto pelo investidor.
Já o stop loss é utilizado quando a operação não ocorre de acordo com o esperado e os preços vão na direção oposta ao que o investidor previa.
O investidor seleciona um preço limite para ser o stop loss, e assim que o preço atinge esse patamar o home broker aciona uma ordem automática que finaliza a operação antes que haja maiores prejuízos.
Uma simulação
Vamos supor que um trader praticante de day trade descobriu uma zona de resistência que foi rompida e resolveu enviar uma ordem de compra de 100 ações do “Ativo Exemplo (ATEX3)” a um valor de R$ 30,00 cada.
Após a compra, o trader decide colocar seu preço-alvo (stop gain) a R$ 31,50. Ou seja, quando o preço atingir esse patamar, a operação é encerrada automaticamente.
Após alguns minutos, o preço embala em uma alta e atinge o objetivo do trader. Portanto, a operação é finalizada com lucro de R$ 1,50 por ação, sem considerar despesas com corretagem, emolumentos e taxas. Como a operação envolvia 100 ações, o trader obteve um lucro bruto de R$ 150,00 na operação.
Porém, nem sempre dá certo. Vamos assumir que, logo após a compra do ativo, os jornais publicam notícias sobre a empresa estar envolvida em um caso de corrupção, e, antes de atingir o preço-alvo, o movimento reverte para uma queda de 10%.
No encerramento do pregão, o preço do ativo fechou em R$ 27,00. Porém, o stop loss utilizado pelo trader era de R$ 28,50. Sendo assim, o trader teve um prejuízo de R$ 1,50 por ação, totalizando R$ 150,00 de perda na operação. Caso não tivesse utilizado o stop loss, o prejuízo teria sido de R$ 300,00.
E o Imposto de Renda?
Os impostos cobrados nas operações de daytrade são baseados em uma alíquota de 20% sobre lucro líquido, sendo que 1% já é retido na fonte. Independentemente do valor, o trader deverá declarar até o último dia útil do mês subsequente da operação, podendo fazer compensações em meses em que teve prejuízo.
Já o swing trade apresenta uma alíquota de 15%, sendo que 0,005% são retidos na fonte. A declaração deve ser feita mensalmente, porém há uma isenção de imposto caso o valor total de vendas seja inferior a R$ 20 mil por mês.