Os resultados da Ânima (ANIM3) para o quarto trimestre de 2021 desapontaram o mercado. A empresa reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 92 milhões, quase cinco vezes maior que o de igual período de 2020, e as ações caíam 4,17%, por volta das 13h40, a R$ 6,90. Para analistas, contudo, os números fracos não impedem uma visão positiva sobre os papéis.
A equipe de analistas da XP Investimentos, em relatório publicado na manhã desta segunda-feira (28), classifica os resultados como neutros. A projeção da corretora era um prejuízo de R$ 99 milhões.
Um pouco mais pessimistas, os analistas do BTG Pactual Digital consideram os resultados fracos, apontando a retração dos números na comparação com o mesmo trimestre de 2020.
Um ponto positivo levantado pela XP foi a linha de receitas, que subiu 125% no trimestre, para R$ 848,5 milhões (4,4% acima da estimativa da corretora), devido principalmente às aquisições feitas nos últimos 12 meses, à redução no número de alunos presenciais, ao aumento nos preços médios cobrados pela companhia e à expansão no número de alunos de medicina.
A margem Ebitda ajustada ficou em 18,8%, crescimento de 1,3 ponto percentual, em linha com a estimativa da XP, enquanto a margem bruta caixa aumentou 0,9 p.p. na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, para 58,5%. As margens foram ajudadas pelo crescimento do modelo acadêmico híbrido E2A, segundo a XP.
A receita líquida e o Ebitda, de R$ 159,2 milhões (+143,1%), ficaram um pouco acima das estimativas do BTG, enquanto o impacto das despesas financeiras, que subiram 205 % para R$ 182,6 milhões, sobre o lucro foi superior ao esperada pelo banco.
Do lado negativo, a XP menciona as sinergias capturadas pela aquisição da Laureate, que ainda correspondem a 38,5% do total esperado. Na visão da Ânima, o processo de integração e as capturas de sinergia estão em linha com as expectativas e devem seguir avançando em 2022.
Outro ponto que merece atenção é o endividamento, diz a XP, uma vez que os resultados vêm sendo muito pressionados por despesas financeiras. A Ânima encerrou 2021 com R$ 3,51 bilhões em dívidas, patamar significativamente superior aos R$ 653 milhões de dezembro de 2020.
Na análise do BTG, a companhia continua a fazer o seu dever de casa nesse campo, procurando alternativas de gestão de passivos para diminuir seu endividamento. Em relação ao terceiro trimestre de 2021, o total de dívidas da Ânima foi reduzido em R$ 69,1 milhões.
“Independentemente da pressão de curto prazo nos lucros, nós mantemos nossa visão positiva em relação às ações”, diz a XP. A corretora recomenda a compra do papel, com preço-alvo de R$ 15 – o que representa alta de 108% em relação ao valor do fechamento de sexta-feira (25), de R$ 7,20.
O BTG também indica a compra da ação, e fixa seu preço-alvo em R$ 11 – potencial de alta de 53%. “Os resultados do quarto trimestre foram realmente fracos, e esperamos que as pressões de margem permaneçam no curto prazo. No entanto, continuamos confiantes na melhor flexibilidade financeira da Ânima, enquanto seu valuation ainda parece atraente”.
De uma maneira geral, todo o mercado parece otimista com as ações da Ânima. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, oito das nove instituições financeiras consultadas recomendam compra para a ação, enquanto apenas uma indica a venda do papel. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 15.
