A ação da Restoque (LLIS3) — empresa do varejo de vestuário e dona das marcas Le Lis Blanc, John John e Dudalina — dispara no pregão desta quinta-feira (15) após a companhia anunciar na noite de ontem que o conselho aprovou uma série de medidas, entre as quais um aumento de capital de cerca de R$ 100 milhões, que será destinado a reformar lojas e investir em canais digitais.
Por volta das 12h30, a ação subia 10,96%, a R$ 1,62.
A Restoque é uma das empresas mais tradicionais do varejo de vestuário do Brasil, com ação negociada em Bolsa desde 2008, mas há anos tem enfrentado problemas financeiros.
De acordo com dados disponíveis na plataforma do TradeMap, a alavancagem da Restoque — indicador que mostra o quanto a dívida líquida da companhia supera a capacidade de gerar caixa em um ano (medida pelo Ebitda) — está em 14,7 vezes, acima da média dos últimos três anos, de 9,45 vezes, que já é um nível alto.
Por exemplo, outras empresas do varejo de vestuário listadas em Bolsa, como Renner e Grupo Soma (dona de marcas como Hering e Farm), têm níveis mais saudáveis de alavancagem. A Renner chega a ter alavancagem negativa (quando o caixa disponível é maior que a dívida bruta), enquanto no Grupo Soma a dívida líquida supera o Ebitda em apenas 1,87 vez.
A situação da Restoque, porém, já foi mais grave. Ao final do ano passado, a dívida líquida da companhia superava o Ebitda gerado em 12 meses em 50,5 vezes.
O cenário começou a melhorar depois que a empresa passou a ter como acionista a WNT Capital, uma gestora especializada em investir em negócios que passam por apuros, para tentar recuperá-los e depois lucrar com a futura valorização.
Enquanto acionista, a WNT Capital foi assumindo boa parte da dívida da empresa ao longo de 2022, ganhando participação no negócio, e hoje é dona de 56% da Restoque.
Em uma reestruturação liderada pela WNT, o grande movimento da Restoque foi anunciado em agosto, quando os investidores que haviam emprestado dinheiro para a companhia, por meio de debêntures, aceitaram converter essas dívidas em ações da empresa. A adesão foi de 97,4%, ajudando a reduzir a dívida líquida e, consequentemente, a alavancagem.
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À época, a Restoque tinha cerca de R$ 1,8 bilhão em debêntures, a maior parte nas mãos da própria WNT. Outros grandes debenturistas são o Bradesco, o Santander e o Banco do Brasil.
O pacote de medidas anunciado na quarta, com o aumento de capital de cerca de R$ 100 milhões, ajudou a animar investidores quanto à recuperação da empresa.
O aumento de capital será ancorado pela própria WNT e terá o objetivo de reformar as lojas da rede e investir em canais digitais, com a criação de aplicativos para as marcas. O valor por ação será de R$ 1,70, o que representa ágio de 12,6% em relação ao fechamento de ontem.
Segundo o Brazil Journal, a companhia, que tem 185 lojas, já fez reformas em 10 unidades da Le Lis Blanc e pretende reformar mais 51 até o fim do ano que vem. Conforme disse ao site o chairman da empresa, Marcelo Lima, as lojas reformadas crescem 20 pontos percentuais acima do nível de expansão da Restoque como um todo.
No terceiro trimestre, a Restoque teve receita líquida de R$ 287,2 milhões, alta de 27,6% em relação a igual período do ano passado. A empresa, porém, ainda opera no vermelho e teve prejuízo líquido de R$ 66,7 milhões no período, 36% maior que o do terceiro trimestre de 2021.
Além do aumento de capital, o conselho da Restoque aprovou a mudança de nome da empresa, que passará a se chamar Veste S/A Estilo, com o ticker VSTE3, e o grupamento das ações, na proporção de oito para um.